terça-feira, 3 de agosto de 2010

[Love Hina Return] 03 - Discípulo Urashima, discípulo Shinmei

Era tarde de domingo e o bairro Hinata transpirava paz e isso incluía a Casa de chá e a própria Pensão Hinata:
- Está calmo demais... – comentou Motoko Aoyama com Shinobu Maehara que varria a frente da Pensão. – O que será que o quarteto esta fazendo? A Kaolla também sumiu...
- É estranho mesmo, normalmente eles ficam fazendo algazarra o tempo todo. – concordou Shinobu. – Fico até com medo de estarem aprontando coisas piores...
- Eu também. – afirmou a espadachim que estava sentada sob uma árvore, escrevendo um de seus romances.
Enquanto isso, na casa de chá, Hiro terminava de arrumar os fundos do estabelecimento. Como era domingo e loja fecharia mais cedo:
- Hum...acho que já terminei. – disse o jovem dando uma olhada ao redor. De repente Kitsune apareceu com seu costumeiro sorrisinho de raposa.
- Bom trabalho Hiro, se tivesse mais dinheiro eu devia te pagar mais. – disse ela e Hiro riu. – Bem, eu já vou subir tá quase na hora da corrida de cavalos. – comentou e o jovem pensou que talvez ela tivesse mais dinheiro se não jogasse nos cavalos. – Quando esvaziar você fecha a loja pra mim Hiro?
- Ah, claro. – confirmou, ele com o tom animado de sempre.
- Beleza! Valeu Hiro. – disse ela já se virando para ir, mas parou e olhou para o jovem com um sorriso estranho. – Depois se quiser...pode vir ouvir a corrida comigo... – convidou ela com um total ar de segundas intenções. – sei que você é um pobretão como eu, mas pelo menos é bonitinho, e tão bonzinho...
- HEIM!? – exclamou ele completamente desconcertado. – V-você já começou a beber Kitsune?
- Hi hi... você é muito certinho, sabia? – comentou, ela rindo-se. – Bom, pense no que eu disse, heim..vou estar lá em cima se mudar de idéia. – e saiu do aposento.
Hiro ficou alguns segundos digerindo o que acabara de ouvir. “Essa Kitsune...” pensou ele, ainda desconcertado. “Bom, tenho que ir fechar a loja” e entrou no estabelecimento para esperar os últimos clientes saírem.
O jovem sentiu o coração dar um salto quando viu quem era o ultimo cliente da casa de chá: ninguém menos que Kanako Urashima. Ela terminava calmamente seu chá parecendo imersa em pensamentos, sua única companhia era sua gata que dormia tranquilamente sobre a mesa. Sem dizer nada, Hiro foi até a porta do estabelecimento e virou a plaquetinha desta para “Fechado”. Kanako terminou seu chá e olhou para o jovem que limpava as mesas que pareciam já ter sido limpas:
- Agora lembrei de você. – disse ela e Hiro quase deu um salto com o susto, mas voltou-se para ela. – Tinha mesmo a impressão de que já tinha visto você antes.
- V-verdade? – perguntou ele nervoso. Não entendia como uma garota tão quieta e aparentemente frágil podia ter tanta presença ao falar.
- Sim. Você era um moleque que vivia me enchendo na escola, não? Lembro-me perfeitamente agora: você não largava do meu pé nunca, um chiclete mesmo... – disse ela sem expressar qualquer emoção. Hiro não teve reação: “Era isso que ela achava de mim???”.
- Ah...
- Bom, eu já terminei meu chá. – disse Kanako se levantando. – Vamos Kuro. – falou à gata que se espreguiçou e acompanhou a dona. A mulher saiu do estabelecimento sem dizer mais nada, deixando um Hiro completamente atordoado sozinho.
Do lado de fora, Kanako caminhou calmamente de volta à Pensão ainda lembrando-se de Hiro. ”Sim, ele era mesmo um saco” pensou sem emoção. “Mas, também era o único que não ria de mim pelos cantos ou me apelidava de esquisita-adotada” lembrou-se em seguida olhando para a distante casa de chá.
Realmente era algo que não se podia ignorar.



O silêncio ecoava pelos corredores da Pensão Hinata. Algum desavisado poderia até pensar que se tratava de um silencio inspirador, mas qualquer outro que conhecesse o lugar logo perceberia: havia algo de errado naquele silêncio todo.
Takato Watanabe, impecável como sempre na aparência, estava encolhido atrás de uma mesinha no refeitório da ex-hospedaria. Havia suor escorrendo pela sua face e ele apurava todos os seus sentidos esperando que o ataque fatal viesse a qualquer momento.
Na sala de estar da Pensão, Mei e Ema esperavam que algo acontecesse:
- Será que ele sobrevive? – perguntou ema com visível preocupação. Mei encolheu os ombros.
- Espero que não. – disse sem expressão com algo que pareceu esperança na voz.
Andando de maneira mais silenciosa possível, Kaolla e Sarah atravessavam o corredor que cruzava quase todos os setores da Pensão. Ambas carregavam armas de aspecto mortal. Elas caminhavam lentamente checando cada aposento que encontravam no caminho. De repente o estranho rastreador que Sarah carregava junto aos olhos apitou e apareceram dados no pequeno visor do aparelho. Sarah olhou com um sorrisinho para Kaolla e fez um estranho gesto com uma das mãos. Ambas sorriram e pensaram juntas:
“O refeitório”
- To “cum” medo. – disse Ema na sala de estar, aflita com todo aquele silêncio. Mei apenas sorriu.
Enquanto isso no quarto da gerencia, Kanako refletia incessantemente sobre o questionamento que não lhe saia da mente: Por que a vovó a mandara à Pensão? Afinal, como isso a ajudaria a descobrir o segredo do estilo Urashima de jiu-jitsu?
- Por que será Kuro? – perguntou a jovem à sua gata que se espreguiçava. – Por que a vovó quis que eu viesse de novo para esse lugar de doidos?
- Miau...ora Kanako, eu não sou a mestra do estilo Urashima pra saber, miau. – respondeu.
- Ora, sua gata imprestável. – reclamou Kanako. – Você não sabe nem dar um conselho.
- Miau?
Takato sentia o coração bater rápido. Algo lhe dizia que sabiam onde ele se escondera. Ele se encolheu mais atrás da mesinha. Uma leve brisa o fez ficar ainda mais alerta.
Kaolla via através de sua mira de calor que havia alguém atrás da pequena mesinha que ficava a um canto. Caminhou vagarosamente até o móvel, a ansiedade e mil. Sarah estava mais atrás dando cobertura à outra, o sorriso no rosto. Kaolla se posicionou, seria penas um disparo, único e fatal. Ela sinalizou para Sarah que se preparou:
- TE PEGUEI!!! – berrou ela virando-se para o canto da mesinha. – M-MAS O QUE!? – ela exclamou. Não havia ninguém ali.
- O QUE HOUVE?! – perguntou Sarah
- Surpresa. – disse Takato aparecendo ao lado da americana e segurando a arma desta, forçando-a para cima.
- AH! TAKATO!? – exclamou ela fazendo força para soltar a arma que acabou disparando.
BANG!!! Fazendo um rombo no teto.
- Ora, seu... – xingou Kaolla virando-se para apontar para o jovem. – FIQUE QUIETO COBAIA!!!
Mas Takato pulou para trás de Sarah que ficou entre ele e a cientista:
- He... não pense que será fácil. – disse ele antes de sair em disparada pelo corredor .
- DROGA! – irritou-se Kaolla que não pode atirar temendo acertar Sarah. – ATRÁS DELE!!!! – berrou e partiram atrás do jovem.
- Agora sim. Essa é a Pensão Hinata que eu conheço. – comentou Motoko ao ver o raio laser sair da Pensão em direção ao céu, ainda escrevendo calmamente sob a mesma árvore.
- Mas, o que foi isso? – perguntou Kanako despertando de seus devaneios e dirigindo-se até a porta e abrindo-a a tempo de ver Takato escapando de um laser azul enquanto atravessava o corredor e Kaolla junto com Sarah tentando alcança-lo mais ainda distantes.
- Oi garotas. – cumprimentou Takato se dirigindo a Ema e Mei enquanto saltava graciosamente por cima do sofá da sala de estar.
- TOMA ISSO SEU PESTE!!! – berrou Kaolla ao chegar disparando um pequeno míssil no jovem. Para a surpresa dela, o jovem sorriu e pegou uma bandeja que estava sobre ali.
Para a surpresa de todas, ele utilizou a bandeja para rebater o míssil que foi explodir numa parede, fazendo a Pensão inteira estremecer:
- Caraça... – disse Mei assombrada.
- Viu como é útil saber física? – zombou Takato vendo a expressão de assombro de Kaolla e Sarah.
- ORA....- reclamou Sarah. – ESCAPA DESSA QUE EU QUERO VER!!! – desafiou ela disparando seu laser azul com toda a potência.
Takato, ainda com seu sorriso charmoso de sempre, segurou a bandeja com as duas mãos. Ele fez com que o laser refletisse e acertasse direto na arma de Kaolla que explodiu, jogando a cientista longe:
- KAOLLA!? – exclamou Sarah tirando os olhos de Takato.
- Hi...é agora. – disse ele aumentando o sorriso. E fez o mais absurdo: atirou a bandejana arma de Sarah, partindo-a em duas.
- Q-QUÊ!? – exclamou um segundo antes da arma explodir pelos ares atirando-a para longe.
BOOM!!!!!
- Não acredito... – disse Mei estupefata.
- Uau... – admirou-se Ema.
- He...dá próxima vez que quiser brincar de testar suas armas do mal Dra. Su, pegue suas melhores. – disse Takato ajeitando uma mecha de cabelo que havia saído do lugar na confusão.
- Puxa, Takato... como fez aqueles movimentos? – perguntou Ema que estava totalmente admirada.
- Ah...deve ser minha velha habilidade para dança. – respondeu ele sem delongas.
- Dança... ? – repetiu Mei (*gota*).
Do alto da escada Kanako observara a cena e como as outras ficara impressionada com a habilidade de Takato.
- Hum...o que acha Kuro? – perguntou à gata que ela carregava em seus braços.
- Miau, parece divertido Kanako. – respondeu.
- É verdade Kuro. Você está certa. – concordou Kanako observando o garoto que agora estava apanhando das furiosas Sarah e Kaolla.
- Miau?



A manhã do dia seguinte chegou ensolarada e clara como costumava ser naquela época do ano. Em seu quarto, Motoko Aoyama terminava de se vestir para o café. Apesar de ser ainda cedo ela já havia treinado durante uma hora e tomado um banho rápido. Mesmo que estando concluindo a faculdade de Direito e estar escrevendo seus romances que já eram até populares entre os alunos da Toudai, Motoko nunca podia se esquecer que era a mestra do consagrado estilo Shinmei da espada e devia estar sempre em dia com seus treinamentos.
Ela terminou de se vestir e foi até sua escrivaninha onde havia uma carta já fechada:
- Não posso esquecer de botar no correio hoje. – disse a si mesma pegando o envelope lacrado. A carta era para uma velha amiga que também praticava o estilo shinmei e que atualmente trabalhava como guarda-costas para uma tradicional família de Kioto. – Hu...
Entrementes, Hiro começava sua rotina mais cedo. Ele varria a frente da Pensão Hinata enquanto uma guerra devastadora se passava em sua mente.
“Argh! Você fazia tudo por aquela garota e ela não tava nem aí pra você cara! SEU BESTA, ela nem sabia que você existia!” dizia uma voz atacando-o covardemente. A única reação de Hiro a estes ataques era varrer com muita força sem se dar conta de que o fazia.
TEC!
A vassoura se partiu e ele ficou apenas com o cabo nas mãos. Ele olhou para o pedaço de madeira e pensou que merecia umas pauladas por ser tão burro. Ele não bateu em si mesmo, mas ficou brandindo o cabo contra o ar descontando sua frustração.
De repente ele se lembrou de quando era menino e brincava com seu pai de luta com espadas. Coisa estranha pra se lembrar de repente, mas isso o animou um pouco. Hiro imaginou seu pai a sua frente, com seu sorriso de sempre (característica herdada por Takato) com um pedaço de madeira. “Você não consegue fazer esses movimentos, consegue garoto?” era como sempre o desafiava e logo em seguida começava a fazer movimentos que chegavam a parecer golpes de verdade.
- Claro que consigo. – disse Hiro baixo a lembrança de seu pai e começou a executar os golpes como este fazia no passado. Agora que era adulto, Hiro sentia muito mais facilidade em fazer aqueles movimentos. Ele foi absorvido por aqueles movimentos e a lembrança do pai que admirava tanto e perdera tão cedo. Conseguiu até esquecer-se de Kanako e sua indiferença.
TAC!
Alguma coisa acertou o cabo que brandia despertando-o de suas lembranças. Hiro viu que era Motoko segurando outra vassoura. Ela sorriu:
- A-Ah! Motoko-san!? – surpreendeu-se ele. – E-eu... eu só.... – gaguejou sentindo-se ridículo sendo pego fazendo aquilo, mas motoko o interrompeu.
- Onde aprendeu esses movimentos? – perguntou. – Eu estava indo tomar café mas não pude deixar de reparar neles.
- Q-quê? – estranhou Hiro sem entender o porquê da pergunta. – Ah...meu pai fazia esses movimento quando eu era criança, mas era só uma brincadeira de pai e filho boba...
- Brincadeira boba? – admirou-se Motoko baixando a vassoura que segurava com uma mão. – Que coisa...como seu pai poderia conhecer esses movimentos? – perguntou ela não se dirigindo a Hiro, mas a ela mesma.
- Por que pergunta isso? – questionou Hiro curioso. Afinal, aqueles movimentos não eram só uma invenção de pai?
- Porque esses movimentos são característicos do estilo Shinmei, estilo de kendô cujo qual eu sou mestra... – explicou a mulher.
- Então você é mesmo uma espadachim.... – comentou o homem que ainda não havia acreditado quando Kitsune lhe dissera. – Espera! Você está dizendo que meu pai conhecia esse estilo?! – perguntou surpreso.
- É...creio que sim. – respondeu Motoko séria. – Apesar de ser difícil encontrar casos de homens que tenham praticado o estilo Shinmei.
- Caraça...
Motoko observou o homem a sua frente por um instante. Seria coincidência que o pai dele conhecesse o estilo shinmei? Ou ele teria sido um espadachim? Isso Hiro não saberia mesmo que fosse verdade. Mas ele tinha uma habilidade natural para a luta, ela observara. Seria coincidência ou o destino estava lhe mostrando seu próximo passo no caminho da espada: ter um discípulo?
- O que houve....Motoko-san? – perguntou hiro percebendo que ela o fintava.
- Bem... é que estou pensando....talvez....Hiro: você quer estudar o estilo Shinmei de kendô? – perguntou Motoko dando ouvidos ao destino.
- Q-quê?! – surpreendeu-se o jovem. - Eu? Um....espadachim?
- É. – confirmou Motoko que a cada segundo percebia que era isso que devia ser feito.
- Ah...eu... – começou Hiro sem encontrar palavras.
- Bom, já vou avisando que, se aceitar, não pense que será brincadeira. – alertou a mulher para que não houvesse qualquer tipo de confusão nesse sentido mais tarde.
Hiro olhou para Motoko abobado. Ele, um samurai? Nem sabia se podia se denominar assim um espadachim shinmei... Lembrou-se da força monstruosa da mulher a sua frente (às vezes ainda tinha dores da pancada que levara ao chegar à Pensão), realmente seria interessante ter aquela força também. Então se lembrou do pai: um sonhador que viajava o mundo em busca do que as pessoas chamam de felicidade, era um homem diferente e até enigmático, se realmente fora um espadachim, Hiro com certeza ia tentar ser um também:
- E então? – perguntou Motoko que podia ver lembranças e pensamentos passarem pelos olhos do outro.
- Com todo prazer Motoko-sensei!!!! – aceitou ele determinado.
“Que voltas estranhas que a vida dá”.



Mais tarde, naquele mesmo dia, Kanako Urashima andava sozinha pelos corredores da Pensão Hinata enquanto pensava. Desde que voltara a pensão não parara para conversar com ninguém a não ser Kuro, mas até mesmo ela sentia falta de companhia além da de uma gata, apesar de não admitir.
Ao virar em um corredor ela parou ao ver a espadachim que vinha e que fez o mesmo ao vê-la:
- Boa tarde gerente. – disse Motoko formalmente e Kanako acenou com a cabeça em resposta já retomando o caminho. – Por que está se escondendo de todas de novo Kanako? – perguntou e a outra parou novamente.
- ...eu só... – começou Kanako escolhendo as palavras. - ....estou com coisas na cabeça.
- Que bom! Pensei que tinha voltado a ser aquela patricinha sem graça. – comentou Motoko parecendo aliviada com um sorriso.
- Patricinha... – repetiu Kanako virando-se para encarar a outra. A espadachim também se virou para ela colocando a mão sobre seu ombro, sorrindo.
- Bom saber que você ainda é a velha “Kanako-tampinha” de antes. – disse feliz à gerente que realmente era muito menor que ela.
- Ora sua... – disse Kanako irritada com o “tampinha”. – Não pense que esqueci que temos umas contas pra acertar, Aoyama. – disse ameaçadoramente.
- Hu...eu não esqueci também. – confirmou Motoko e virando-se para ir para seu quarto disse. – Agente se vê por aí gerente-tampinha. – e foi andando deixando uma Kanako muito mais irritada e animada sozinha.
A jovem ainda ficou parada por alguns instantes olhando para o canto do corredor por onde Motoko fora. Admirou-se ao perceber que a outra parecia ter amadurecido um pouco, nem parecia a ronin confusa e atrapalhada de cinco anos atrás Kanako sentiu satisfação por saber que havia uma pontinha sua nesse amadurecimento.
De repente Kanako despertou desse devaneio e lembrou-se do que estava fazendo. Continuou caminhando pelos corredores, seus olhos e ouvidos atentos:
- Onde está aquele garoto? – perguntou-se baixinho enquanto verificava as salas pelo caminho. Quando já passava pela terceira vez por um largo corredor ela ouviu uma voz vinda de uma sala.
- Ué? Cadê aquelas garotas?
A porta se abriu e Takato Watanabe apareceu atrás dela. Ao ver Kanako o garoto curvou-se respeitosamente.
- Boa tarde Urashima-san. – cumprimentou.
- O que fazia aí? – perguntou Kanako.
- Ah, é que não encontro a Sarah e a Ema. Eu as estou procurando . – explicou ele.
- Certo... – disse lentamente Kanako.
- Bem, eu acho que vou... – ia dizer Takato, mas um golpe que ia atingi-lo no rosto o fez deixar a frase pela metade. Agilmente ele segurou o pulso de Kanako a alguns centímetros de si. – O que está...
Mas Kanako não lhe deu tempo de falar. Girando o corpo ela tentou golpeá-lo no estomago, porém o garoto se defendeu novamente. Ela o empurrou fazendo entrar de volta na sala:
Kanako agarrou o pulso do jovem e com um movimento surpreendente o fez dar um giro completo no ar. Takato ainda conseguiu cair em pé , mas era exatamente isso que ela queria. Com simplicidade, Kanako o empurrou com o pé na direção da janela. Sem conseguir equilibrar-se, Takato passou por cima do batente, caindo do segundo andar da Pensão:
- AIEE!!! – berrou ele antes de se ouvir um barulho de mato sendo mexido.
- Será que está vivo? – perguntou-se Kanako saltando da janela para ir conferir os estragos.
Takato fora salvo pelos arbustos, mas estava todo sujo e com folha no cabelo. Quando saiu do meio do mato assustou-se ao ver uma sempre inexpressiva Kanako a sua frente:
- ARGH! O que você quer comigo!? – perguntou o jovem afastando-se enquanto tentava limpar um pouco da sujeira que estava em sua roupa.
- Você se saiu muito bem. – disse Kanako.- Qualquer pessoa comum teria recebido os golpes.
- Heim?
- Você tem um talento natural para as artes marciais. – afirmou Kanako sem expressar emoção alguma.
- Peraí......isso...foi alguma espécie de...teste? – perguntou Takato confuso com aquela situação, esquecendo-se até de limpar o pó em si.
- Ouvi falar que você foi primeiro colocado no simulado nacional para a Toudai. – comentou a mulher sem responder a pergunta.
- Ah...sim. É verdade... – confirmou o outro sem entender como aquilo se relacionava com a situação.
- Você gostaria de treinar o estilo Urashima de jiu-jitsu? – propôs Kanako sem dar voltar tão subitamente que Takato não conseguiu perceber a estranheza daquela proposta.
- E-eu? – foi o que perguntou simplesmente.
- Sim. Você devia se sentir honrado com essa proposta Takato Watanabe. – confirmou a outra com um tom quase de ameaça. Takato estava tão anestesiado com toda a estranha conversa que não hesitou em responder (Sarah e Kaolla já haviam lhe contado diversas historias das batalhas entre Motoko e Kanako no passado).
- Eu estou sentindo-me honrado Urashima-san! – afirmou animado. – É uma honra poder aprender um estilo de luta tão fascinante com o estilo Urashima! Ainda mais com uma mestra tão bela e habilidosa como você, Urashima-san!
- Ah... – Kanako ficou desconcertada com o súbito ataque de elogios inesperados vindos do jovem, mas recuperou-se rapidamente. – Veja bem: são muito poucos os que têm aptidão para aprender o estilo Urashima. Se você não se sair bem nos primeiros testes não poderá continuar, entendeu?
- C-claro! – confirmou Takato esquecendo-se completamente o quão era absurda toda aquela cena. – E....quando começamos? – perguntou ele ansioso por começar o treinamento. Kanako sorriu de maneira misteriosa e até assustadora, mesmo reparando no quanto o sorriso dela era belo ele engoliu saliva.
- Hu....já começamos.
- Quê?

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