quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Lives] 12 - De volta ao lar


A céu da tarde estava bastante claro e azularado para o outono em Mahora. Os estudantes passavam em grupinhos animados na parte próxima aos ginásios esportivos, parecia que algum evento aconteceria aquele dia, pois lideres de torcida ensaiavam em um lado enquanto alguns universitários faziam apostas.
            Asuna Kagurazaka estava sentada em um banco um pouco afastado da agitação lambendo solitariamente um sorvete, pensativa. Muita coisa havia acontecido nos últimos seis dias e a garota se perguntava como tinha ido parar sozinha ali naquela tarde.
            Não que uma "revolução do século" tivesse ocorrido em Mahora desde a viagem de Setsuna, mas com certeza algo que tivesse tirado o senso de tempo da baka ranger, pois ela se sentia completamente abismada com tudo e qualquer coisa:
            - Não acredito que, no fim, aquele brutamontes destruiu o tal Chikarasei. - disse Mana irritada. As três mercenárias haviam acabado de voltar a Mahora depois de uma batalha intensa e passavam pelas proximidades da área esportiva da cidade acadêmica.
            - Pelo menos recebemos o nosso pagamento inteiro, de gozaruna. - ponderou Nagase com seu sorriso de sempre. - Afinal, o tal mago ocidental misterioso não botou a mão no amuleto.
            - É... pelo menos isso. Mas ainda não admito que tenham conseguido fugir ilesos. - esbravejou a morena decidida a ficar irritada, mas sem alterar a expressão mansa da ninja.
            - Nem tão ilesos. - corrigiu Kaede parecendo se divertir. - Há algo de errado Setsuna, de gozaruna? Está ainda mais quieta desde a batalha no templo Kurokawa. - perguntou à espadachim que andava silenciosamente acompanhando as outras duas, tinha diversos cortes pelo corpo. Asuna pareceu despertar ao ouvir a voz de Kaede logo atrás dela.
            - Hm? - virou-se com o sorvete na boca e viu Mana, Kaede e Setsuna caminhando am direção ao prédio onde ficava a diretoria, não a tinham visto, mas a alegria da ruiva foi tanta que ela não esperou nem meio segundo para atirar o sorvete para qualquer lado se levantar a se atirar na direção delas.
            - Vocês voltaram!!!! - berrou empurrando Setsuna de maneira tão subita e violenta que atirou a espadachim no chão a três metros de distância.
            - Olá Asuna, de gozaruna. É muito bom vê-la também! - cumprimetou Kaede feliz e Mana olhou para uma Setsuna estirada com a boca entreaberta (*gota*).
            - A-A-Asuna! - exclamou Setsuna se levantando ainda mais doída do que já estava por causa de seus machucados. - É bom te ver também! - disse um pouco mais animada e logo teve sua cabeça prensada pelos braços de Asuna que a enforcava da maneira mais "MacacAsuna" possível.
            - Caraca! É tão bom que tenham voltado! Parece que já faz anos que estão fora! - dizia a ruiva enquanto fazia cafunes de arrancar o coro cabeludo em Setsuna que, apesar da dor, estava feliz de ver novamente a amiga.
            - Quanto exagero Asuna Kagurazaka. - disse Mana que também se divertia um pouco com a situaçãoda espadachim. - Por que não solta a Setsuna para podermos nos apresentar de volta ao serviço? - sugeriu num tom mais de ordem do que de qualquer coisa.
            - Ah... - Asuna soltou Setsuna que massageou o pescoço antes de ajeitar a liga no cabelo. - Tá bom, mas eu posso ir com vocês? - perguntou a baka ranger estupidamente alegre. As três mercenárias se entreolharam por um segundo antes de Setsuna responder.
            - Claro Asuna! Só não podemos deixa-la entrar conosco para falar com o diretor. - disse a espadachim também muito alegre para seus padrões normais, principalmente no que se referia aos últimos seis dias.
            - Beleza. - concentiu Asuna e as quatro garotas recomeçaram o caminho em direção ao prédio central da cidade acadêmica de mahora, onde ficava o gabinete do diretor geral.
            Asuna não teve que esperar mais do que cinco minutos à porta do gabinete do chefão de Mahora, logo Mana, Kaede e Setsuna reapareceram e a baka red esfregou as mãos como se estivesse se preparando para saltar de um trampolim, ou talvez para levantar um altere bem grande... qualquer coisa do tipo. Mana e Kaede, não se demoraram conversando, a pistoleira queria checar se sua coleção de armas raras estava intocada como deixara e Kaede disse que tinha que ir falar com as gêmeas. Logo, Asuna e Setsuna caminhavam lentamente devolta a republica estudantil de Mahora, a ruiva não cinseguia esconder a alegria em rever a amiga:
            - Sabe, Setsuna. Parece que fazem séculos que vocês saíram daqui de Mahora... - ia dizendo com os braços cruzados atrás da cabeça. A espadachim sorria serenamente como não vinha conseguindo a dias.
            - Por que diz isso, Asuna? Não pode ter acontecido tanta coisa em seis dias... - disse crendo não passar de mais um exagero da garota de sininhos.
            - Er... - estranhamente Asuna pareceu desconcertada e Setsuna franziu ligeiramente a testa. - Ah... aconteceram só algumas coisas... afinal, você deixou aquela sua shikigami no seu lugar e... - dizia disclicente a ruiva tentando não chamar atenção para suas palavras conseguindo obter o contrário.
            - Setsuna-P? - a consciência de Setsuna pareceu ficar alerta. - O quem tem ela? Ela fez algo que não devia?
            - Não, na verdade... - respondeu Asuna sincera, mas ainda com tom de displicência ineficaz. - É só que.... ela é muito diferente de você... Foi meio estranho, sabe...
            - Hei! Setsuna-senpai! - exclamou uma voz mais adiante e por um instante Setsuna preparou-se para desembanhar Yuunagi por ouvir o tratamento "senpai", mas logo constatou para sua surpresa de que se tratava  de Yuuna.
            - Ah?
            - Espero que esteje mesmo lá no jogo hoje, heim! - berrou à distancia e continuou seu caminho com as outras jogadoras do clube de basquete, como se sempre falasse com ela daquela maneira. Ouve um silêncio momentâneo aquela cena.
            - Ah... - começou Asuna com o tom mais constrangido que antes. - Como eu ia dizendo: a Setsuna-P é muito diferente de você...
            - Ela tornou-se próxima da Akashi-san? - estranhou Setsuna sem entender direito a situação. Asuna suspirou.
            - Na verdade, não foi só isso o que aconteceu nesses dias... - disse e começou a narrar os principais acontecimentos dos últimos dias a uma espadachim que a cada palavra ia se tornando mais boquiaberta e reticente.




            Setsuna olhava pela janela sem realmente ver qualquer coisa, na verdade nem conseguia se lembrar de onde estava. Sua mente estava em choque.
            Ela e Asuna estavam no quarto da morena, e a ruiva havia terminado de contar tudo o que lembrava dos últimos seis dias que envolvesse Setsuna-P. A exorcista parecia não conseguir acreditar em tudo o que ouvira e de repente ficou muito claro o porquê da insistência de seu subconsciente em desconfiar da shikigami. Asuna só aguardava alguma reação da amiga, não tinha idéia de como reagiria as revelações.
"Sabia que ela ia aprontar... devia ter me escutado sua tola... olha só o que ela aprontou!" dizia sua consciência toda dona da razão e Setsuna nem podia contra-argumentar, estava com a razão mesmo. Pelo menos, dentre tudo o que ouvira, nada tinha se referido a Konoka, "Hunf... Menos mal. Pelo menos não teve a coragem de tocar em Konoka Ojou-sama!" (e por que sua consciência se referia a Konoka de maneira diferente dela!?!?).
Setsuna respirou aliviada por um momento. Sim, não tinha feito nada com sua Kono-chan. Apesar de tudo a maga havia permanecido em segurança e nada de realmente ruim tinha ocorrido. Talvez desse um pouco de trabalho consertar tudo, mas pelo menos tinha conserto. Infelizmente Setsuna-P havia perdido toda a confiança que tinha de sua craidora depois daquilo, mas nada que se possa controlar, pensava Setsuna quando Asuna, vendo que estava melhor, disse:
- Claro que... isso foi tudo o que eu vi. Mas, na verdade, quem passou a maior parte do tempo com ela foi a Konoka... - ia dizendo quando subtamente Setsuna se levantou.
- O que...
- Ãh? O que foi? - perguntou Asuna preocupada. De repente a expressão da espadachim tinha se tornado séria até demais.
O fato era que, no momento em que Asuna falava, Setsuna se tocou de uma presença mágica relevante que parecia pertubar-se. Claro que uma energia mágica agitada era motivo de alerta, mas era ainda mais por que reconhecera imediatamente a energia:
- Kono-chan...
- Quê? - Asuna não entendeu direito as palavras da amiga.
- Mas o que... - começou a espadachim sem terminar, saindo sem mais nem menos pela porta.
- Setsuna!? - Asuna se levantou da beira da cama desta e seguiu-a. A garota de cabelos negros caminhava decidida pelo corredor como se soubesse exatamente onde ia e Asuna teve que apressar o passo para não ficar pra trás. - Ei! O que houve Setsuna?!
Setsuna continuou pelos corredores, sempre subindo os andares com Asuna a uma certa distância, estava quase correndo. Sentia um aperto no peito muito pior do que qualquer outro que sentira durante toda a viagem, sentiasse ainda pior ao perceber o poder de Konoka se estabilizar mais:
- Setsuna! O que foi que te deu?!
Porém Asuna deu de encontro com a espadachim quando ela parou sem aviso de andar. Estava parada à porta que levava ao terraço daquele prédio da república estudantil de Mahora. Asuna se recompôs e olhou para a amiga surpreendendo-se em vê-la pálida olhando fizamente para fora:
- Mas que bicho te mordeu ga... . - Setsuna tampou a boca da ruivacom força para que não livrar-se, mas ainda sem tirar os olhos do que fosse que olhava tão abismada. Asuna ainda se debateu por alguns segundos antes de olhar na mesma direção que Setsuna.
Ergueu as sobrancelhas. Isso além de perder completamente a vontade de falar. Setsuna soltou-lhe e as duas observaram o que quer que fosse do lado de fora, no terraço. O tempo pareceu parar para ambas naquele momento. Era simplesmente absurdo demais para se acreditar.
Mas era exatamente aquilo.

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