quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Lives] 29 - O Amor


“Eu sabia.” pensou Mash Magno enquanto observava Asuna Kagurazaka socorrendo seu parceiro que ainda parecia muito abalado com o golpe que recebera. “Será que ela planejara isso também? Seriam os magos brancos tão astutos assim?” questionava-se o mago. Virou o olhar para ver a figura distante de Setsuna Sakurazaki desacordada, presa pela barreira que ele havia projetado. “Estava tudo dando certo, mas.... ele devia ter previsto aquilo.”.
            Estava tudo planejado para que ele entrasse e saísse de Mahora sem ser detectado pelos magos protetores do lugar. A barreira, os jovens sendo imobilizados, Pee vencendo Setsuna. tudo seria perfeito. Só existia uma possibilidade de aquilo dar errado, uma única possibilidade que havia se tornado a realidade.
            Fato é que a única maneira e quebrar da barreira seria se alguém naquela batalha saísse do campo de ação no meio da luta, sem esperar que o mago tivesse preparado a magia para que a barreira não se desfizesse. Exatamente o que Pee acabara e fazer ao partir atrás da presença da magia de Konoka que parecia parada, sozinha em alguma parte deserta da cidade. Não, não era natural que a maga estivesse tão assim a mercê se.... ela não o estivesse fazendo de propósito. Afinal, esse seria o único engodo que faria Pee esquecer-se da recomendação de não deixar a barreira antes da hora certa. Só assim.... a única maneira.
            - Ponto para você, jovem Konoka Konoe. Não é a toa que seu destino é dirigir a Associação de Magia de Kansai e ser um dos diretores da Associação de Magia e Kanto. – disse o mago a si mesmo num tom de quem acha graça. – Você me impressionou, mas... ainda não acabou.





            Pee encarava Konoka com uma euforia que quase escapava pelos seus poros. Havia vencido. Havia conquistado o direito de existir, o direito de ter a maga para si. Mal conseguia acreditar que estava vivendo aquele momento. O momento pelo qual esperara por toda a sua existência. O momento de se tornar Setsuna Sakurazaki:
            - Finalmente... finalmente... – dizia meio perdida nas palavras, afinal esperara tanto que mal sabia como agir. – Eu... finalmente... posso ser real...
            Konoka apenas observava as reações da ex-shikigami. Tinha que ter muita cautela agora, pois aquele era o momento mais delicado pelo qual teria que passar naquela confusão toda causada pela ex-serva. Teria que ser cautelosa e ao mesmo tempo precisa se quisesse conseguir o que pretendia:
            - Eu... preciso te dizer tanta coisa... Kono-chan. – dizia Pee com a voz meio embargada pela emoção. Caminhou até a maga que ficou mais tensa, mas não demonstrou. A espadachim pelo menos não carregava sua espada, devia ter deixado no meio do caminho, tamanha a sua pressa de encontrar-se com ela.
            Inesperadamente, porém, Konoka se viu abraçada por Pee. Não um abraço como uma armadilha para que ela não fugisse, mas um abraço carinhoso, meio tímido e até frágil. Pee encostou a cabeça no ombro da maga que tremeu ao contato. Podia sentir o sentimento da quase-garota emanando, não algo obsessivo como das outras vezes, era um sentimento diferente. Malditos magos brancos! Por que tem que ser tão sensíveis a essas coisas?! Por que ela estava tremendo à proximidade da ex-shikigami?!
            - Kono-chan... eu... estou tão feliz...
            A respiração de Konoka estava acelerada. Aquilo era verdade, Pee estava feliz. Aquilo fazia doer o coração da maga. Por que as coisas tem que ser difíceis assim?!
            - Não.... me chame de “Kono-chan”.... Pee. – disse com a voz fraca e a quase-garota separou-se um pouco para encara-la.
            - Mas... eu.... você não pode.... – dizia meio sem nexo. Era visível o súbito medo nos olhos da garota.
            - Pee.... eu não posso.... você não entende, isso é errado. Eu... – disse Konoka sem conseguir completar a frase. Não sabia até onde a outra poderia agüentar ouvir sem sair do controle. Apesar da dor no peito, a curandeira não abalou sua expressão. O que devia ser feito, déia ser feito.
            - Não diga isso! – exclamou Pee horrorizada, uma lágrima escorreu pelo rosto dela. Nunca a Konoe havia visto uma expressão tão oposta ao típico sorriso malandro no rosto da shikigami. – Você não pode me dizer isso depois de tudo!
            - Tudo? – repetiu Konoka sem conseguir disfarçar completamente o tom de dó. – Mas Pee.... foi você quem começou isso.... Eu.... nunca disse que queria a mesma coisa... muito pelo contrário, eu...
            - NÃO! – berrou Pee calando a outra que se encolheu ligeiramente, ainda presa nos braços desta. – Não! Eu fiz tudo isso por você! Você não pode me dizer isso agora! Não pode!
            Konoka engoliu em seco:
            - Mas.... eu não pedi nada disso. Eu te disse várias vezes!
            O silêncio caiu sobre elas durante um minuto inteiro. Elas apenas se encararam. As lágrimas escorriam pelo rosto de Pee porque ela podia enxergar a verdade das palavras de Konoka nos seu olhar firme e determinado. Mas de onde vinha aquela determinação? Nunca havia visto ela nos olhos da quase-maga.... seria tudo por causa dela? De Setsuna? Esse pensamento doía ainda mais no peito dela:
            - Pee... eu amo a...
            Mas Konoka não teve como terminar a frase. Pee beijou-a antes disso. O coração da maga disparou com aquele contato, os mesmo lábios de sua Set-chan, mas ao mesmo tempo os lábios de um alguém que quase matara sua Set-chan.
            Pee persistiu naquele contato prendendo Konoka fortemente contra si. Só aquele calor a fazia sentir melhor diante das palavras tão duram da garota. Aqueles lábios que tanto sonhava tocar. Por fim Konoka conseguiu soltar-se daquele beijo,  livrando-se parcialmente dos braços da ex-shikigami:
            - Por que? – perguntou Pee encarando Konoka parecendo mais forte depois daquele beijo forçado. – Por que?!
            - Pee.... eu.... – tentou argumentar a quase-maga, mas sendo novamente abraçada não conseguiu terminar sua frase.
            - Não vê que fiz tudo isso por você?! Não vê que eu só quero existir por sua causa?! – questionou Pee com o rosto colado no de Konoka. – Não vê que eu te amo?! Não vê?!
            Konoka ficou sem palavras. Era difícil demais. Não tinha como vencer aquilo. Naquele momento duvidou se conseguiria terminar aquilo.
            “Eu.... não posso fazer isso.”.




            - Negi, tem certeza que dá pra continuar?! – questionou Asuna aflita ajudando o mago a se levantar. O garoto apoiou-se no ombro da garota quase caindo e ela aparou-o a tempo. Os rostos dos dois ficaram próximos quando ela ajudou a se firmar. O coração da jovem pulou diferente no peito.
            - Asuna, nós temos que resistir até que os outros cheguem... – argumentou Negi com a voz fraca, ainda sentia uma dor incomodante no peito e por todo o corpo.
            - Mas... – a ruiva não teve como dizer que a ajuda provavelmente não chegaria ao mago tão debilitado.
            Negi firmou-se nas pernas e encarou Mash:
            - Você não vai conseguir o que deseja Sr. Magno! Desista!
            Mash surpreendeu com a resistência que o menino tinha. Era impressionante. Nunca alguém que recebesse seu golpe em cheio havia resistido tanto. Era mesmo o filho do Thousand Master:
            Num movimento rápido Negi acumulou uma estranha magia laranja na ponta dos dedos da mão livre. Mash preparou-se para uma defesa quando o mago lançou o poder, mas este desviou e foi na direção de Setsuna, destruindo a armadilha que a prendia. Setsuna despertou como se tivesse recebido energia do mago por aquela magia.
            - Mas..... incrível....  – surpreendeu-se Mash. O garoto tinha mais cartas na manga do que ele pensara. – Magia de fortalecimento e magia de destruição de barreiras... muito bom mesmo.
            - N-Negi –sensei.... – Setsuna levantou-se ainda muito enfraquecida, apoiando-se em Yuunagi.
            - Setsuna... Pee escapou. Você não deve deixar que ela faça algum mal a Konoka. Pode deixar que agente cuida das coisas por aqui. – disse o garoto fazendo uma careta pela dor no peito que parecia querer aumentar.
            - Negi... – disse Asuna impressionada com o parceiro.
            - ..... Negi-sensei.... – Setsuna encarou os olhos de Negi, mesmo que distante, os dois pareceram poder entender os sentimentos um do outro naquele olhar (“Ei Asuna! Nada de ciúmes agora! Mas que droga...” censurou-se a ruiva ao sentir uma pontada de raiva ndo aquele olhar). Ambos sorriram de maneira determinada. – Obrigada Negi-sensei.
            Setsuna partiu na direção da alameda das cerejeiras e Mash nada fez para impedir. Estava estarrecido, aqueles jovens eram muito mais impressionantes do que quaisquer outros que já vira. Era fantástico, não conseguia de achar fascinante observa-los. Era o seu fraco por coisas interessantes agindo:
            - Agora acho q é hora agente botar pra quebrar, né Negi? – perguntou Asuna com um sorriso renovado. O garoto sentiu o coração aliviar-se diante daquele sorriso (“Que estranho....” pensou). Sorriu de volta.
            - É isso mesmo Asuna. É hora!






            - Pee.... eu.... eu...
            Konoka estava ali, presa pelo abraço e pelo amor sincero de Setsuna-P. Estava atordoada, confusa. Questionando-se o porquê de a vida ter lhe metido numa armadilha dessas. Como era difícil fazer a coisa certa:
            - Por favor.... – começou Pee com a voz cortada. – Apenas.... me ame.... é tudo o que eu preciso... é tudo o que eu quero...
            As palavras da ex-shikigami pesavam toneladas no coração de Konoka. Mas que triste.... a vida era mesmo algo muito torto e maluco, tinha que concordar com essas geniais palavras de Asuna,não tinham outras que expressasem melhor o que ela sentia naquele momento.
            Mas.... o que devia ser feito.... devia ser feito:
            - Eu.... não posso.
            - O que?! – Pee tirou o rosto do da maga encarando-a com um terror expresso. – O que está dizendo!?!
            - Eu não posso te amar Pee.
            - Não diga isso! Não diga! Por favor! – implorou a quase-garota desesperada. Como uma shikigami que parecia tão fria poderia ter se tornado de repente tão frágil?
            - Não posso.  -  repetia Konoka coma voz imparcial. Como aquilo lhe custava, mas era o certo. Era a única alternativa, não havia como ser diferente. – Eu amo a Set-chan.... eu não posso amar mais ninguém que não seja ela... mesmo que seja você.
            Pee encarou os olhos determinados da curandeira sentindo uma dor horrível. Como doía. Era pior que qualquer outra dor que experimentara na sua curta vida até ali. Baixou os olhos sentindo as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, sentido aquela dor que parecia não ter fim:
            - Não........ não..........
            - Eu.... sinto muito Pee. – disse Konoka sendo sincera. Sentia-se muito mal pela shikigami, pelo que passara, pelo destino que tinha. Era um remorso do qual provavelmente nunca se livraria.
            - Isso.... dói tanto.... dói tanto...
            - Só existe um meio de fazer isso parar. E você sabe disso Pee. – disse Konoka com a dor expressa na face. A quase-garota encarou-a.
            - Faça isso parar.... dói demais... – pediu ofegando. – Faça parar... só você pode... porque.... foi você que fez ela surgir...
            Konoka engoliu em seco e uma lágrima caiu de seus olhos. Sim ela faria parar:
            - Eu.... – disse segurando o cordão do Chikarasei firmemente. – Sinto muito.... mesmo.... por favor..... me perdoe. – e arrancou-o.






            Setsuna rumou o mais rápido que pode para o lugar e onde sentia vir o poder de Konoka. Era estranho como podia sentir um aperto no peito que parecia não ter nada haver com o medo que sentia pela segurança da “quase-alguma-coisa”.
            Ao pousar na alameda das cerejeiras pode ver Konoka, parada sozinha mais a frente. O rosto pálido, parecia fraca. Na mão um amuleto pendendo: o Chikarasei. Aproximou-se de frente para a quase-maga que pareceu incapaz de vê-la até que chegou mais perto:
            - Kono-chan? – chamou Setsuna ainda com medo pela expressão tão desolada da amada. Demorou alguns segundos para que Konoka erguesse os olhos e a encarasse.
            - Set-chan.... – disse parecendo não sabe o que dizer realmente. Parecia confusa.
            - Esta terminado não é? – perguntou a espadachim observando o amuleto pendendo na mão da garota.
            - É....  – concordou Konoka sem parar de encarar os olhos de sua protetora. Aqueles sim eram os olhos dela.
            - Kono-chan.... sinto muito ter te feito passar por tudo isso.... eu....
            Mas Setsuna foi silenciada por uma abraço quase desesperado da curandeira. A shinmei pode sentir o quanto a outra estava desamparada. Abraçou-a fortemente:
            - Eu..... sinto muito... – repetiu. Sentia-se culpada demais por tudo aquilo. – Eu.... não queria que isso acontecesse...
            - Set-chan.....
            As duas permaneceram em silencio por um momento, sentindo apenas a presença uma da outra. Como era confortante aquela sensação de estarem tão perto. Konoka deixou a cabeça cair no ombro da protetora. Era bom demais aquele contato de pois de tudo aquilo. Setsuna abraçou-a ainda mais. Não a soltaria nunca mais. Não queria mais solta-la. Nunca mais sairia de perto dela, era tudo o que sabia naquele momento. Era tudo o que importava na vida:
            - Eu te amo Set-chan. – disse Konoka ainda com a voz cortada. Setsuna não conseguiu deter uma lágrima ao ouvir aquilo.
            - Eu..... eu também te amo Kono-chan.... você é..... tudo pra mim.... a minha vida.
            Porque estava dizendo tudo aquilo Setsuna não sabia, mas sentia que precisava dizer aquelas palavras pra sobreviver. Parecia mais vital que o ar. Sem pensar em mais nada, a espadachim levantou a cabeça e Konoka e beijou-a. Como nunca antes, parecia até que era a primeira vez que provava os lábios da maga. Perdeu-se naquele carinho sem pensar em mais nada. As duas se perderam na verdade. Haviam finalmente despertado daquele terrível pesadelo.
            Separaram-se depois de um tempo que não saberiam dizer quanto foi. Olharam-se, parecia que nada havia acontecido afinal, elas estavam juntas, sorrindo, nada mais importava depois disso.
            Sim, tudo o que existia no mundo naquele momento era o amor de ambas.
            Amor que fazia Konoka sonhar com uma vida diferente da que as pessoas viam para ela. Uma vida mais feliz, mais verdadeira.
            Amor que fazia Setsuna entender que só existia por causa de Konoka. Para ama-la. Era tudo o que importava. Porque o que sentia era único.
            “Eu amo essa garota.” foi o que ambas pensaram.

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