quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Lives] 28 - Momento


            - Ao ataque! – berrou Asuna correndo na direção de Mash. Negi iniciou uma conjuração enquanto o mago mais experiente trocou um último olhar acompanhado de sorriso característico com Setsuna-P. Setsuna sacou Yuunagi e Pee imitou-a tirando sua espada larga das costas.
            - Você é mesmo muito interessante Asuna Kagurazaka. – comentou Mash observando a guerreira aproximar-se rapidamente. – Experimente lutar contra meus “ajudantes”.
            Sem conjurar uma palavra sequer Mash fez surgir oito pontos luminosos como raios ao seu redor. A ruiva parou bem a tempo de defender uma pancada certeira que um dos pontos que se projetou como a luz na sua direção. O impacto do golpe fez a garota recuar mais de dois metros:
            - Asuna!? – espantou-se Negi detendo as flechas mágicas que estava prestes a lançar.
            - Mas que porcarias são essas?! – questionou ela irritada e surpresa com a velocidade de força do ataque, porém não houve tempo para esperar a resposta, no segundo seguinte ela teve que se esquivar de ataques consecutivos de mais de cinco desses misteriosos pontos vivos. Eram muito rápidos e fortes e a ruiva teve que se esforçar ao máximo para não ser atingida.
            - Elementais do raio. – comentou Pee observando. – Ele me surpreendeu agora...
            - Eu se fosse você não ficaria perdendo tempo observando a outra batalha.  – disse Setsuna que parecia indiferente à batalha de Negi e Asuna. Pee desviou os olhos dos elementais e encarou a sua criadora.
            - É mesmo? – desafiou com o sorriso sarcástico que gostava tanto de exibir. – Pretende me destruir quando eu estiver distraída?
            - Vou te destruir de qualquer maneira hoje. – respondeu a shinmei friamente. – Nunca ira viver depois do que fez a Kono-chan.
            Pee sentiu uma dor no coração que nada tinha haver com o seu corpo. Ouvir a outra usando o apelido que ela não pudera era algo que a machucava. Entrementes Setsuna anotava o fato de que Pee ainda sobrevivia da força de algo externo, o Chikakasei. Como era imprudente.... melhor assim.
            - Sagitta Magica!! – berrou Negi atirando 25 flechas mágicas contra Mash que as defendeu erguendo uma barreira invisível temporária.
            - Muito bom. – comentou Mash ainda sorrindo. “Porque os vilões tem que ser tão insuportavelmente sorridentes?!” questionou-se Asuna ainda tentando livrar-se dos elementais que não davam trégua nos ataques. – Agora acho que é a minha vez de mostrar poder de fogo jovem Guerreiro Mágico Springfield.
            - Droga eu não posso...ARGH! – exclamou Negi ao ser atingido em cheio no rosto por um elemental que Asuna perdera de vista. O golpe o desequilibrou e os outros sete espíritos convocados voltaram-se para atacar o garoto numa velocidade impressionante.
            - Negi! – berrou Asuna avançando, pondo-se entre o mago e os elementais. Estes formaram um ataque sincronizado, avançando de diversas direções e simultaneamente para cima da dupla.
            - Asuna, não!
            - IAAA! – Asuna utilizou seu golpe de maior amplitude contra os elementais conseguindo interceptar cinco destes, porém sendo atingida em cheio pelos outros três e sendo arremessada a mais de quinze metros de distância.
            - NÃO! – berrou Negi lançaando uma tempestade de vento e magia concentrada contra os elementais que já partiam para cima da garota caída para aplicar-lhe um golpe ainda mais fulminante, afastando-os temporariamente.
            - Hunf..... bom mesmo. – comentou Mash unindo as mãos a frente do peito. – Vamos ver o tamanha desse talento. TRAVARE SENE TERANUM... IRC DESTIS MUNDIS, ANIDUS....
            Negi sentiu um frio na espinha. Aquele era um dialeto raríssimo e quase secreto. Ainda mais antigo que o latim e que, de acordo com os livros, conhecido apenas por feiticeiros das trevas especialistas nas magias mais sinistras envolvendo a ligação entre as dimensões.
Realmente aquele Mash Magno não era um mago comum.



Konoka caminhava lentamente pela alameda das cerejeiras a caminho dos dormitórios onde provavelmente encontraria Kaede brincando com as gêmeas Narutaki àquela hora. Ela percebia que a luta já havia se inciado, seus sentidos agora muito mais desenvolvidos que antes lhe mostravam que o mago que acobertava Pee era muito mais poderoso do que esperava. Negi e Asuna estavam tendo dificuldades em combate-lo.
Como era tola. Devia ter ido para a batalha com eles. Seus poderes agora estavam muito mais desenvolvidos do que antes, tinha certeza de que poderia ajudar. Isso que dava treinar de maneira discreta, todos achavam que ela ainda era apenas a maga branca inexperiente de antes. Todos incluindo sua querida protetora que agora arriscava-se na tentativa de acabar com aquele pesadelo que começara numa simples missão para Kyoto.
Se bem que, realmente não havia insistido para acompanha-los na batalha. Mas, como poderia diante da face preocupada de sua Set-chan?! Apesar de ter lutado para se manter o mais impassível possível durante aqueles dias, Konoka via perfeitamente o estado em que estava a alma de sua amada.
O silêncio quase frio daqueles dois dias depois do incidente da sala de banho havia deixado a quase maga sem ação. Poderia muito bem ter tentado animar Setsuna, mas como se ela também estava abalada com tudo aquilo. A imagem de uma Setsuna Sakurazaki fria e destrutiva ainda estava na sua mente. Ora, era lógico que não temia de forma alguma aquela Setsuna que normalmente não se mostrava a ninguém! Mas... ver sua Set-chan chegar até o limite de perder a razão fora algo marcante.
Não suportava a idéia de ver seu anjo se tornar uma máquina de destruição por causa do ódio. Na verdade aquilo a entristecia mais do que tudo naquela situação. O ataque que sofrera de Pee nem se comparava ao medo de que o ódio fizesse sua espadachim tão carinhosa desaparecer. Talvez aquele fosse um medo tolo, mas.... quantos já não haviam tornado-se guerreiros frios e solitários, esquecendo-se de vidas felizes e plenas, por causa do ódio?
Konoka parou no meio do caminho. Uma sensação. A batalha se desenrolava a alguns quilômetros de uma maneira nada boa. Virou-se na direção da praça, estava muito distante, mas era quase como se pudesse ver:
- Negi...
Não, as coisas não estavam boas. Porque nenhum mago chegava até a batalha?! Será que.... não tinham percebido ainda?! Mas como seria possível? Se ela podia perceber tão claramente....
!!!
Konoka sentiu o coração apertar fortemente no peito. Uma dor. Um pressentimento. Não, estava acontecendo. As coisas estavam saindo de controle, ou melhor, sairiam em breve. Por um instante a maga deixou de perceber a realidade e mergulhou em um clarão em sua mente. Caiu de joelhos no chão:
- Puf... puf.... Não... eu não posso deixar...
Realmente esses poderes de vidência despertos e ainda não controlados não eram nada seguros. Mas pelo menos, haviam acabado de fazer a maga perceber o que devia fazer.
Levantou-se. Não saiu do lugar. Apenas esperando.
Aquilo era o suficiente por enquanto.




Corte destruidor de Montanhas!
Setsuna devastou quase toda a parte sul da praça com o golpe devastador. Pee mal conseguira desviar-se, sendo jogada pela força do impacto a mais de três metros:
- Veja só como ela está irritada.... – zombou a ex-shikigami posicionando-se para o ataque. – Assim vai ser ainda mais fácil....Clamor das espadas!!! – berrou lançando um dos ataques que havia desenvolvido sozinha em todo o tempo que existira. Uma corrente de ki brilhante avançou contra Setsuna que esquivou sem tanta dificuldade.
- .... – a guarda-costas tentava não cair no erro de levar-se pelo ódio, apesar de achar aquilo muito difícil. Tentava concentrar-se, esquecer as emoções, emoções essas que haviam se acumulado tanto no seu peito naqueles dias que estava sendo realmente difícil passar por cima delas. Mas tinha que conseguir, era só esperar o momento certo. A vitória estava em suas mãos, não a deixaria escapar novamente.
- Vamos lá “mestra”! Mostre que merece morrer pelas minhas mãos! – provocou Pee com um olhar fanático. – Morra com honra para que eu possa viver sua vida em paz com Ojou-sama!
Realmente estava difícil não se levar pelo ódio naquela batalha:
- ZANGANKEN! – berrou Setsuna avançando numa velocidade incrível contra Pee.
O golpe foi defendido com muita dificuldade pela praticamente-garota. O chão sob seus pés afundou, tamanho o impacto. As duas se encaram longamente naqueles segundos após o ataque:
- Você sabe que Ojou-sama me beijou porque quis, não sabe? – questionou Pee sorrindo, Setsuna nada respondeu, apenas continuou forçando as espadas uma contra a outra fazendo faíscas saírem do contato das lâminas. – Você sabe que ela prefere a mim, não sabe?
A onda de ki que Setsuna lançou foi tão forte que Pee não coinseguiu deter completamente, tendo os braços chamuscados e cortados pelo poder tamanho. A ex-shikigami recuou vários metros para estabilizar-se. Entrementes a shinmei tentava não cair na tentação de esquecer de tudo e destruir de uma vez a shikigami que a fizera tanto mal.
“Eu... não posso agir como ela. Eu sou Setsuna Sakurazaki aqui.”.



ONDA DIMENSIONAL! – berrou Mash lançando um raio roxo contra Negi que ainda se virava na sua direção.
O tempo parece tornar-se lento naquele momento.
Negi concentrou sua barreira com toda a força, mais força do que jamais usara na defesa. Porém, ao mesmo tempo percebeu que não seria o suficiente.
Asuna sentiu um temor do que aquela magia poderia causar ao seu parceiro. Era diferente das outras magias que conseguia reconhecer.
Mash sorriu. Nada o impediria de encontrar o poder que tanto procurava.

A magia simplesmente atravessou as barreiras do professor-mago como se estas não existissem. Não que as tivesse quebrado, simplesmente passado por elas, como se fosse algo inatingível. E não foi apenas as barreiras que a magia sinistra atravessou:
- NEGI!!!
O jovem mago deixou o báculo cair de sua mão ao ter o peito atravessado pela rajada roxa. A magia não o feriu, mas a dor que surgiu quando a magia entrou no seu corpo e ali ficou sou insuportável:
-AAAARGH!!!
Asuna ergueu-se como um raio para ir até o mago, porém antes que chegasse a tocá-lo foi atingida em cheio pelos elementais que recobraram os movimentos. A magia a lançou de cara no chão. O choque pelo corpo a fez perder a noção da realidade por um momento. Quando conseguiu abrir os olhos viu que o garoto estava caído ao seu lado. Os olhos fechados como se tentasse suportar a dor, suas mãos fechadas com toda a força:
- Negi.... – foi tudo o que conseguiu dize ainda fraca.
- Este é sem duvida o meu melhor ataque. – disse Mash mais sério. – Talvez eu o tenha usado cedo demais. O jovem Springfield nem pode mostrar seu potencial.
Asuna apoioi-se na sua espada para erguer-se. Olhou ao redor. Porque os outros magos ainda não haviam chegado? O mago sombrio sorriu parecendo ler os pensamentos da garota:
- É mesmo estranho não é Asuna Kagurazaka. – concordou. – Mas, acho que vocês subestimaram muito a minha capacidade de planejar e preparar disfarces. Um erro fatal contra qualquer adversário, mesmo os mais simples.
            Asuna encarou o mago conseguindo perceber o que ele dizia. O terror tomou conta do seu peito:
            - Você conseguiu chamar apenas a nossa atenção para cá.... e montou uma barreira.... – deduziu de maneira que teria impressionado os professores, inclusive o de matemática que estava se preparando para aposentar e que a ruiva tanto desgostava. – Ninguém mais tem como perceber a sua presença...
            - Exato. Mas, talvez Konoka Konoe seja única que possa perceber o que esta acontecendo, mesmo estando de fora dessa barreira. – acrescentou o mago. – Alias, talvez ela seja realmente a única que ainda possa me impedir de chagar até o meu tesouro.
            O coração e Asuna batia dolorido no peito. A situação era muito pior do que pensara. Porque Negi ou Setsuna não haviam pensando que poderia ser uma ótima armadilha?! Droga! Eram eles os grandes experientes em estratégias e batalhas no grupo! Como puderam errar tão feio?!
            Konoka.... a única que poderia fazer algo?! Mas.... o que a garota poderia fazer tão longe?! E ainda mais sem ter ciência da situação!
            Pelo visto ou o Destino estava se divertindo muito com a cara deles naquele momento, ou armando algo ainda mais inesperado pro desfecho daquela batalha.
“Ai! Mas que coisa mais complicada!”.





- Como..... como você pode tudo isso... – dizia Setsuna mais para si do que para a adversária que a encarava ainda sorrindo.
- Você não merece a felicidade que tem. – disse Pee ficando mais séria. – Eu mereço. Mereço tudo, mereço Konoka.... Ojou-sama.
Setsuna encarou com ódio o rosto igual ao seu. Como queria destruir aquela shikigami que ousava tanto. Era uma raiva quase insuportável. Posicionou-se para mais um ataque devastador. Sabia perfeitamente o que precisava fazer. Aquela era a hora.
Pee percebeu o que viria a seguir. Não conseguiu evitar sorrir novamente. Sim, aquilo seria bem perigoso, mas.... estava sobre controle. Era exatamente o que esperava que acontecesse:
- Pode vir! – desafiou Pee sem esperar um resposta, partindo com tudo para cima de Setsuna que também avançou. As duas rumaram para um confronto direto de espadas. A força do impacto das duas lâminas se tocando destruiu o piso de pedra sob os pés das espadachins. Elas se encararam. Aquele era o momento.
Setsuna soltou uma das mãos de Yuunagi e partiu com esta na direção do pescoço de Pee, na direção do cordão que carregava. O Chikarasei. Arrancaria e tudo estaria acabado. Estaria se Pee já não tivesse soltado também uma das mãos, enfiado e tirado do bolso e encostando-a no braço estendido de Setsuna:
- Previsível demais. Uma pena pra você. – sentenciou Pee com um sorriso singelo.
No instante seguinte uma onda imensa de choque correu o corpo de Setsuna. Uma voltagem tão forte que a arremessou a mais de vinte metros de distancia. Ela berrou tamanha da dor que sentiu. Por um instante chegou e pensar que havia morrido, o mundo escureceu e voltou farias vezes. A shinmei perdeu a noção de tudo até que ouviu a sua voz do alto:
- Eu sabia que faria isso. Mash preparou esta pequena magia-armadilha pra quando você tentasse tirar o Chikarasei. Pena pra você.
Setsuna olhou para o alto encarando Pee que estranhamente não sorria. Por reflexo fez um movimento rápido para se erguer, porém as ondas de choque se intensificaram mortalmente paralisando-a e fazendo gritar novamente em agonia. Tentou insistentemente mais duas vezes se mover, falhando igualmente. Pee curvou-se para falar mais proximamente:
- Isso é o que se chama de armadilha. – sussurrou. – Você está presa. Derrotada.
As palavras da ex-shkigami eram horríveis, porém Setsuna percebeu que era a absoluta verdade. Havia sido derrotada de maneira tola. Havia sido derrotada. Derrotada:
- Mate-me então. – disse encarando os olhos da adversária sem medo. Tudo o que Pee via era amargura. Uma sensação estranha se passou no coração da quase-garota. E não era a euforia que esperava sentir quando vencesse.
- Não. Você vai sentir toda a dor que me fez passar. – disse decidindo o que faria. – Você vai ver que eu sou muito melhor para viver do que você. – e terminando sua frase levantou-se a começou a caminhar, afastando-se.
- Onde você vai? – a voz da guarda-costas saia fraca e entrecortada depôs de tantas ondas de choque e gritar em agonia. Pee olhou-a nos olhos.
- Tomar o que me pertence. – e voltou a caminhar em direção a Mahora.
O coração de Setsuna pesou. Não, isso não podia permitir. Konoka não. Fez todo o esforço do mundo para enfrentar as ondas de choque e se levantar, mas a agonia era insuportável. Não desistiu. Levantou-se apesar da dor, berrando em agonia. Olhou Pee afastando-se, tentou dar um passo, mas os choques tornaram-se ainda mais intensos derrubando-a.
Seu corpo todo tremia, já quase não conseguia respirar. Já não tinha força nos músculos para mais nada. Sentiu sua cabeça bater no chão quando sua forças foram chegando ao nulo. Sua visão escurecendo, os sons morrendo. A dor da derrota amarga na alma, ainda maior do que a dor física. Perdeu a consciência num ultimo pensamento.
“Eu falhei Kono-chan.”.
...
..
.





As cerejeiras já sem folhas eram sopradas pelo vento do inverno. O céu cinzento e frio era perfeito para o que se passava no coração da jovem ali parada, sozinha, a espera de seu Destino. Era inevitável e o pesar estava carregando o coração preparado para perceber muito mais do que os outros corações podiam perceber. Como seria bom se o dom da vidência pudesse lhe contar mais do que meros frashs sem ligação.
Um segundo antes que a outra chegasse ela já sabia o que perguntaria, já sabia também o que faria:
- Konoka Ojou-sama. – disse Pee com um tom de felicidade absoluta. – Estava me esperando? Sabia que eu viria?
Konoka encarou os olhos agora mais reais e ameaçadores do que nunca durante alguns segundos antes e responder:
- Estava. Não avisei a ninguém que viria.
Pee sentiu o coração pular no peito. Sim, ela a esperava. Ela sabia que o Destino as queria juntas. Ela sabia que ela era a melhor Setsuna Sakurazaki que poderia existir:
- Eu.... tenho que te dizer umas coisas Kono.....Kono-chan.
A quase-maga branca engoliu em seco. Mas não perderia a calma naquele momento:
- Sim, nós temos muito a conversar... Pee.

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