quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Tales of Revolution] 03 - O Selo da Rosa mais uma vez


“Um selo de......... rosa?”.
“Jovem que sofre tamanha dor...”.
“O Fim do Mundo”.
“Pela revolução mundial!”.
“Atrás do portal da Rosa está o poder capaz de Revolucionar o Mundo”.
“Revolucionar...”.
“O Selo da Rosa...”.
“Utena-sama!”.
“O poder de Dios”.
“Você a ama não é?”.
“HIMEMIYA!”.
“Esse poder é capaz de realizar milagres”.
“Então eu me tornarei um príncipe!”.
“O poder de Dios”.
“Me desculpe fingir que era um príncipe... Himemiya...”.
“Capaz de realizar milagres”.
“Insistir não é tudo”.
“Himemiya.....”.
“Algum dia.... juntas?”.
“Não sabia? Eu sou uma tola”.
“Esse poder é demais pra você”.
“Eu só fui feliz de verdade na vida quando estive com você!!”.
“Pare! Você não sabe o que pode acontecer!”.
“E algum dia... juntas”.
“Realizar milagres”.
“Eu finalmente te encontrei!”.
“Milagres”.
“Você a ama não é?”.
“Milagres...”.
“Conceda-me o poder para Revolucionar o Mundo!!”.
            - U......... Utena.......
            O céu já estava escuro e a luz dos postes era uma laranja que ainda deixava um clima sombrio permanecer pela cidade toda. A sensação era de ter acabado de nascer-se novamente para o mundo. O vento era incrível, como se nunca tivesse sentido correr pelo seu rosto, observava o céu como se nunca o tivesse visto, depois de tudo..... tudo:
            - Utena.........?
            - Himemiya........
            Anthy observava com o coração aos saltos uma Utena com o olhar distante, como se pudesse ver acima do céu, algo realmente que soava irônico, já que seu sobrenome significava literalmente acima do céu. A carta com o selo da rosa jazia caída ao lado, um pedaço de papel aparentemente inocente, mas que carregava um significado sem fim, a morena sentia-se atordoada, mas não conseguia pensar naquele momento em nada além da garota a sai frente. Teria.... acontecido...?
            - Himemiya.......eu.........
            - Utena.........eu........ – a morena sentia um nó apertado na garganta mais forte toda vez que escutava seu nome ser dito no mesmo tom familiar, na mesma voz familiar, com a mesma expressão determinada que não estava ali a dois segundos..... tão familiar.
            - Eu..... cumpri a promessa.
            - ......
            - Eu te libertei......... não foi?
            - Utena....Utena...... – Himemiya foi até a outra abraçando-a pelos ombros deixando lagrimas escaparem. – Eu te encontrei....... eu te achei......
            - Himemiya.......
            - Você conseguiu...nós conseguimos... Utena....
            - Hime....... Himemiya.... – o coração de Utena batia forte, mas incrivelmente leve, podia sentir o da morena seguir o mesmo ritmo do seu. As espadas..... três anos.... havia vencido...
            - Utena.... – Anthy lutava contra as lágrimas que insistiam sem muito sucesso. Abraçava a outra o mais forte que conseguia, queria poder mostrar tudo o que sentira naqueles anos, tudo o que fizera, como ela estava feliz por tudo.
            - Eu realizei um milagre.
            Anthy terminava de preparar um chá atrás do balcão onde Utena estava quase deitada. Observava todos os movimentos da outra com os braços, parte do tórax e cabeça apoiados no móvel. Como era incrível poder observar aquele momentos simplório depois de tudo, não conseguia deixar de achar tudo magnífico, nem que fosse apenas o ato de servir o chá em duas xícaras que Himemiya fazia:
            - Aqui está Utena. – disse a morena depositando a xícara de Utena a frente dela e depois pegando outra e sentando-se de frente para essa. Utena sorriu.
            - Agora você pode me chamar apenas pelo nome... – comentou observando abobalhadamente o rosto de Anthy enquanto esta tomava um gole de chá. Ela era linda, mesmo quando se olhava de lado, com a cabeça caída nos braços.
            - É muito bom vê-la tão sorridente assim Utena. – disse Himemiya sorrindo diante do olhar besta de Utena que estalou e levantou a cabeça, assumindo um tom mais controlado.
            - Claro que estou feliz. Eu deveria estar morta e você ainda de escrava eterna, normal sorrir. – respondeu exagerando no tom de “desculpas para o sorriso bobo” o que fez a morena rir.
            - Você esteve me procurando todos esses anos Himemiya?
            Anthy observou-a um tempo antes de responder:
            - O que mais eu poderia fazer? Ainda me lembro da promessa do chá, agora faltam só sete anos. – respondeu sorrindo gentilmente. Utena nem reparou quando seu queixo caiu diante da resposta.
            - Himemiya...
            - É o que se faz quando se encontra o príncipe encantado, não concorda?
            Dessa vez Utena desviou o olhar corando. Também tinha sentido falta dessas falas tão cheias de significados entre as duas. Realmente era o que se fazia.... ela mesma tinha feito, apesar de que no seu caso o príncipe era na verdade uma princesa e um vilão pervertido:
            - Hime.... você está um pouco.....
            - Diferente? Acho que poder ter personalidade é interessante. – comentou a morena sorrindo fazendo a outra realmente sentir-se leve. Aquela, aquela era a Anthy que sempre quisera libertar, a verdadeira Anthy, seus sentimentos....... sentimentos.
            - Isso me deixa feliz – disse sem perceber a príncipe. – Sabe..... – ia continuar dizendo distraidamente a garota que ainda trajava seus uniformes masculinos quando seus olhos bateram na carta que sem nem perceber carregara consigo pra dentro de casa. O selo da rosa. Todo o significado. O que estaria lhe esperando quando abrisse aquele envelope? Anthy percebeu o que ela reparava.
            - Apesar dos meus esforços não fui a única a te encontrar. – disse com uma voz triste. Aquele brasão trazia lembranças ruins demais para não se arrepiar.
            - Hunf....Vamos ver o que o Fim do Mundo quer comigo... – Utena desgrudou o lacre com impaciência só parando quando ia virar o envelope por escutar uma exclamação assustada de Himemiya. Sorriu segura para ela. – Calma, se eu não tivesse aceitado o convite do Fim do Mundo nós não estaríamos livres agora.
            - Mas....
            - Você está incrivelmente linda com os cabelos soltos e sem aqueles óculos sabia Himemiya? – comentou Utena fazendo Anthy distrair-se completamente da carta e encarar seus olhos azuis.
            - Utena.......
            A garota estalou sobre o que dissera e corou violentamente desviando o olhar. Havia ficado louca?! Por que estava falando daquele jeito? Por que encarava Himemiya daquele jeito?? Por que ela retribuía seu olhar igualmente???? Nunca se importara com a convivência tão próxima da garota, alias era o que há tinha feito tão feliz em Ohtori, mas.... por que agora parecia diferente? Bem, ela não tinha mais 14 anos.... talvez fosse apenas um novo estágio da amizade entre elas, onde os abraços não são mais só para consolar da tristeza, ou talvez onde algum outro tipo de carinho seja bem vindo..... HEIN?!?! Tinha pirado! PIRADO!!
            - Você está bem Utena? – perguntou Anthy tentando preocupar-se com a expressão da amiga ao invés de rir, como tinha vontade.
            - Tudo bem. – respondeu reassumindo a postura séria. – Deixe-me ver...
            As duas perdenram o fôlego por um instante, enquanto o selo terminava de ser removido do envelope. Aquele envelope que muito provavelmente continha algo que atrapalharia e marcaria violentamente a vida delas novamente. Utena virou o envelope de cabeça para baixo e um pequeno objeto caiu de seu interior: um anel.... um anel que ela conhecia muito bem.
            - !!! – Himemiya levou as mãos para cobrir a boca em uma exclamação de horror. As lembranças a apavoravam mais do que o que ela poderia prever que fariam, afogaram-na completamente. Lembrou-se em um segundo das espadas, das pessoas, do que o Fim do Mundo a obrigara a fazer, humilhando-a. Ela se sacrificara por ele, ela a usava como um boneco, lhe tirara os sentimentos, lhe aprisionara o coração e a alma, lhe obrigara a ferir Utena mortalmente. Era horrível demais, era uma marionete sofrendo a agonia eterna de milhões de espadas de ódio, não havia quem a salvasse, estava condenada a ser usada por toda a eternidade como um brinquedo para a loucura e luxúria do Fim do Mundo, onde estava seu príncipe que a livraria disso? Por que seu príncipe havia se tornando um monstro??? Quem????
            - Himemiya!! Himemiyaaaa!!
            Anthy abriu os olhos e viu a luz acima de si, escurecendo o rosto de Utena que a observava preocupada. Estava deitada, ainda parecia ser a mesma cozinha, mas vista de baixo. Podia sentir os braços de Utena a segurando:
            - Você está bem? Himemiya! O que houve? – a voz da garota soava preocupada. Lembrava vagamente os gritos de dor que dera por ela quando estava no duelo da revolução, mortalmente ferida, mas só enxergando o seu sofrimento. Por ela.... ela havia feito tudo por ela...
            - Não podemos ficar aqui, ele está atrás de nós. – disse com a voz mais fraca do que achava que sairia. – Ele vai usar todas as armas, não vai mais respeitar as regras, só quer a nós.
            - Mas... por que ele nos quer tanto assim? Não estamos mais no jogo dele. Nem estamos mais no mundo dele... – questionou Utena sentindo o estomago embrulhar com a possibilidade de se ver envolvida novamente pela trama do Fim do Mundo.
            - Ele quer o poder de Dios. Nós somos a chave que ele precisa para entender.
            - Chave.....?
            - Ele quer o poder de realizar milagres. Quer ser Dios novamente, quer destruir o mundo inteiro.
            - Himemiya.....
            Utena percebeu ali, encarando o rosto alarmado de Anthy uma verdade que temia ver: ela já estava envolvida novamente. Alias.... ainda não tinha realmente se livrado daquilo tudo, apenas virado o jogo a seu favor e de Himemiya, o que não significa que tinha terminado. Ajudou a morena a se levantar e encarou determinada seus olhos verdes, fez com a mesma determinação que havia se visto no dia que ela decidira libertar a “bruxa” de seu tormento eterno:
            - Não se preocupe Himemiya. Amanhã mesmo vamos partir, ele não vai colocar as mãos em você de novo. Eu juro.
            - Mas a sua vida.... a sua liberdade Utena... – Himemiya sentia novamente a culpa que a corroía durante o tempo que estivera junto da garota em Ohtori. – Você não precisa se envolver nisso tudo novamente. – sua voz era lacrimosa, fazendo a garota de cabelos rosas sentir uma dorzinha no coração.
            - Eu nunca vou te deixar sozinha de novo Himemiya. – respondeu fintando profundamente os olhos da outra. – O que eu poderia fazer se te abandonasse afinal....
            - ...............
            “Príncipe de nobre coração..... Utena Tenjou... meu príncipe”.
            “Não vou descansar enquanto Akio achar que pode fazer algum mal a Himemiya.
Ele vai descobrir o que é Revolucionar o Mundo!”.

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