terça-feira, 3 de agosto de 2010

[Love Hina Return] 02 - O Último Desafio Hinata

Em plena Sibéria, nos mais distantes e gélidos confins do mundo, duas mulheres conversavam de mestra para discípula em um templo abandonado em ruínas
- Mestra. – começou a mais nova. – Sinto que estou pronta para ser a líder de nosso estilo secreto... Estou pronta para ser mestra do estilo Urashima. – afirmou a jovem decidida, mas sua mestra não parecia concordar com sua opinião.
-  Não, Kanako. Você não esta pronta. – afirmou seria a anciã.
- M-mas....vovó! Digo, mestra. Eu já domino perfeitamente  todas as técnicas que existem no estilo Urashima, o que falta? - questionou a neta.
-  Sua técnica realmente é perfeita, eu concordo. – disse a atual mestra do estilo Urashima. – Mas, existe algo tão importante quanto a técnica e que é essencial saber se quiser ser uma mestra. E devo dizer que é algo o qual você não domina e nem conhece, Kanako.
- O que é mestra? – perguntou a discípula surpresa e ansiosa, sua mestra sempre tentara desviar a conversa quando ela perguntava se havia algo a mais no estilo Urashima que o fazia tão poderoso.
- Eu não posso dizer o que é Kanako, por que simplesmente é impossível de se dizer. Você deve descobrir por si mesma, pois este é o segredo que torna um guerreiro um verdadeiro mestre. – afirmou Hinata Urashima.
-  Como posso descobrir esse segredo mestra?
-  Só existe um caminho, minha neta.
-  Qual? – perguntou Kanako Urashima ciente de que estaria pronta para qualquer desafio.
-  Tornando-se novamente gerente da Pensão Hinata. – disse a mestra do estilo Urashima de jiu-jitsu.
Durante alguns segundos Kanako não teve palavras para expressar-se. De qualquer coisa no mundo, a única que ela não esperava ouvir fora exatamente o que sua mestra acabara de lhe dizer:
-  Voltar...à Pensão Hinata... ?



O vento da tarde sacudia levemente as arvores que ladeavam a frente da Pensão Hinata. Apesar de estar no coração de Tókio, aquele lugar parecia carregar algo de antigo, secular. Pelo menos era isso que Hiro Watanabe sentia enquanto limpava o pátio com uma quase rústica vassoura de madeira. Já fazia duas semanas que ele começara a trabalhar na Casa de Chá Hinata e a cada dia ele via com mais admiração aquele lugar. Tudo ali parecia formar um conjunto perfeito, da paisagem agradável às moradoras divertidas daquela pensão.
Apesar de passar a maior parte do tempo trabalhando, Hiro já conseguira descobrir um pouco sobre as garotas dali. Ele conversava mais com Shinobu, pois sempre que possível a ajudava nos afazeres domésticos, ele achava injusto uma futura advogada ter que lavar roupas e fazer comida como uma empregada. Todas as garotas da Pensão eram especiais, ele deduziu logo, cada uma com suas características próprias, mas gostava bastante de falar com Motoko, nunca pensara conhecer uma mulher tão bonita e que fosse escritora e espadachim ao mesmo tempo.
Ao terminar de juntar as folhas, Hiro voltou-se para a pensão: “realmente, agora me lembro que esta pensão pertencia a avó da Kanako” pensou, lembrando que essa fora uma das únicas coisas que conseguira descobrir da introspectiva Kanako Urashima durante anos  em que estudaram na mesma serie na escola primária. Ela era a aluna mais quieta da escola, sem amigos e com boas notas, o que despertava muitos comentários maldosos dos colegas. Hiro sentia um frio no estômago só de pensar que a veria novamente, depois de tantos anos, a única garota pela qual...
- OIEW HIRO!!!!!! – gritou Kaolla Su pulando os últimos degraus da escadaria, tacando um pesado livro de direito na nuca do jovem cujos olhos quase saltaram – TÁ LIMPANDO É?!?
- B-boa tarde Kaolla. – respondeu ele sentado no chão, massageando a nuca. – Ah...olá Motoko-san, Shinobu-chan. – completou ao ver as duas mulheres que vinham logo atrás. Shinobu corou levemente ao ouvir o tratamento de Hiro, ainda não esquecera completamente o incidente no banho.
- Ora, Kaolla. Já está maltratando o Hiro enquanto ele trabalha... – comentou a jovem mestra do estilo shinmei sorrindo. – Você está bem Hiro?
- Sim, estou. – respondeu ele já pondo-se em pé, catando a vassoura. – Como foi o dia? – perguntou ele em resposta e os dois começaram a conversar animadamente.
- E aí!!! – cumprimentou Sarah que vinha saindo da pensão com Mei – Que bom que já chegaram! – comentou alegre.
- É...afinal, que faria a comida? – completou Mei também animada.
- Ora, vocês só me querem por aqui por causa da comida!? – perguntou Shinobu ofendida e as duas garotas se entreolharam sorrindo.
- Claro!!! – disseram em coro.
- Ué? O  irmão do Hiro não veio hoje? – perguntou Kaolla animada.
- Veio. – respondeu Mei com tom de desaprovação. – Ele tá lá dentro estudando inglês com a Ema. – explicou ela parecendo conter a irritação.
- Sério? Então eu vou lá! – disse a morena feliz. – Quem sabe ele aceite testar minhas armas hoje...
- Por que você nunca prestou Toudai, Hiro? – perguntou Motoko curiosa ao jovem.
- Ah, não sei se tem algum curso que eu queira fazer... – tentou explicar ele, na verdade nunca tinha parado para pensar seriamente sobre fazer o vestibular.
- Ei! – disse Kaolla de repente, parando a caminho da entrada, voltando e dirigindo-se a Hiro. – Você não quer ver umas coisas interessantes lá no meu quarto, Hiro? – propôs ela com um tom malicioso, parecia até outra pessoa.
- HEIM?!? – exclamou ele surpreso, mas Shinobu cortou rapidamente a conversa.
- Ei Kaolla, não se esqueça de que temos um trabalho pra entregar amanhã.
- Ah, tá bom. – assentiu a morena. Ela se aproximou de Hiro, que corou, e disse baixinho ao seu ouvido. – Outro dia eu te mostro viu? – e foi com Shinobu.
- Não liga não. Provavelmente ela quer testar as armas mortais dela em você, é uma armadilha. – disse Motoko ao jovem que estava abobalhado.
- Ah...então é isso... – disse ele sentindo-se aliviado.
“Er...todas essas garotas são especiais...”.



No aeroporto, uma mulher chegava de um vôo internacional naquela tarde. Enquanto os outros passageiros logo encontravam parentes e amigos que os tinham vindo recepcionar, a jovem botou as malas em um carrinho e saiu empurrando pelo lugar sem olhar para os lados. Ao sair o sol refletiu nos seus óculos escuros e uma delicada gata preta miou dentro de dentro de uma cestinha que estava aninhada sobre as outras malas:
- É Kuro. Também acho estranho estar de volta ao Japão. – disse a jovem ao animal. – Nem acredito que vamos ter que voltar para aquela pensão de malucos. – continuou indo até um ponto de táxi.
“Às vezes não entendo a vovó, ou melhor: sempre.”.



Takato e Ema estavam a sós no quarto da garota. Estavam mergulhados em livros de Historia:
- Ah...Takato? Vê se isto está certo. – pediu ela passando uma pequena folha onde escrevera um resumo de cabeça.
- “Dexa” eu ver... – disse ele pasando os olhos pelo papel enquanto ajeitava distraidamente os cabelos. – Bem, parece que esta tudo OK só que... tudo isso aconteceu no século XV e não no XVIII... – disse ele com um sorriso sem jeito.
- Ah é? Puxa eu nunca....
“O QUE ESTÃO FAZENDO AÍ?!?!”.
A porta se escancarou e Sarah entrou pulando na direção dos dois seguida por Mei. O barulho surpreendeu o garoto que acabou caindo para o lado:
- Ah... -  disse Ema quando viu que Takato caíra com a cara em seu busto.
- Seu aproveitador! – exclamou Sarah dando uma voadora no jovem.
- URGH! – foi a única coisa que conseguiu expressar ou ser arremessado até o outro lado do aposento.
- He he. Eu saio um minuto e vocês já estavam fazendo coisas obscuras, não é?! – insinuou a loira com um sorrisinho  para a outra que engasgou.
- Q-quê!? N-não foi n-nada disso! – exclamou Ema nervosa. – Nós só estávamos estudando! – replicou apontando para os livros.
- Sei... – ironizou Sarah.
- Ai, ai...puxa Sarah, você realmente é tão forte quanto bonita, viu... – comentou Takato desajeitado massageando a cabeça.
- Er... – disse a garota que ficou abobada ao ouvir com o inesperado elogio.
- ... – Mei não estava gostando daquela conversa e decidiu terminá-la. – Ei, a Shinobu preparou um “rango” e perguntou se agente não queria. – disse ela sem expressão alguma.
- Ah é! – exclamou Sarah. – Por isso nós aparecemos aqui: pra chamar vocês dois pra comer!
- Que bom! Eu estou mesmo com fome! – disse Takato feliz já saindo do quarto animado em direção do refeitório enquanto colocava os cabelos no lugar.
“Garoto estranho esse...”, pensou Sarah ainda desconcertada. Ema e Mei ficaram apenas reticentes(*gota*).



Mecha Tamago Ninty-nine estava a postos no topo da escadaria que levava à Pensão Hinata depois do incidente com Hiro, Motoko obrigara Kaolla, muito contrariada, a diminuir o estado de alerta do robô pela metade para evitar que um simples passante fosse também atirado pelos ares. Agora, ao invés de capturar, o mecha primeiro ordena à pessoa se identificar (apontando um canhão laser e suas garras ameaçadoras).
O robô encontrava-se completamente estático, a espera. De repente seus sensores apitaram e ele se voltou para a escadaria. Detectara duas presenças subindo os degraus sem pressa (era uma presença maior e uma menor).
“INDENTIFIQUE-SE.”, ordenou o mecha com sua voz enlatada apontando o canhão para a presença que devia ser humana e as garras para o objeto que voava:
- Hu... O que pretende fazer, abridor de latas? – riu-se a pessoa.
“...RESPOSTA NÃO IDENTIFICADA”, disse o mecha ainda parado apontando suas armas.
- Veja que ridículo o novo recepcionista da Pensão Hinata, Kuro. – disse a voz feminina à outra presença.
- Miau.
“PARE!”, mandou o robô preparando-se para atacar as presenças ao perceber que recomeçaram a  subir a escadaria.
- Hu...máquina idiota. Você só pode ser obra daquela biruta da Su. – comentou a garota continuando a caminhar em direção a Pensão.
“INSOLENTE! NÃO OFENDA A MESTRA!”, disse  Mecha Tamago Ninty-nine. “PROCEDIMENTO: ANIQUILAÇÃO TOTAL”:
- ...Essa eu quero ver...



- Shinomu, Focê cozinhah muifto fbem! – exclamou Kaolla com a boca cheia.
- É. Tá demais Shinobu! – concordou Sarah.
- Hum... – comentou Mei simplesmente.
- È. Devo admitir que jamais provei comida igualmente magnífica. – elogiou Takato servindo-se pela terceira vez. Todas pararam de comer espantadas e olharam para ele. Alguns segundos de silêncio.
- Dexa de bancar o gostosão!!! – exclamaram Mei e Sarah dando socos no garoto.
- He. Fico feliz que tenha gostado Takato. – disse Shinobu que não comia. Shinobu ficou observando um instante Takato se recompor do ataque das garotas, sorrindo. – Ah...eu só queria fazer uma pergunta, não me entenda mal Takato. – todos se calaram e esperaram a pergunta. – Afinal meninas, por que vocês trazem o Takato todo o dia para a Pensão? Vocês ficam escondidas com ele tanto tempo no quarto.... – perguntou com um sorrisinho malicioso.
- O que você está insinuando!?!?!?! – exclamou Sarah voando no pescoço da outra.
- Ah...Shinobu...na-na verdade não é nada disso... – gaguejou Ema desconcertada.
- Hunf...por mim esse garoto nunca tinha posto os pés aqui. – disse Mei. “Ah...” disse Takato. “Ela te odeia, não?” perguntou Kaolla rindo-se.
- É que isso soa meio golpe do baú, sabem... – riu-se Shinobu afastando-se da furiosa Sarah.
- Q-QUÊ!? – exclamaram Sarah e Mei juntas.
- Nya há há! Golpe do caixão! – acusou Kaolla.
- Ah...na verdade... – começou Takato e todas pararam e olharam. – A Sarah e a Ema só estão sendo legais comigo porque eu disse que não tinha amigos. – explicou. Ema e Sarah pensaram “É?”.
- Claro, sendo um nerd... – comentou Mei baixo, mas ainda audivelmente.
- Ah ta... – disse Shinobu com tom de “finjo que acredito”. – Mas ainda acho suspeito...
Sarah abriu a boca para retrucar, mas...
CRASH!!!!
Com um som altíssimo Mecha Tamago Ninty-nine entrou voando pela janela indo chocar-se na mesa que partiu lançando o lanche por todos os lados, pegando todos de surpresa:
- Heim? De novo? – Exclamou Shinobu pulando para longe assim como todos, menos Kaolla.
- Mecha Tamago, o que pensa q...  O QUE HOUVE?? – exclamou ela assustada.
Todos olharam novamente e viram que o mecha estava totalmente avariado. Havia partes partidas, grandes amassados em sua lataria de titânio e suas garras haviam sido arrancadas. Com dificuldade o robô se virou no chão em direção a sua mestra.
“M....MESTRA....ELA É PODEROSA....EU....” disse com sua voz metálica falhando.
- Ma-mas... – tentou dizer Kaolla, ela parecia profundamente perturbada com o estado do mecha.
“P....PERDÃO.....MESTRA...” ele pediu antes de desativar-se completamente.
Durante alguns segundos os presentes voltaram-se para a cientista sem dizer nada. Esperaram alguma reação desta que parecia ter petrificado ao ver seu invento destruído. O silencio foi completo até que....
- NÃO HAVERA PIEDADE!!!!! – berrou Kaolla empunhando um imenso canhão laser de aspecto mortal. – NINGUEM DESTROI MEUS SERVOS!!!!!
- CERTO!!!! – concordou Sarah já  com um capacete cheio de sensores e duas pistolas desintegradoras.
- VINGANÇA!!! – exclamou a morena com fogo surgindo às suas costas. As duas partiram pela janela destroçada atrás do culpado com um tom teatral.
- Ei! Esperem! – exclamou Shinobu surpresa com a reação súbita.
- Ah... – disse Takato pasmo.
- É, eu sei. – disse Meei a ele. – Eu também não entendo de onde vem as armas e os efeitos. Deve ser coisa de mangá...
- Hei! Vamos segui-las! – disse Shinobu decidida e os três partiram pela parede destroçada.
Eles chegaram na frente da pensão onde os destroços do mecha se espalhavam pelo chão. Kaolla e Sarah olhavam para todos os lados em busca do criminoso.
- O que está acontecendo aqui? Ouvi uma barulheira lá dos fundos. – perguntou Motoko chegando até o local. Aparentemente estava treinado, pois trajava sua roupa típica de kendô e segurava uma espada de bambu nos ombros.
 - Motoko! – exclamou Kaolla ao ver a espadachim. – Alguém detonou o Mecha Tamago Ninty-nine!!!! – contou ela nervosa.
 - O que? – disse Motoko apertando ligeiramente os olhos. – Então com certeza é alguém fora dos padrões...aquele robô tinha uma couraça quase indestrutível.... – sentenciou ela, séria.
 - QUEM ESTÁ AÍ!? – perguntou Sarah apontando suas pistolas para a arvore ao perceber com seus sensores que havia alguém ali.
 - Hei, sou eu! – disse Kitsune aparecendo de detrás da árvore com as mãos levantadas.
 - Kitsune? – surpreendeu-se Shinobu.
 - Pois é. Eu vi quando o robô da Kaolla voou em direção à Pensão. Fiquei assustada e decidi me esconder, vai saber que doido tá por aqui... – explicou-se Kitsune que parecia confusa.
 - E você não viu quem era? – perguntou Kaolla ansiosa.
 - Não deu pra ver. Foi tufo muito rápido. – respondeu e mulher de olhos de raposa. Nesse instante eles ouviram alguém se aproximar.
 - Ei gente! O que tá acontecendo? – era Hiro subindo pela a escadaria da Pensão. – A Kitsune me mandou aqui pra saber que barulheira toda foi a...
 Ele congelou ao ver Kitsune a sua frente. As garotas também perceberam a estranheza:
 - Ki-Kitsune? – gaguejou Hiro, pasmo.
 - IMPOSTORA!!! – berrou Kaolla levantando o canhão para mirar em Kitsune.
 - Hu... é tarde. – disse Kitsune num tom completamente diferente do seu.
 Inesperadamente as armas de Kaolla e Sarah voaram para longe delas, e isso apenas com um erguer de dedos de Kitsune. Takato reparou que na verdade haviam sido cordas quase invisíveis que puxaram as armas:
 - Ah! Como...? – exclamou Kaolla.
 - Vocês já eram... – disse Kitsune puxando duas pontas de corda que ninguém vira. No instante seguinte Kaolla, Sarah e Shinobu foram parar completamente amarradas no ar.
 - S-sua... – disse Sarah.
 - AIEE!!! – berrou Shinobu tentando impedir sua saia de subir completamente.
 - Heim!? – exclamou Hiro.
 - Espere! Você é... – começou Sarah.
 - Sim! Eu sei quem você é!!! – disse Motoko que estranhamente sorriu ao desembainhar a espada. – Você não muda mesmo...
 - ... e nem você Aoyama. – disse a falsa Kitsune. – Olha a tartaruga. – e jogou uma tartaruga de brinquedo na espadachim.
 - ARGH! – exclamou ao ver o animal, sem reparar que era um brinquedo. O bichinho a garrou o broco dela e ali ficou. – SOCORRO!!!! – berrou Motoko sacudindo o braço freneticamente.
 - Motoko! – exclamou Kaolla ainda presa.
 - Unff... – a mestra desmaia desabando completamente.
 - Q-quê?! – exclamou Hiro impressionado com o efeito de uma simples tartaruga sobre a mulher.
 - Hu...vocês não mudam. Sempre causando alvoroço. – disse a falsa Kitsune que puxava a própria pele como se fosse borracha, arrancando-a.
 - Ah! – disseram Takato e Hiro surpresos com a imagem de Kitsune arrancando a própria pele e as roupas da casa de chá.
 - Kanako!!! – exclamaram as garotas ao verem Kanako Urashima sorrindo levemente para elas.
            - O...o que? – perguntou Hiro baixo, de olhos arregalados ao ver a mulher a sua frente. – É...é...é ela...
 - Ora Kanako! Não fomos nós que fizemos escândalo dessa vez! Disse Sarah com o rosto vermelho por ainda estar dependurada.
 - Na verdade, todas fizeram escândalo... – comentou Mei para Ema que assistia tudo calada.
 - ...Quem mandou colocar aquele robô idiota na entrada? – disse Kanako sem emoção.
 - Tamago Ninty-nine... – chorou-se Kaolla.
 - Ei! Dá pra tirar agente daqui!? – pediu Shinobu aflita, mas Kanako parecia nem ouvir.
 - Bom trabalho Kuro. – disse ela a gata que chegara voando graciosamente à cena.” A gata...?” começou a perguntar Takato abismado . “Pois é. Tem até tartaruga que voa, mas atualmente ela esta viajando pelo exterior”, respondeu Mei. “Tartaruga?!”.
           


 - Então, Kana. O que veio fazer por aqui? – perguntou Kaolla.
 Todos estavam novamente na sala de estar da Pensão Hinata. Dessa vez Kanako que era o centro das atenções.
 - Pois é Kanako, afinal o Keitarô ainda está fora do país a trabalho. – disse a verdadeira Kitsune.
 - Ah... – começou Kanako procurando as palavras. – Eu vim para dar uma olhada em como anda o patrimônio da nossa família. Preciso evitar que vocês destruam este lugar.
 - Heim? – perguntou Sarah estranhando a resposta.
 - ... – expressou Motoko e Kanako respondeu também reticente.
 Hiro observava calado. Estava ainda em choque. Era a primeira vez que via a garota que amara durante a infância. Ela agora era uma mulher, apesar de suas principais características continuarem as mesmas. O nervosismo que ele sentia era sinal de que as coisas não haviam mudado tanto assim.
 - ... – de repente Kanako fintou Hiro, que sentiu o coração dar um salto, e Takato. Por um instante ela fixou o olhar em hiro como se estivesse tentando lembrar-se de onde vira aquele rosto. “Será que ela se lembra?” perguntou-se ele em pensamento ficando ainda mais nervoso. – Mas quem são esses aí? – perguntou ela as garotas e Hiro quase caiu no chão (*gota*).
 - Ah... – disse Takato antes que alguma das garotas falasse. – Meu nome é Takato Watanabe, sou colega de classe de Sarah e Ema. E aquele é meu irmão: Hiro Watanabe, ele trabalha na casa de chá com a Kitsune. Ah...muito prazer em conhece-la! – completou ele sem se intimidar com a falta de expressão de Kanako.
 - ... Certo. – respondeu ela simplesmente. – E meu quarto? Ele está arrumado? – perguntou ela olhando para as garotas.
 - Sim! – respondeu Shinobu animada. – Eu o arrumei desde que a vovó mandou aquele fax falando que você viria. Tenho limpado ele todos os dias desde então.
 - Hu...Voce é a única pessoa mais normal desse lugar. – disse Kanako levantando-se e indo em direção à escada que levava ao andar superior. Voltando-se para as garotas.
 - Su, McDowell: tragam minhas bagagens, elas estão lá no final da escadaria...Ah! o taxista ainda está esperando o pagamento. Vamos Kuro. – e subiu com a gata nos braços.
 - Sim, Kana! – exclamou Kaolla com a mão na testa em sentido. “Ue? Já esqueceu do mecha?” perguntou Mei incrédula.
 - Hunf...essa folgada. Reclamou Sarah que voltou-se para Takato. – Ei, vamos! Você vai carregar as malas. – ordenou.
 - E-eu?
 - Aquela Urashima... – comentou Motoko baixinho já se retirando para voltar ao treino.
 - Bom, agora que a confusão acabou, vamos voltar a casa de chá, Hiro. – disse Kitsune se levantando.
 - Quê? Ah...certo.
 Hiro rumou junto com Kitsune para a casa de chá. Porém ele não conseguia pensar direito no que acontecia ao seu redor. Dentro de si ele carregava um buraco recém aberto a fogo.
 “A Kanako nem se lembra de quem eu sou”.

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