quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Lives] 06 - Manhãs de Outono podem ser inspiradoras


Aquela manhã de outono amanhecera fria e cinzenta. Para quase todas as pessoas isso seria um sinal de um dia sem graça e de poucos assuntos, mas algo no interior de Setsuna Sakurazaki lhe dizia que algo iria acontecer naquele dia triste.
            Havia se passado duas semanas desde o dia da reunião semestral com o conselho diretor de Mahora. Naquele dia Setsuna havia percebido uma atitude estranha por parte de "sua" Ojou-sama, mas desde então a garota pareceu se esforçar para não deixar transparecer o que se passava apesar de todos notarem sua apatia constante. A espadachim tinha a impressão de que Konoka estava escondendo algo de importante, mas ainda assim não fazia perguntas. Pelo menos a quase-maga havia deixado pouco a pouco de tratá-la da estranha maneira distante daquele dia.
            Setsuna terminava seu treino matinal enquanto sentia algo diferente. Asuna havia partido já a algum tempo para tomar café da manhã deixando uma reflexiva Setsuna sozinha.
            Seria somente impressão ou tudo ao seu redor lhe dizia que havia algo de diferente no ar? Talvez um vírus invisível que matava em poucas horas ou.... Não! Bobagem! Quanta paranóia!.... Mas.... Por que então tinha aquele pressentimento?
            Terminou seus exercícios e sentou-se na grama. Esperava algo. O que, afinal? Ora, ora. O que estava acontecendo com ela hoje? Só sabia se fazer perguntas e mais perguntas. Com certeza não era do tipo filósofa amadora. Então por que sentia tanta necessidade de uma resposta?
            De repente seu pensamento voou até Konoka. Sim,  "sua" protegida que não tinha coragem de tomar de vez para si.... Por que ainda não havia raptado a garota para si? Ei! Mas no que estava pensando?! Tomar "sua"....ou melhor... Ojou-sama para si!? Como podia ser tão insolente?
            "Por que não admite de vez, Setsuna Sakurazaki?" perguntou sua consciência com tom de consolo pela repentina crise de nervos de sua humana. "Por que não diz a ela tudo o que sente? Quem sabe ela sinta o mesmo."
            Como?! Ojou-sama sentir..... O mesmo por ela?! Impossível! Konoka Ojou-sama era pura e sagrada! Não tinha capacidade de sentir algo tão.... "Maravilhosamente" detestável! Ei?! Como assim ‘maravilhosamente\'?! Não! Não era nada "totalmente" maravilhoso sentir...."Esse amor que me mata..." Ahrg! Mas que droga de consciência! Que só sabe "Amar...amar...".
            Setsuna se levantou e começou a andar em círculos no mesmo lugar. Sua consciência tinha a incrível habilidade de perturba-lhe mais do que qualquer outra coisa, às vezes até mais do que seus sonhos totalmente repulsivos ("Deliciosos....admita...") com Ojou-sama. Como gostaria de poder desligar essa "vozinha" que adorava jogar aquilo que não queria lembrar na sua cara.
            "Quê isso... esquece esse rancor e vai buscar seu sonhado beijo da Kono-chan...".
            Ai não! Mais verdades indesejáveis não! Será que não tinha pena de sua pobre alma adolescente frágil e tendenciosa a desastres?
            - Bom dia, Setsuna de Gozaruna! - cumprimentou Kaede Nagase quase fazendo a espadachim Shinmei enfartar. Deu um salto no ar, mas se recuperou para responder.
            - Bom dia, Kaede. - o coração da garota ainda pulava atarantado com o susto.
            - Parece que está um pouco preocupada. Tem algo errado de gozaruna? - perguntou a ninja solicita com a aparente perturbação de sua companheira de serviços secretos. Setsuna se surpreendeu com a percepção da garota em notar tão rapidamente seu estado ("E quem não perceberia?[*gota*]").
            - Ah.... é que estou com um estranho pressentimento. - respondeu com sinceridade.
            - Certo.... seu como é isso... - começou a ninja e Setsuna não entendeu a que se referia. - Todos têm dias em que, mesmo sem saber como, sentem que algo de especial vai acontecer.
            - Sim.... é isso que estou sentindo. - concordou Setsuna surpresa novamente com a maturidade da mulher.
            - Sabe, de gozaruna, quando a verdade nos chama à porta, não há como fugir. - disse Kaede a frase de efeito enfatizando com seu tom de voz e em seguida se virou para partir. - Até a aula, Setsuna de gozaruna. - e foi-se, pulando de galho em galho, digno de MacacAsuna (novo apelido carinhoso que Ayaka conseguira conceber na ultima discussão em sala das duas).
            - Ah...  - Setsuna ficou sem reação às palavras de Kaede e sua consciência riu-se com gosto.
            "Essa ninja é demais...".
            "por que tudo parece cooperar nas piores horas?".




            - Voltei!
            Asuna vinha entrando do quarto quando sentiu o delicioso cheiro de ovos fritos a moda inglesa. Encontrou Negi sentado à mesa ainda de pijama esperando seu café com água na boca:
            - Bom dia Asuna! - cumprimentou ele animado. - Parece que hoje a Konoka está inspirada. - disse apontando feliz para a cozinha. - Está sentindo o cheiro?
            - Oi Asuna! - disse Konoka colocando a cara no aposento. Estava com um sorriso de orelha a orelha como não se via há mais de duas semanas, segundo as contas da bakaranger.
            - Ah.... bom dia...
            - Já vou terminar de preparar o café, pode ir se preparando para comer maravilhas! - enunciou a garota voltando para a pequena cozinha do apartamento.
            Asuna franziu a testa e refletiu por um momento. Não era nada normal para uma garota que vinha parecendo um zumbi nos últimos tempos de repente voltar a ser uma margarida na manhã sem um bom motivo. Ora, mas estava com Setsuna até pouco tempo, não teria dado tempo para...
            - Senta logo, Asuna! - disse Negi que parecia que ia sair voando de tanta vontade de comer.
            - Por que ainda está de pijama? - perguntou a garota sem se animar.
            - Ora, Ane-san, quem vai pensar em roupas quando acorda sentindo um cheiro desses? - argumentou Kamo que também estava animado para comer.
            - Hum... - Asuna atirou sua bolsa em um canto e foi até a cozinha minúscula do lugar. Konoka mexia ovos em um canto e ainda cuidava de uma enorme quantidade de pratos ao mesmo tempo que talvez chefe nenhum conseguisse com a mesma graça.
            - Sim, Asuna? - perguntou Konoka sem tirar os olhos de seus pratos.
            - Que bicho te mordeu? O que aconteceu pra você deixar de ser aquele zumbi pra voltar a ser esse poço de felicidade? - perguntou sem rodeios a ruiva.
            Konoka parou seu gingado entre os pratos depois de arrumar tudo para levá-los para a mesa. Ficou um tempo de costas para Asuna, mas esta não desviou o olhar e continuou esperando uma resposta. Por fim a garota respondeu:
            - Sei lá Asuna, é que.... Hoje eu amanheci com um bom pressentimento sabe...
            Asuna ergueu as sobrancelhas. Pressentimentos? Não, não podia ser coincidência. Setsuna lhe falara exatamente de pressentimentos mais cedo. Dissera-lhe que estava sentindo que algo aconteceria aquele dia e não fazia noção do que era. Não pretendia contar isso a Konoka, mas o fato não era de se ignorar, não vindo daquelas duas.
            - Que foi? - perguntou Konoka se virando para olhar a ruiva que permanecia em silêncio.
            - Não.... Não foi nada... - respondeu Asuna tentando ser evasiva. - Que bom que está melhor hoje! Com certeza a Setsuna vai ficar feliz ao te ver assim! Sabe, ela vinha se culpando do nada pela sua apatia.... - Konoka ficou desconcertada ao ouvir isso, claro que Asuna dissera de propósito, mas fingiu não notar. - Quer ajuda pra levar a comida?
            - Ah... claro! - respondeu Konoka reassumindo seu sorriso Konoe a tanto esquecido e Asuna já saiu levando os pratos mais apetitosos para a mesa.
            - Lá vai o rango!
            - Eba! - exclamaram Negi e Kamo ao mesmo tempo.
            Konoka olhou para o nada por um momento. Sim, ela sentia que aquele seria o dia perfeito. Perfeito, ou para levar o maior pé na bunda da História, ou para ser a garota mais feliz do Universo. Evangeline tinha razão, ela sabia que aquele era o dia de se arriscar.
Era vencer ou morrer, nada a mais.

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