quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Heart] 04 - O novo professor


O vento soprou pelo seu rosto quando viu a paisagem daquele lugar incomum pela primeira vez. Percebeu naquele momento que sua passagem por aquele lugar seria marcante, muito mais do que qualquer outra coisa que tenha feito nos últimos 300 anos.

“Então, esta é Mahora..... realmente um local perfeito.”.





- ATCHOOOOOOO!!!

- Asuna, sinceramente, devia cuidar dessa gripe. – aconselhou Negi preocupado.

- Eu NÃO ESTOU GRIPADAA!!

Os dois estavam entrando no prédio 1 do campus universitário de Mahora, o prédio onde ficava os gabinetes mais importantes da diretoria da cidade acadêmica, incluindo o gabinete do diretor geral, com quem pretendiam falar ainda naquela manhã de quarta-feita.

O dia estava frio e cinzento como devia ser no inverno e Asuna mal conseguia respirar por causa das vias nasais inflamadas. Estava claramente doente, mas sua teimosia de “macaca” a fazia insistir em fazer-se de durona:
- Será que o diretor vai ‘dos’ dar a ‘perbição’ para as garotas irem pra Kyoto? – perguntou a ruiva tentando voltar a falar os fonemas nasais enquanto os dois subiam pelas largas e belas escadas daquele prédio da diretoria.

- Espero que sim, explicarei ao Diretor que trata-se de uma pesquisa cujas fontes de informação se encontram na casa de meu pai.

- Cê ta mesmo determinado a descobrir do que aquele livro fala não é Negi? – comentou Asuna que achava interessante e inédita aquela determinação por algo que não tinha (segundo as palavras do menino pelo menos) haver com o Thousand Master.

- Sim.... esse tal poder... parece ser algo raro e muito precioso, talvez algum artefato histórico para a Sociedade Arcana, algo que se cair em mãos erradas pode causar o caos, mas.... é algo incrível com certeza... – respondeu o garoto e Asuna pode notar o brilho mudar em seus olhos. Ela não conseguiu evitar de soltar um sorriso meio abobalhado diante da reação do outro, para seu azar Negi virou-se para olha-la exatamente naquele momento.

- Hm? – perguntou ela sem nem notar que sorria.

- Por que esse sorriso Asuna? – estranhou o garoto e a ruiva estalou pulando de modo escandaloso no mesmo lugar, corando intensamente.

- Nada moleque!! – brandou e virou o rosto para esconde-lo enquanto voltava a cor normal. Boa pergunta, por que aquele sorriso bobo? Pelo modo de agir do Negi? E o que tinha demais? Por que ficaria feliz por ele parecer estar se tornando mais determinado e seguindo caminhos próprios, deixando definitivamente de seguir a sombra do pai?? Por acaso tinha algum interesse especial no sucesso e amadurecimento dele???? Ahrg!!!! Chega de perguntas!

Depois de mais dois minutos de caminhada os dois falaram com a professora Shizuna e ela entrou na sala do diretor para avisar-lhe que eles queriam falar-lhe. Rapidamente ela saiu sorridente e calma como sempre e disse que eles podiam entrar.

- Com licença, ohayou gozaimasu Diretor. – cumprimentou Negi educadamente entrando e curvando-se.

- Ohayou Negi-kun. –respondeu Konoemon Konoe sorridente em sua confortável poltrona de diretor da acadêmia de Mahora.

- Ohayou vovô! Setsuna? Ohayou! – cumprimentou a ruiva vendo a espadachim que parecia estar resolvendo algum assunto com o diretor antes que eles chegassem.

- Ohayou Asuna-kun.

- Ohayou Asuna-san, Negi-sensei. – cumprimentou Setsuna curvando-se educadamente, quem visse diria que eles não eram mais do que conhecidos de vista, devido aos modos ponderados da shinmei.

- Não estamos atrapalhando a conversa de vocês diretor? – perguntou Negi não querendo incomodar.

- Não se preocupe Negi-kun, eu e Setsuna-kun já tínhamos terminado as coisas mais urgentes. – O que querem falar comigo?

- Bom.. – começou Negi num tom sério. – É sobre uma pesquisa que eu e minhas alunas estamos realizando.....

O professor expôs os fatos (pelo menos os mais corretos de contar e de modo a tornar a pesquisa algo quase como dever de casa aos olhos do diretor) e Konoemon apenas o observou:

- Muito interessante essa sua idéia Negi-kun, realizar pesquisas históricas com suas alunas que fatalmente descobriram sobre a magia, muito mais sensato do que deixa-las entrar em campo de batalha, como fazia antigamente. – ponderou o Konoe fazendo Negi e Asuna sentirem o peso da culpa pelo passado e por estarem, na verdade, provavelmente seguindo para o mesmo caminho de novo.

- C-claro diretor. – reforçou o garoto sorrindo quase sem hesitar.

- Você já estava sabendo também dessas pesquisas sobre aqueles mapas deixados por Magno, não é Setsuna-kun? – perguntou o velho Konoe olhando do modo relaxado de sempre para a shinmei que permanecia muito séria.

- Sim senhor. – respondeu quase como um soldado.

- Acha seguro deixar nossas alunas irem a Kyoto nesse fim de semana para pesquisar? – o tom de voz de Konoemon era estranhamente subliminar, tanto que Negi apenas teve uma leve sensação que não conseguiu identificar, enquanto que Setsuna pareceu congelar sua expressão séria ainda mais.

- Com toda a certeza senhor.

“Setsuna ta meio estranha.............” pensou Asuna notando a amiga que já conhecia muito bem.

- Certo! Então eu autorizo! – disse o mago sorridente como se a opinião de Setsuna fosse decisiva para o seu consentimento.

- Autoriza?! - surpreendeu-se Negi que esperava por um interrogatório muito mais apurado que com certeza descobriria que eles estavam atrás da tradução do guia para conseguir um poder ancestral extremamente poderoso que poderia causar uma grande dor de cabeça para a Sociedade Arcana.

- Mas é...... – ia responder o mestre da Associação de Magia de Kanto quando a porta do gabinete foi aberta de modo meio brusco e inesperado, fazendo todos voltarem sua atenção para as duas figuras que adentraram sem a mínima discrição no recinto.






- Takamichi? – estranhou Negi.

- Takahata-sensei! – surpreendeu-se Asuna sem no entando corar furiosamente como faria antigamente.
- Mas quem é.......? – perguntou-se baixo Setsuna.

- Oh! Então é você Claus-kun! – exclamou Konoemon animado de sua poltrona extremamente confortável.
Era um homem alto e fino, cabelos prateados finos e olhos negros que estava ao lado de Takahata. Trajava um casado de viagem branco e apesar de aparentar ser muito jovem, apoiava-se em uma bengala elegante com pedras em toda a sua extensão. Seu olhar era um tanto calmo em excesso mas o sorriso amável como um filho que chega em sua casa após anos de viagem:

- Desculpe-me por invadir assim seu escritório Konoe-sama. – pediu o jovem demonstrando sua voz extremamente suave e tranqüila.

- Sem problemas! Eu fico muito feliz em revê-lo! Cheguem um pouco mais perto para apresentá-lo! – o velho mago parecia bem animado com a chegada daquele forasteiro que emanava uma aura tão enigmática.

- Er..... – Negi realmente achava que o escrtório do diretor estava um pouco cheio demais aquela manhã. Começando pela presença dele e de Asuna, interrompendo a reunião que parecia estar tendo antes com Setsuna.

- Bom... – começou o velho diretor pondo-se em pé atrás da sua larga mesa. – Negi, Asuna-kun, Setsuna-kun, gostaria de apresenta-los ao novo membro do corpo docente de Mahora, Claus Witchmore, professor-mago que lecionará Matemática no lugar de nosso membro que se aposentará agora nas férias de fim de ano.

- É um enorme prazer! – cumprimentou Negi sorrindo alegremente para o outro jovem professor.

- O senhor é.... um professor-mago? – perguntou Asuna sem conseguir conter a curiosidade. Claus apenas sorriu afavelmente para não interromper as apresentações e a ruiva sentiu um calor estranho no peito diante aquele sorriso tão gentil.

- Claus-kun, estes são Negi Springfield, também nosso professor. – continuou o Konoe direcionando a mão para os apresentados. – Asuna Kagurazaka e Setsuna Sakurazaki, alunas da classe cuidada por Negi.

- Fico muito feliz em conhecê-los. – disse Claus fechando os olhos de modo doce enquanto sorria. – Sim senhorita Kagurazaka, sou um professor-mago.

- Witchmore-san parece ser bem jovem. – comentou Negi.

- Claus-kun é um dos mais jovens Magister Magi com uma reputação tão grande da nova geração de magos. – comentou Takahata.

- Magister Magi....? – impressionou-se Setsuna. Teve certeza naquele momento que o jovem mago escondia muito bem sua força mágica, afinal a presença que percebia nele era de uma pessoa comum.

- Na verdade eu apenas não deixei nunca de fazer a tarefa de casa, então acabei conseguindo o título cedo.

- Sempre modesto Claus-kun! – riu-se Konoemon sentando-se de volta em sua poltrona. – Asuna-kun....

- Sim diretor? – voltou-se a bakarange.

- Quando tiver um tempo livre, poderia apresentar todos os detalhes de Mahora para nosso novo professor? Como o fez com Negi creio que não será difícil.

- Claro diretor, seria um prazer. – aceitou Asuna sentindo-se meio nervosa mesmo sem saber o porquê.

- Realmente percebo que Mahora é um lugar muito excepcional em todos os aspectos. – comentou Claus ainda sorrindo amigavelmente. – Só agora já encontrei um número grande de pessoas incríveis neste lugar. Devo dizer que sinto-me lisonjeado pela oportunidade de lecionar na instituição Konoe-sama.

- Quê isso Witchmore-sensei, aqui apenas o pirralho do Negi é alguém famoso. – disse Asuna num tom bem informal, fazendo Setsuna erguer as sobrancelhas e Takahata e Konoemon sorrirem.

- Ora ora, mas não é todos os dias que reúnem-se na mesma sala: o filho do Thousand Máster, um grão-mestre do Japão, um usuário de Kanka, uma princesa e uma hanyou de descendência tão distinta. – respondeu com simplicidade o jovem fazendo o silêncio sobrecair no recinto.

“Como ele.........” quesionou-se a ruiva sem esconder o espanto na expressão.

“...............sabe?” a shinmei realmente não tinha conseguido gostar da simpatia do professor-mago. Era apenas um mago esnobe.... ou talvez um mago normal, afinal ela era mesmo apenas um hanyou...... mas.......
- Hohoho! Claus-kun está sempre bem informado de tudo! – disse o velho diretor rindo-se da perspicácia do outro. Witchmore apenas sorriu mais docemente.

- Diretor, creio que eu deva apresentar a Claus seus aposentos na cidade acadêmica. – comentou Takamichi notando a surpresa dos três jovens da Ala Alba.

- Claro, claro! Melhor mesmo, mais tarde poderemos retomar nossa conversa com um chá, não acha Claus-kun?

- Sim Konoe-sama. – concordou o jovem de cabelos claríssimos curvando-se para o diretor e para os três em seguida. – Espero vê-los novamente em breve, Negi-sensei, Kagurazaka-san e Sakurazaki-san.

“Porque essa sensação diante da voz doce desse cara?” perguntava-se a shinmei percebendo o desconforto nos seus instintos.

- Até logo. – despediu-se Takahata simplório enquanto saía dos aposentos com Claus. Fez silêncio durante um segundo depois que os dois foram-se.

- Bem, Negi-kun. – retomou o diretor com naturalidade. – Creio que também estamos acertados quanto a permissão de suas alunas. Gostaria que avisasse a Shizuna-sensei sobre isso, para que ela prepare os documentos formais.

- S-sim senhor diretor. – concordou Negi despertando de seus pensamento sobre o novo colega docente.
Como o tom usado pelo velho fora bem conclusivo, tudo o que restou aos ruivos foi despedir-se e sair do gabinete, satisfeitos por terem obtido a tão necessária autorização. Quase um minuto de silêncio se fez quando restaram apenas Setsuna e Konoemon na sala:

- ......

- Setsuna-kun, sei que tem seus motivos pessoais para ir a Kyoto exatamente agora.

- Como eu disse diretor, a mestra shinmei....

- Estou falando de outros motivos. – cortou o velho mago com um tom muito mais sério do que normalmente se escuta, calando a espadachim.

- Não sei do que se trata, mas quero que lembre-se de algo quando estiver em Kyoto.

- Sim diretor? – o talento Konoe para saber quando ela escondia algo era irritante as vezes.

- Muitas vezes é preciso seguir o que o coração pede, mesmo que isso parece completamente irracional.
O coração da shinmei pulou violentamente o peito. Mesmo sem saber de nada....... aquela palavras encaixavam-se mais que perfeitamente na situação. Como aquele velho podia acertar um alvo que não sabia que existia!?!? Além disso, ele não fazia idéia de como ele poderia um dia se arrepender muito daquelas palavras. Respirou fundo para tentar disfarçar a surpresa:

- Claro diretor, agradeço as palavras. – disse sem emoção e voltou-se para sair. Não queria ficar na companhia daquele bruxo perigoso nem mais um minuto, afinal era também por causa dele que ela estava naquela situação maldita!!

- Setsuna-kun.

-...... – a espadachim não se virou, com a mão girando a maçaneta da porta parada.

- Não é muito justo partir sem despedidas, então, pelos seus amigos, espero vê-la na próxima quarta.

-..............



A espadachim saiu sem dizer mais nenhuma palavra.

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