terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mastered Negima - Heart 06

O frio atravessava os mais grossos casacos dos que chegavam a Kyoto no começo da tarde daquele sábado de inverno. Mesmo que não fosse possivel ver de dentro do metrô percebia-se que deveria ser um dia claro porém extremamente enregelante na antiga capital japonesa.
            Setsuna Sakurazaki caminhava lentamente pela estação, não como uma pessoa tranquila, mas como alguem perdido, sem ter certeza se estava realmente ali ou não. De fato, caminhava com os pés ali, mas a mente ainda em Mahora, em Konoka que não fazia ideia do que aquela simples ida ao templo shinmei poderia significar, e na burrice e insensibilidade de Asuna.
            “Eu sei que tais fazendo a Konoka sofrer!! Não se importa com isso???”.
            Era uma idiota mesma aquela ruiva. Tão tapada que não conseguia entender o simples fato de que aquilo tudo era para evitar um sofrimento muito maior! Afinal é obvio o que é mais doloroso entre: viver a vida toda longe de quem se ama, ou viver um pouco esse amor e depois morrer.
            Hein? Qual.........? Por que por um instante não parecia mais tão óbvio?
            - Kono-chan.......... - a dor que a espadachim sentia parecia a cada minuto mais sufocante. Será que não aguentaria a dor nem até chegar a mestra shinmei?
            - Hei! Não é a Sakurazaki-san?! - exclamou uma voz alto de algum lugar ali, despetando a guarda-costas de susto do seu mar de confusão sentimental.
            - Hein?!
            - Oh, verdade Haruna!
            A garota realmente ficou uns instantes em choque vendo o trio biblioteca se aproximando. O que as três faziam em Kyoto?!? (acorda, isso foi tema dos últimos capítulos, baka). Ah, é claro:
            - Olá Sakurazaki-san. - cumprimentou Yue.
            - Não esperava encontra-las aqui garotas. - comentou a shinmei curvando-se em cumprimento. Pareceria que tinham chegado no mesmo trêm se não fossem as inumeras sacolas cheias de mangás, revistas e materiais de desenho que as três seguravam.
            - A Haruna nos fez acompanha-la enquanto gastava todas as economias da faculdade em mangás. - zombou Nodoka num tom tão natural que poderia-se pensar que era uma sarcástica de carteirinha.
            - Pow Nodoka! Agora vai ficar implicando também? - exasperou-se Paru sem conseguir esconder o sorriso pelos itens obtidos.
            - Não sabiamos que viria a Kyoto também Sakurazaki-san. - comentou a bakablack sem demonstrar alivio ou mesmo desconfiança.
            - Fui convocada para uma reunião no templo shinmei, então ficarei aqui por uns dias. - explicou Setsuna, falando a absoluta verdade.
            - Poxa, esse tal templo shinmei deve ser muito legal, pena que tenhamos que trabalhar no tal livro, eu queria tanto conhecer. - lamentou Haruna.
            - Por falar no livro, já perdemos muito tempo comprando não achan? Temos que ir logo para a casa do pai do sensei. - disse Yue com tom de líder das bibliotecárias.
            - Chatice. - resmungou Paru.
            - Ah....Sakurazaki-san! - chamou Nodoka meio sem jeito, notando o tom de 'hora de ir embora' nos olhos da espadachim.
            - S-sim?
            - Er....... - todas voltaram sua atenção para a livreira, interrogativas. - Não quer vir conosco? Pode ficar na casa do pai do Negi-sensei enquanto não precisar ir ao seu compromisso. - sugeriu.
            - Ah? - Paru não entendeu o porquê da garota sugerir aquilo. “Yuri?! Nodoka?!?!”.
            - Nodoka....... - Yue sentiu uma grande admiração pelo belo ato disfarçado que a amiga tomava.
            - Eu.......? Mas.... - Setsuna tentou pensar num contrargumento, porém lembrou do tom enfático do direitor de “seguro” que ele lhe questionara. Droga, realmente não sentia-se bem com companhia aquele dia, mas não tinha escolha. - T-tudo bem, será ótimo.
            - Legal, se sobrar tempo vou fazer uma pesquisa que queria fazer a tempos! - alegrou-se Haruna, sorrindo.
            - Do que ce tá falando? - questionou Yue já imaginando que viria algo absurdo por aí.
            - Quero saber que tipo de impacto meus mangás yaoi geram numa yuri, entendeu? Quem sabe tornar mais agradavel a esse público....
            - QUE?!?!?! - a espadachim pulou uns 2 metros ao escutar-se referenciada como yuri. Será possivel que todos sabiam tudo sobre ela sem ela ao menos saber?!?!
            “Realmente ce tem um bom coração Nodoka” conclui a baka lider enquanto as quatro garotas saiam para o dia gelado de Kyoto.






            - Aff, realmente to me sentindo uma grande cdf fazendo isso! – reclamou Haruna espreguiçando-se.
            Já era de noite e o trio biblioteca estava na confortável residencia que um dia pertencera ao Thousand Master. Era definitivamente um lugar agradável, não ficava frio demais e aparentemente também não aquecia demais nos dias de verão. Haruna não tinha como ser contestada na sua afirmação de sentir-se cdf, afinal as três estavam cercadas de montanhas de obras em línguas estranhas e quaisquer livros que se suspeitasse poder ter qualquer informação secreta, mais um pouco e desapareceriam ali sentadas no chão, entre as papeladas sem fim deixadas pelo TM:
            - Poderia deixar de reclamar e procurar mais, não acha Haruna? – comentou Yue que parecia mal humorada, apesar de estar tão cercada de livros fascinantes. A verdade é que a bakablack, vendo-se diante de tanta informação incrível sobre o mundo dos magos, percebia agora como seria muito mais difícil do que prevera aquela tarefa. E se fracassassem?
            - Calma ai Yue, relaxa. – pediu Paru abanando a mão.
            - Não vai ser mesmo uma procura muito fácil. – comentou Nodoka, folheando um grosso volume todo escrito em grego antigo.
            - Não faço idéia de quanto tempo precisaríamos para olhar todos esses livros. – resmungou a baka líder, observando todas as estantes que nem haviam sido tocadas mais as montanhas de livros já pelo chão.
            - Sei que vamos encontrar logo. Agente pode! – exclamou a mangaká fechando o punho como um personagem dos mangás nonsense que gostava tanto de ler.
            No outro canto da grande sala, ao lado da janela, Setsuna observava a paisagem visível dali, com a mente perdida novamente em pensamentos confusos. “Realmente dói encarar a verdade não é?”, tinha muitas vezes que detestava a sua consciência. Era cada vez mais doloroso perder-se naquelas questões sobre Konoka e ela. Sentia como se a qualquer momento pudesse acabar enlouquecendo e comentendo suicídio, sim com certeza simplificaria as coisas. “Sua retardada!!”.
            Porque tinha que ser desse modo tão difícil? Era uma simples estudante no fim das contas, como poderiam lhe exigir escolher entre a própria vida e a pessoa que amava tanto? Era cruel demais, afinal vivera até hoje sem uma real felicidade e quando a encontra tem que abrir mão e partir?!?! Não! Por que? O que lhe dizia que não podia ser feliz como qualquer pessoa sonhava ser na vida???
            “Talvez essas asas aí por si só respondam não é?” respondeu-se a shinmei, desanimando de vez. As vezes se perguntava se realmente Pee era o pior inimigo com sua face que existia. Droga, era um monstro, um montro!! Um monstro auto-destrutivo, mas com certeza um monstro. Como Konoka poderia amá-la?
            Mas......ela ama.
            Seus pensamentos voaram para todos os momentos tão bons que tinha vivido desde que Mash e Pee haviam saído do caminho. Todas as tardes com a quase-maga, o carinho dela, a atenção. Cada declaração que escapava de modo tão natural dos lábios da praticamente...... praticamente..... por que ainda não havia sequer se permitido dizer que a queria sim como sua namorada? Se amavam, era um amor puro, sincero, era amor! Konoka a amava, tanto quanto ela mesma a correspondia. Isso é tão......tão..... mágico, único, incrível........
            Terrivel.
            “Aww....... Kono-chan, Kono-chan, eu…… só quero se feliz contigo…….mas……..awww…… Kono-chan”. Definitivamente em breve enlouqueceria nesse ritmo:
-          Yue, acho melhor darmos uma pausa. – sugeriu Nodoka olhando de canto de olhos para a espadachim sofrendo no seu canto.
-          O que? Mas Nodoka! – exclamou a menor sem entender o porquê da sugestão repentina.
-          Ótima idéia Nodoka, afinal quem é que tem saco pra procurar nesses livros estando de barriga vazia, vamos comer algo Yue!! – Paru parecia realmente feliz em livrar-se do trabalho por uma meia hora.
-          Não temos tempo o suficiente para ficarmos parando gente. – argumentou Yue.
-          Owww Yue, deixa disso! Relax!
-          A Haruna está certa Yue, vamos parar. – decidiu a livreira sorrindo de modo bem significativo e o entendimento finalmente chegou a mente da outra. Setsuna.....
-          Tá bom..... mas não demoremos muito nessa pausa, ok?
-          Viva!!! Comer!! – exclamou Paru se levantando.
Rapidamente Haruna arrastou uma estressada Yue para a cozinha da confortável residência, deixando Nodoka sozinha com uma distante espadachim escondida no outro canto da sala. Na verdade pareceu que Setsuna era realmente incapaz de perceber qualquer coisa ao seu redor, perdida em seus pensamentos cheios de dúvidas:
- Sakurazaki-san? – chamou delicadamente a livreira, aproximando da shinmei, sentando-se no sofá um pouco mais próximo daquele canto de janela.
- Ah...... sim Miyazaki-san? Posso ajudar em alguma coisa? – perguntou a garota, estava tão distraída que aquilo provavelmente fora dito apenas pelo hábito da extrema cortesia e serventia.
- Não é nada disso Sakurazaki-san, só estou preocupada, você não parece muito bem...
- Eu? – era mesmo tão transparente assim o que sentia a todos? Pelo visto a profissão de espião não lhe servia mesmo. – Impressão sua, estou ótima.
- Sabe.... eu também achava que tentar não falar ajudava quando não se está bem. – comentou Nodoka com um tom simples, observando pela janela. – Mas a verdade é que isso só dá brecha pra pensarmos de um modo triste, não acha?
- ...... – ela estava realmente tentando confortá-la?
- Quando eu descobri sobre os sentimentos da Yue em relação ao Negi-sensei, realmente fiquei muito mal enquanto tentava não pensar no assunto. Por mais que tivesse dito a Yue que devia ficar próximas, nos dar forças. Me doía demais pensar que eu poderia fazê-la sofrer se fosse feliz com o sensei. Incrivelmente foi a Haruna que me ajudou, me fez ver as coisas de um modo mais positivo, na verdade, apenas me fez aprender a não me fazer sofrer antes da hora necessária.
- Mas..... tem vezes que a dor é inevitável. – argumentou Setsuna com uma expressão vazia, a voz distante. A outra garota respirou fundo antes de continuar.
- Bom, quando se acha isso.... só existe algo que se pode fazer.
- O que? – a espadachim encarou os olhos azulados da bibliotecária, como aquele rosto bonitinho poderia esconder alguém com várias coisas a lhe dizer?
- Seja o máximo feliz possível.
- ........ Como?
- Ninguém pode prever o que acontecerá amanhã, então o melhor é em qualquer situação ser o mais feliz o possível. – Nodoka sentia-se desconfortável dizendo coisas que soavam tão óbvias, mas que sabia que apesar de todos saberem, muito poucos realmente entendiam com o coração o que as palavras queriam dizer.
- Eu....... não devo. – Setsuna não percebia muito bem o que dizia enquanto encarava a neve que começava a cair. Não ligava pro quanto a outra soubesse ou não, a batalha entre escolhas em seu interior pegava fogo.
- Mas isso as fará feliz Sakurazaki-san.... não quer vê-la feliz? – nossa, estava agora pisando num terreno que definitivamente era particular. Só ainda o fazia porque, mesmo não sendo tão próximas, ela tinha uma consideração pela guarda-costas, sem falar que Konoka era uma ótima amiga.
- Eu...... quero...... – a garota se encolheu levemente sem mesmo perceber. Miyazaki estava certa.... certa....
- O mais importante na vida é ser feliz Sakurazaki-san, você e Konoka merecem isso. – disse a livreira levantando-se para ir comer algo antes de voltarem a busca dos segredos do livro codificado.
- ................. – perae, tinha dito ela e a Kono-chan?! – Mi-miyazaki-san?!
Nodoka saiu da sala sem dizer mais nada. Sabia que não havia feito grande coisa, mas esperava que uma opinião vinda de alguém que ela considerasse sensata tivesse peso na hora que precisasse decidir o destino dela e de Konoka.
“Estou torcendo por vocês duas”.

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