terça-feira, 3 de agosto de 2010

[Lives] 01 - Pensamentos

         “Será que hoje vou encontrar alguma pista?”
         Negi Springfield estava sentado em uma cadeira confortável na grande mesa de reuniões que os professores usavam. A pauta da reunião extraordinária era voltada para a reorganização de alguns modos de trabalho dos setores relacionados ao colegial. Porém o jovem professor mal estava ouvindo as propostas dos colegas para melhorar a eficiência do trabalho de todos, seus pensamentos na verdade estavam bem longe dali.
         Há alguns dias, lendo um livro que trouxera da ultima visita à casa de seu pai em Kioto, Negi encontrara uma pequena anotação feita pelo Mago: A jornada do mago, que Kamo havia identificado como o titulo de um raro livro que conta a estória de um jovem mago que deseja encontrar com o maior de todos os magos e no final descobre ter se tornado esse mago. Pesquisando pela maginet Hasegawa, mesmo sem querer ajudar, descobrira que o único lugar que possuía esse livro no estoque era uma pequena livraria que, incrivelmente, era em Mahora.
         E hoje ele junto com Asuna, Konoka e Setsuna iria até essa livraria procurar o exemplar. A possibilidade de encontrar uma pista sobre seu pai, que ele já estava reparando que gostava de fazer jogos de esconde-esconde, não tinha deixado-o dormir aquela noite e agora prestar atenção na reunião:
         - O que você acha Negi? – perguntou Takamichi que estava com a palavra e aparentemente havia feito uma proposta e pedia sua opinião.
         - Ah...eu concordo com tudo! – disse Negi abobalhado tentando sem sucesso esconder que não ouvira nada do que o outro professor dissera., mas Takahata sorriu e continuou sua explanação que até mesmo ao final da reunião o jovem mago não fazia idéia do que se tratava.
         Quando a reunião terminou os professores conversaram distraidamente entre si, mas Negi livrou-se o mais rápido possível das conversar e saiu pela escola para encontrar-se com Konoka. Ficou radiante ao encontrar a garota no corredor de entrada dos alunos a sua espera:
         - Konoka! Bom dia! – disse ele alegre, isso por que a maga saíra cedo do dormitório deixando o café pronto e sem dizer onde ia.
         - Bom dia Negi! Está animado hoje! – comentou a maga. Por um instante Negi teve uma sensação estranha, a energia de Konoka parecia diferente do de costume. Konoka pareceu reparar em algo em Negi. – Algum problema Negi?
         - Ah...nada. Vamos então? – perguntou ele lembrando-se do livro que iam procurar.
         - Certo, vamos.
         Negi e Konoka partiram em direção a praça da Árvore Mundo. Negi com o coração a mil pensando nas possibilidades daquele dia.
         “Sim, hoje eu vou encontrar uma pista do meu pai!”





         “He he. Hoje vai ser um dia tão divertido!”.
         Konoka Konoe estava na sala reservada ao clube de artes esotéricas de Mahora, como uma boa chefe do clube ela tinha que manter o local sempre organizado. Na verdade nos últimos tempos o clube não era mais tão interessante quanto antes, afinal ela sabia muito mais do que o que os livros do clube poderiam lhe dizer, afinal ela era uma maga, em treinamento, mas ainda assim uma maga.
         Como sempre havia um sorriso enorme em seu rosto, estava animada com as possibilidades que sábado reservava. Não podia esperar até chegar a hora do almoço, quando se encontraria com Asuna, Negi e Setsuna na praça da Árvore Mundo. Ao lembrar do ultimo nome seu sorriso se tornou ainda mais radiante.
         “Se-chan...”.
         Sempre que se lembrava do fato de ter voltado a se aproximar de sua grande amiga Konoka sentia-se feliz de uma maneira totalmente diferente das outras. Na verdade ela vinha se perguntando sobre isso já a bastante tempo.
         Claro que sempre se divertira com Asuna e as outras alunas do 3-A, mas desde de que voltara a estar perto de Setsuna sua alegria havia se tornado quase insuportável de tão grande. Estar perto de Setsuna era único, um sentimento que não sentia com mais ninguém, uma tranqüilidade e conforto que não se lembrava de sentir com outra pessoa em sua vida, quem sabe apenas quando ainda estava na barriga de sua mãe tivesse sentido coisa parecida.
         Lembrou-se de quando decidiu que seria uma maga e praticamente decretou que Setsuna seria sua parceira. Riu-se ao se lembrar da situação:
         “Você aceita Se-chan!” havia exclamado quando Setsuna lhe disse que seria uma honra poder protege-la no caminho da magia. “Legal então agora podemos nos beijar, certo?”.
         “Q-Q-QUÊ!?!?” berrara a espadachim dando uma salto para longe. “B-BE-B-BEIJAR?!?!?”
         - He he he. – Konoka não conseguia deixar de achar muita graça ver os ataques de sua Se-chan.                “Sua...”.
         Konoka sabia que sua família tinha a intenção de lhe arranjar um noivo antes que terminasse a escola. Porém, todas as vezes que ponderava sobre isso sentia um vazio dentro do peito. Não queria um pretendente! Não precisava de pretendente nenhum! Seu coração já havia escolhido a quem amar e era a...
         Konoka engoliu em seco. Sim, seu coração fazia questão de lhe lembrar todos os dias que já tinha feito sua escolha. Infelizmente ela tinha que fazer de tudo para não deixar tão transparente em suas atitudes isso. Tinha medo de que sua Se-chan fugisse por estar cometendo um crime, ou outra idéia boba dessas que costumava ter nos momentos menos apropriados. Como em uma noite em que quase haviam se beijado na volta para o dormitório, só não haviam de fato porque Setsuna voltara a seu estado pudico de sempre na hora H. Elas nunca falaram do ocorrido entre si ou para alguém, o episódio passara sem ser notado pelas outras, mas era uma prova de que Konoka teria que ter muita paciência para driblar os obstáculos que Setsuna colocava entre elas nesse sentido.
         Despertando de seus devaneios ela olhou para o relógio de pulso que marcava dez horas. Tinha que ir. Ainda teria que esperar Negi que estava em uma reunião extraordinária de professores, depois juntos eles iriam até a pra;a da Árvore Mundo para onde iriam Asuna e Setsuna. Guardou a varinha de treinamento que sempre carregava consigo, e na verdade era a única prova de que não fora para o clube sábado de manhã para arrumar o lugar, mas isso era outra coisa que procurava esconder de todos, inclusive sua Se-chan.
Sem mais pensar nesse assuntos de segredos outras coisas quais quer, ela fechou a sala com uma certeza:
         “Hoje vai ser um ótimo dia!”.



         “Hum...sair de casa hoje... que saco!”
         Asuna Kagurazaka terminava seu café da manhã bem mau-humorada. Já não bastava ter que trabalhar no sábado ainda mais ter que acompanhar Negi numa aventurazinha em busca de um livro besta. Ara! Por que esse moleque não sossega com essa estória de encontrar pistas sobre o pai?
         Desde que voltara de Kyoto em uma viagem rápida em um fim de semana o garoto não havia mais feito nada alem de vasculhar o livro era do pai. Quando encontrou o rabisco do próprio então, foi uma festa! E agora iam até uma livraria procurar o tal outro livro ao qual o rabisco se referia.
         Claro que Asuna admirava a determinação do garoto em encontrar algo sobre o pai, mas ela também sabia que essa determinação vivia a colocá-lo em perigo. Droga! Será que esse garoto não sabia pensar na própria segurança!?
         E por que raios ela se importava tanto?
         Asuna terminou o café e trocou-se para sair. Ia encontrar-se com Setsuna na praça da Árvore Mundo antes de Negi e Konoka chegarem. Sentou-se na cama de Konoka para pensar melhor no que acabara de lhe ocorrer.
         Sim. Ela se importava com a segurança de Negi, mas, oras, não seria normal se preocupar com um garoto que mora num país diferente do seu com 11 anos e persegue o sonho de encontrar um pai desaparecido? Claro que era, mas.....será que era tão normal tanta preocupação? Afinal ela quase tinha um troço toda vez que o pequeno mago corria perigo. Ah....claro que era normal, afinal parceiros se preocupam uns com os outros.
         Parceiros...
         - Ah, droga! No que estou pensando!? – esbravejou contra si própria se levantando de súbito e apanhando sua carta de pacto no seu colchão (nunca se sabe quando algo pode acontecer).
Na verdade Asuna já havia parado para refletir sobre aquilo muitas vezes. Mas sempre ficava na duvida, no impasse: será que o que sentia por Negi era apenas um carinho fraternal? Ela repudiava a idéia de ser como a representante, mas....e se fosse? Essa duvida a roia pelas beiradas...
Guardando a carta ela saiu do quarto tentado varrer esses pensamentos da mente. Apesar de tudo tentaria se divertir naquele passeio, quem sabe provocando Setsuna com as insinuações de sempre. Isso seria divertido.
         “Aff....porque isso tudo logo hoje?”.




         “Parece que hoje será um bom dia”.
         Setsuna Sakurazaki estava terminado de arrumar-se em seu quarto. Era sábado de manhã e em breve ela, Konoka, Asuna e Negi sairiam pela cidade estudantil de Mahora para divertir-se e pesquisar sobre alguns segredos. Na verdade Setsuna mal se lembrava desse outro motivo do passeio dos amigos, em sua mente havia apenas o pensamento de que passaria um agradável dia juntos de seus amigos e Konoka ojou-sama.
         “Você já está pensando em ojou-sama novamente?”.
         Essa era a conhecida voz que setsuna sempre ouvia entre seus pensamentos. É o que todos chamam de consciência e a sua adorava desafia-la com perguntas difíceis de responder.
Sim. Ela estava pensando em ojou-sama novamente. Era inevitável, volta e meia e a maga branca estava no primeiro plano de sua mente. Ora, afinal se toda a sua dedicação aos treinos era para proteger-la, se toda sua vida tinha sido planejada visando o bem estar dela, não seria normal que estivesse em seus pensamentos?
         “Tem certeza que é só isso?”.
         Não, Setsuna não era uma Bakaranger, portanto sabia muito bem que não era apenas isso que fazia Konoka estar em seus pensamentos. Apesar de evitar a todo custo pensar nisso, a muito tempo já havia parado para refletir sobre o fato de diversas vezes se pegar admirando a beleza pura da garota, ou da felicidade que sentia na companhia dela ser única e especial. Mesmo que gostasse de estar com Asuna ou as outras garotas, nada era como estar com sua Kono-chan. “S-sua Kono-chan!? C-como a-a-assim!?” perguntou-se incrédula sem deixar espaço para sua consciência tirar algum proveito de seu pensamento absurdo. Realmente ela sabia que o que havia dentro dela e lhe aquecia a alma quando estava perto de Konoka não era apenas o sentimento de compromisso, ou o de um guarda-costas pelo cliente. Não, mesmo que sentisse muita culpa por isso, ela sabia que não era apenas isso.
         Setsuna encarou o espelho após terminar de fechar o zíper do casaco que usaria aquela tarde. Encarou-se nos olhos e percebeu um pequeno sorriso no canto de sua boca. Ele sempre aparecia quando Konoka estava em sua mente. Provavelmente por isso ela sorria tanto nos últimos tempos. Sua boba! Tire esse sorriso da cara!
         “Você a ama Setsuna Sakurazaki?”.
         O sorriso sumiu de seu rosto e ela encarou seria a própria imagem. Aquela sim era uma pergunta desafiadora, talvez a pergunta mais difícil de responder para ela:
         - Mesmo que isso fosse verdade...Konoka Ojou-sama é uma maga de linhagem pura e eu...eu sou apenas um monstro. – disse para sua imagem com um nó na garganta nessa ultima parte da frase. Não queria continuar aquele embate com sua consciência, quase sempre era derrotada por esta. Saiu da frente do espelho para pegar sua Yuunagi e sair.
         Ela caminhou até a porta e abriu-a, já ia saindo quando ouviu uma risadinha de sua consciência. Ela parou exatamente de costas para o espelho.
         “É verdade, mas mesmo assim você a ama”.
Setsuna saiu do quarto batendo a porta como se estivesse fechado na cara de alguém bem desagradável.
         “Espero que hoje seja um bom dia mesmo”.

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