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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

[Lives] 22 - Eternidade em uma hora


            O sol já começava a se aproximar do horizonte naquela tarde dentro do refúgio de Evangeline. Como era de costume quase todos os membros da Ala Alba estavam presentes no lugar, alguns assistindo ao treino diário do jovem professor-mago, outros tendo seus próprios treinos, e outros ainda fazendo coisas nada relacionadas a treinos ou lutas.
            Estranhamente Setsuna Sakurazaki se encontrava no terceiro grupo de pessoas. Deveria na verdade estar treinando como sempre fazia no refúgio para melhorar sua técnica, mas naquela tarde não estava conseguindo se concentrar em nada direito. Isso porque uma estranha sensação que não conseguia discernir estava incomodando-a desde que acordara naquela manhã. Ao invés de treinar observava o de Negi contra Chachamaru e Chachazero de longe com o olhar vago, mas isso provavelmente não tinha haver com a sensação misteriosa, mas sim com o fato de Konoka estar com a cabeça deitada no seu ombro a quase meia hora respirando no seu cangote:
            - Ah... Kono-chan? – chamou a espadachim corada pela situação. Mesmo que tivesse “se entendido” com a quase-maga, não lhe agradável nem um pouco a idéia de expor essa nova fase da relação das duas as outras garotas, principalmente e repórter e a mangaka (provavelmente Mahora inteira saberia menos de vinte e quatro horas depois se a informação caísse nas mãos da Paru). Já bastava Negi, Asuna e Kamo terem visto o “cuidado médico” que Konoka havia aplicado-lhe após o treino da tarde anterior.
            - O que foi Set-chan? – perguntou Konoka com a voz calma. Acabara de descobrir que o cheiro da pele de sua protetora tinha um forte efeito anestesiante sobre seus sentidos normais e um efeito... “bem interessante” sobre outros sentidos que ainda não conhecia bem em si mesma.
            - Ah... – Setsuna reparou no tumultuo que se fazia mais adiante: parecia que as garotas haviam conseguido uma desculpa para iniciar uma festa com o estoque pessoal de vinho de Evangeline que estava esbravejando. De repente uma idéia bem ousada e ao mesmo tempo extremamente convidativa surgiu na mente da meio-uzoku.
            - Que houve? – perguntou a garota de longos cabelos erguendo-se para olhar a outra nos olhos. – Que cara é essa Set-chan?
            Setsuna corou por um instante, mas rapidamente acalmou-se. “Vamos lá... qual o problema afinal?” disse sua consciência apoiando seu instinto que dizia para dar vazão a sua idéia repentina. O estranho é que essa vontade parecia surgir de algum lugar próximo de onde estava a estranha sensação que vinha tendo o dia todo:
            - Você quer voar? – perguntou a espadachim com um olhar direto e sem nenhuma timidez para Konoka que sentiu o coração dar um pulo diante dos olhos profundos da garota.
            - Voar? Agora? – perguntou confusa e ao mesmo tempo ansiosa.
            - É. Pra algum lugar mais calmo. – Setsuna não sabia por que, mas sentia que aquilo que dizia era a coisa mais certa a se fazer naquele momento. Mesmo que o convite dela pudesse ser interpretado de uma maneira maliciosa, a quase-maga sentia que não havia realmente nada de tão obscuro assim nas intenções de sua Set-chan. Que seria de tomar uma atitude assim tão repentinamente seria.... aquela outra pessoa.... mas ela já tinha ido para sempre.
            - Ta bom.
            Sem que as outras garotas notassem (elas pareciam mesmo era muito concentradas em fazer Evangeline aceitar de vez que se embriagassem com seus vinhos raros) Setsuna pagou Konoka no colo e abriu suas asas. Konoka sentiu uma emoção intensa ao ver aquelas asas brancas e límpidas. Nunca se cansaria de ver a figura angelical de sua Set-chan naquela forma. Ficava incontestavelmente igual a uma criatura divina daquele jeito (mesmo que ela própria nunca tivesse visto mesmo uma criatura divina alem dela). Era mesmo a garota de mais sorte no mundo por ser amada por seu anjo. Setsuna voou e desceu, desceu até a praia que havia no refúgio. Ali com certeza era bem distante dos olhares das outras pessoas. Era o local perfeito para passar algumas horas, ou quem sabe a eternidade, desfrutando da companhia intima de sua princesa.
            A quase-maga não fez cerimônia sentando-se na areia perto do mar e puxar Setsuna para o seu lado. O céu estava começando a tingir-se de um laranja vivo e as duas passaram alguns segundos em silencio admirando a beleza daquele pôr-do-sol ilusório tão belo:
            - Isso é melhor do que qualquer sonho que eu já tive, Set-chan. – disse Konoka quebrando o silencio, seus olhos ainda observando o horizonte. – Estar com você aqui agora é um sonho único.
            Setsuna sentiu o coração aquecer-se a essas palavras. Mesmo que já tivesse ouvido antes, ainda era como algo inimaginável para ela. O amor de sua Kono-chan... quanto tempo havia sofrido por acreditar sentir algo não correspondido, por pensar que nunca poderia expressar seus sentimentos tão... verdadeiros. Mas tinha mesmo se tornado verdade que sua Kono-chan a amava e isso era algo tão incrível que ainda era difícil de acreditar:
            - Eu... também... – a espadachim tentava dizer sem conseguir vencer completamente a timidez. Era tempo demais reprimindo seus sentimentos para libera-los de maneira tão fácil. - ... também estou muito feliz... de estar com você... aqui...
            Konoka virou-se para encarar Setsuna. Os olhos negros da hanyo pareciam um abismo sem fim no qual queria perder-se para sempre. Sentia como se tivesse lutado toda a suas vida apenas para poder agora ver-se de frente para aqueles olhos. Sem perceber foi aproximando seu rosto do da “quase-alguma-coisa” que não fez nem menção de se afastar ou mesmo ficar desconcertada. Talvez também estivesse hipnotizada pelos olhos cor de chocolate da Konoe:
            - Eu te amo de verdade Set-chan. – disse sem realmente perceber que falava e Setsuna aproximou-se mais. Konoka estava com o corpo quase encostado no da guerreira e ambas podiam sentir o calor do corpo uma da outra. Setsuna se conteve apenas por um segundo antes de acabar com a distancia que separava seus lábios dos de sua princesa.
            Konoka perdeu a noção de realidade em meio as carícias de seu anjo. Setsuna degustava os lábios da maga com muito mais vontade e menos timidez do que fizera da vez anterior. Aos poucos os beijos foram se tornando mais quentes e profundos. A cada minuto que provava um pouco mais do calor da boca de Konoka, a espadachim tentava provar um pouco mais. Em determinado momento moveu-se e segurou o queixo de Konoka para que pudesse beijá-la profundamente. A quase-maga apenas aproveitava para também sentir o gosto que tinha sua Set-chan. Estava entorpecida por aquelas sensações de prazer, teve certeza que nenhuma bebida ou coisa qualquer poderia levá-la aquele estado de completo esquecimento do mundo.
            “O que é ‘mundo’ mesmo, afinal?”.




            O tempo foi passando sem que as duas percebessem e a noite caiu completamente tornando o céu negro e pontilhado de um número de estrelas sem fim. Setsuna envolvia a quase-maga completamente com o calor do seu corpo e dos seus beijos e Konoka segurava a espadachim junto a si com o a mão. Apenas depois de um tempo que parecera sem fim para ambas, elas se separaram e encostaram as testas. Setsuna manteve-se de olhos fechados como se relutasse em acordar de um sonho maravilhoso e Konoka admirava a face linda de sua protetora com um sorriso abobalhado que nem percebia estar:
            - Já deve ser tarde. – comentou a espadachim ainda sem abrir os olhos sentindo o vento frio. – O mar já esta esfriando...
            - ... – a outra apenas continuava a admirar sua “praticamente-alguma-coisa” com um sorriso que parecia querer se tornar perene ali. Setsuna abriu os olhos e encarou o rosto absurdamente belo e fofo de Konoka. Um terno sorriso também surgiu na face dela. Queria ficar ali pelo resort da vida a admirar a criatura mais bela do Universo. Infelizmente seu senso de “estraga-prazeres” despertava muito rapidamente e ela não conseguia ignorar o fato de que já devia ser muito tarde.
            - Melhor voltarmos lá para cima. – disse ela despertando de vez e trazendo a quase-maga também de volta ao mundo.
            - Dorme comigo, Set-chan?
            - Quê?!
            Dez minutos depois as duas entravam silenciosas pelo dormitório do refugio. Realmente deveria ter tido uma farra daquelas: havia copos e restos de comida por todos os lados, as garotas pareciam ter desmaiado depois da festa. Ninguém ali movia um músculo sequer enquanto dormia.
            Konoka foi até um armário próximo para pegar um pijama. Havia se tornado tão normal a presença do grupo no refúgio outrora particular da vampira que já havia roupas para todas dormirem de reserva. Sem o menos pudor Konoka começara a despir-se e Setsuna corou violentamente ao virar-se para esta e vê-la desabotoando o sutiã. Teria gritado se não soubesse que isso acordaria a todas. Levou as mãos a boca e virou-se costas bruscamente. A quase-maga riu-se da reação da “realmente-ex-amiga”  e continuou trocando-se calmamente.
De repente ocorreu a Setsuna que as duas dormiriam na mesma cama aquela noite. Seu rosto avermelhou-se perigosamente, mas a garota tratou de acalmar-se. Claro que nada aconteceria, e isso por dois motivos bem claros: não estavam realmente sozinhas ali (“Ah... nada que um pouco de silencio ou mesmo um feitiço de surdez não cuidasse”).......... ah........ bem, e dois: ainda era mesmo muito cedo para.....(“fazer coisas bem divertidas?”), NÃO! Ah....... a-a-adiantar tanto o relacionamento delas. Estava tão bom curtir cada novo passo assim, sem muita pressa.... por que avançar o sinal assim agora?(“Por que seria BOM demais....”)......................hum, a meio-uzoku nunca se acostumaria com as opiniões que vinha do seu sub-consciente...
“Ah.... os leitores vão mesmo ficar chupando dedo?! Que maldade....”.
- Não vem Set-chan? – chamou Konoka e só então Setsuna virou-se novamente na direção desta. A garota já estava sentada como uma criancinha esperando a hora de ir para o parque em uma cama de solteiro. De solteiro?! Ah... tinha mesmo que afastar esses pensamentos ‘sujos’(“Sujos nada! Ótimos!”). Se não, não conseguiria pregar os olhos aquela noite. Balançou a cabeça com força antes de ir até a Konoe.
Deitaram e Konoka rapidamente aninhou-se nos braços de sua Set-chan com o rosto não muito distante do desta. Setsuna sorriu, já estava completamente sob controle e podia admirar a fofura de sua princesa sem temer fazer ‘bobagens’ (“Ah.... estragou a onda dos leitores mesmo!”).  Sono veio caindo sobre ambas rapidamente. A sensação de paz que sentiam cooperava incrivelmente para isso. A sensação de aperto que Setsuna sentia no peito havia desaparecido completamente. Era como se estivesse em paz por ter aproveitado verdadeiramente o tempo que tinha e agora não precisasse temer nada:
- Quero viver tardes assim para sempre Set-chan... – disse Konoka com os olhos semi-cerrados.
- Eu também Kono-chan. Quero ficar assim pra sempre com você... – respondeu Setsuna adormecendo logo em seguida e rapidamente a Konoe também dormiu. Tiveram sonhos tranqüilos aquela noite, na verdade o melhor sonho deveria ser relembrar as horas aproveitadas naquela tarde ilusória. Ambas tinham certeza de que nada podia separa-las ou lhes fazer qualquer mal. Tinham uma a outra.
“Gostaria mesmo que isso fosse verdade” disse uma voz no escuro daquela noite literalmente mágica.

[Lives] 14 - A outra Setsuna (Parte 2)


Konoka estava sentada em sua cama fintando os próprios joelhos. Era o inicio da tarde do terceiro dia sem Setsuna e a quase-maga já se sentia totalmente esgotada pela falta do calor da espadachim. Como não teriam aulas naquela tarde Kazumi e Haruna já estavam planejando algo para o grupo fazer durante as horas livres.
A garota sentia uma ansiedade grande misturada com um temor crescente, isso por que estava apenas ela e Setsuna-P no quarto. Ela olhava de relance para a shikigami que apreciava a paisagem vista pela janela do aposento. Estava como sempre fazia, com os cabelos soltos e trajava o uniforme escolar. Tinha um leve sorriso no rosto e Konoka se perguntava se era pela paisagem ou por ter novamente a chance de estar a sós com ela.
Konoka havia conseguido evitar bem o contato com Setsuna-P no segundo dia, já que havia passado maior parte do tempo grudada em Asuna fazendo até está insinuar que estava muito carente pra apenas dois dias sem sua protetora. Mas agora estavam apenas as duas no quarto por um tempo que parecia sem fim. A ruiva havia saído para tomar um banho e Negi havia dito qualquer coisa sobre falar com Takamichi. Mas... e agora? Como conseguiria fugir da pseudo-espadachim daquela vez?
Setsuna-P por sua vez observava a paisagem da república estudantil como se avaliasse algo. Seus olhos corriam as árvores externas, mas parecia não realmente vê-las. O que estaria pensando? É... realmente era um shikigami pensante. O olhou de canto para Konoka que ainda fintava os joelhos como se temesse levar um castigo ou coisa do gênero e sorriu um pouco mais:
- Algum problema Ojou-sama?
Konoka pareceu despertar com o som da voz de Setsuna que por um momento breve a fez se animar. Apenas por um segundo por que logo se lembrou de quem se tratava:
- N-Não é nada... – procurava não olhar nos olhos da “garota”, tinha medo. Eram os mesmo olhos de sua Set-chan, porém sem o mesmo brilho sereno.
- Hum? – Setsuna-P pareceu reparar em algo e se aproximou de Konoka sobressaltando-a, fazendo-a fintar o rosto agora sério desta. Para o horror da garota de cabelos longos a pseudo-garota apoiou um dos joelhos na cama ao lado dela e se curvou sobre esta enquanto a mesma recuava até a parede já corando e sentido o coração acelerar. Setsuna-P passou a mão lentamente pelos cabelos de Konoka que se sentia completamente indefesa.
- O-Oo que você está f-fazendo? - perguntou engasgada sob o olhar penetrante da outra. Setsuna-P sorriu de lado.
- Nada. - respondeu tirando uma folha seca que devia estar presa nos cabelos de Konoka. - Viu? Só estava tirando isso, mas se quiser... - continuou jogando a folinha pra trás e  aproximando-se mais. -  ... posso fazer outras coisas...
- E-es... - Konoka podia sentir novamente  a respiração  de Setsuna-P sobre o seu rosto. Sua mente ia ficando anestesiada e seu coração completamente descompassado.  Mas não podia perder a razão logo agora! -  ... espere...
- Vai dizer que não quer estes lábios nos seus, Ojou-sama? - desafiou Setsuna-P com tom de quem sabe que esta dominando completamente a situação.
E estava mesmo, pois Konoka estava fisicamente acuada e psicologicamente perturbada. Claro que queria aqueles lábios! Seus instintos gritavam em concordância, mas sua consciência ainda tentava fazê-la voltar a razão. Aquela luta interna a fazia se encolher contra a parede, mas ainda assim não fazer nada para se ver livre da pressão da "garota":
- E-eu... eu... - tentava dizer sem saber se completaria a frase incluindo um “não”. O pior é que as duas frases tinham um "quero" no meio. Isso era demais para qualquer mente adolescente bombardeada de homônios! Setsuna-P parecia plenamente ciente de sua vantagem esmagadora contra a frágil força de vontade da quase-maga e parando para sentir o prazer da vitória apenas por um segundo antes de tomar os lábios de Konoka.
Konoka não pode resistir, estava completamente anestesiada. Apenas respondia à pseudo-espadachim até mesmo quando essa invadiu sua boca com desejo. Até mesmo a maneira de beijar era completamente diferente da de Setsuna, havia muito menos pudor e muito mais... ah... alguma coisa que fazia a garota não conseguir resistir. Setsuna-P não parecia disposta a largar os lábios que havia insistido para conseguir, na verdade parecia disposta a ir muito além se não houvesse uma interrupção inconveniente. Apertava o ombro de Konoka com força quase a machucando, não permitiria que está tentasse fugir de seu contato nem por mais um segundo. Setsuna-P parecia necessitar daqueles lábios, como se os tivesse desejado por muito tempo, mas.... seria isso?
Para o azar da “garota” e a sorte da mente totalmente dominada de Konoka, o som estridente de um celular despertou-as fazendo se separarem. Setsuna-P tirou o celular que na verdade era de Setsuna do bolso sem tirar os olhos dos de Konoka. Já esta tentava recuperar a respiração enquanto a mente trabalhava ainda desnorteada, evitou olhar nos olhos de sua... “dominadora?”:
- Sim? – perguntou Setsuna-P ao aparelho com a voz com o mesmo tom sem emoção que costumava usar como formal, porém deixando transparecer uma leve irritação. Ainda encarava os olhos desviados da quase-maga, o rosto a dez centímetros do dela. – Kazumi-chan? O que houve?... Sim... Certo, estarei aí em quinze minutos. – e desligou o aparelho recolocando-o no bolso da camisa.
- ... Era a Asakura-chan? – perguntou Konoka recuperando a fala, mas ainda sem encarar o rosto próximo ao seu.
- Sim. Ela nos convidou para uma pequena comemoração na área próxima ao prédio 3 do colegial. – disse a pseudo-espadachim, dessa vez deixando transparecer claramente um tom de frustração. Konoka se viu agradecendo aos céus intimamente por aquilo.
- Então devemos ir... certo?
- ... Sim. Devemos. – respondeu Setsuna-P saindo de cima da garota ainda com uma leve expressão de descontentamento. Konoka levantou-se da cama e desamarrotou um pouco a blusa, se surpreendeu ao olhar de relance para a outra e ver um sorriso no seu rosto.
- Hum? – sem saber o porquê, sentiu o coração pular. A “garota” pareceu perceber isso.
- Não se preocupe Ojou-sama. Ainda teremos algum tempo para aproveitar. – disse com o olhar mais malicioso que Konoka já vira do rosto de sua Set-chan. Ei! Mas não era sua Set-chan! – E farei de tudo para que seja da melhor maneira possível.
Konoka ficou petrificada. A pseudo-garota nem pareceu perceber ou se importar, foi em direção a porta o mais lento e calmamente que pode deixando uma quase-maga afogada em seus pensamentos que viajavam a mil. A garota sentiu-se péssima, um lixo. Era como se algo dentro dela a sufocasse e queimasse por dentro. Como fora capaz!? Como havia se deixado levar daquela maneira!? Era um monstro! Estava traindo os sentimentos de sua pura e angelical Set-chan!!! Como podia?! Não! Aquilo tudo estava indo longe demais! Não podia permitir que Setsuna-P brincasse assim com os sentimentos dela! Tinha que dar um basta naquela situação antes que passasse dos limites além dos limites que já havia passado! Se conteve para não cair nas lágrimas antes de sair do quarto, sentia-se mais desamparada do que nunca.
“Cadê você, Set-chan?”
No dia seguinte estavam Negi e bando mais uma vez no resort de Evangeline para assistir, atrapalhar e dar palpites bem indesejados nos treinamentos do garoto. Konoka estava murcha sentada de costas para Asuna que se tornara novamente seu escudo sem mesmo perceber, apoiando-se nela. Setsuna-P passeava pelo lugar com Kazumi e Paru admirando a paisagem exótica enquanto o trio biblioteca e Kotarô observavam o treino de kung-fu de Negi e Kuu Fei:
- Nossa... uma paisagem incrível... – comentava Setsuna-P admirando o céu ilusório enquanto a brisa do mar batia no seu rosto. Hoje dispensara o uniforme escolar por um conjunto totalmente preto e estava com os cabelos soltos como sempre.
- Você gosta de observar os lugares, não é Pee-chan? – perguntou Asakura que se referia a “garota” por um apelido dado por ela e Paru logo no segundo dia convivendo com esta.
- São belas paisagens que merecem nossos olhares... – respondeu e as duas garotas se surpreenderam com a poética desta.
- Ei Asakura-san! Que tal tirarmos uma foto da Pee-chan para deixar de recordação desse período em que ela foi a nossa Sakurazaki-san? – sugeriu Paru animada e Kazumi se animou também.
- Ótima idéia! Que tal Pee-chan? – perguntou a paparazzi já sacando a câmera e observando a luz do lugar.
- ... – Setsuna-P sorriu. Parecia contente com a possibilidade de marcar sua passagem de alguma maneira. Talvez significasse algo para alguém que não tinha realmente uma história. – É uma boa idéia.
Paru e Asakura logo trataram de mexer Setsuna-P de um lado para o outro para pegar os melhores pontos de iluminação e tirar várias fotos. Um pouco distante delas, Evangeline observava a cena.
Realmente havia algo de muito estranho na shikigami, concluiu a vampira que reparava em cada atitude desta desde o primeiro dia desta no lugar da espadachim shinmei. Alguns detalhes que não escapavam de seus olhos era, por exemplo, o fato desta não usar uma espada de kendô, mas sim uma espada mais larga como a dos cavaleiros ocidentais. Até mesmo sua maneira de lutar não era de um espadachim japonês... em alguns momentos da luta que tivera logo no primeiro dia a imortal conseguira até mesmo vislumbrar movimentos que lembrava o kung-fu e o karatê. Mas o que seria afinal aquele shikigami?
Seja lá o que fosse, Evangeline tinha certeza que a espadachim original teria muita dor de cabeça quando voltasse para Mahora. Konoka Konoe não era capaz de esconder nenhum sentimento dos olhos apurados dela. Talvez devesse interrogar a discípula para saber até onde a “garota” havia ousado chegar, mas talvez não fosse realmente necessário. A cara de culpa e pesar da quase-maga já eram o suficiente para ela deduzir o que queria facilmente.
“É... você está com bons problemas, Setsuna Sakurazaki”

[Lives] 11 - Coração versus Espada


Havia algo de diferente no ar aquela tarde. Mana Tatsumiya, Kaede Nagase e Setsuna Sakurazaki estavam finalmente chegando ao misterioso templo Kurokawa, muito além das fronteiras da cidade de Kyoto. Já faziam mais de cinco dias desde que chegaram ao templo central da associação de Kansai e finalmente iriam encontrar com seus inimigos naquele dia, uma batalha que caminhava para ser bem interessante. Caminhavam até a entrada do lugar em silêncio repassando cada uma mentalmente o objetivo de estarem ali.
           


"Existe um amuleto muito poderoso chamado Chikarasei." Havia dito Eishun Konoe às três mulheres quando estavam em sua sala há cinco dias atrás e elas apenas ouviram atentamente como boas servidoras. "O que temos certeza é que há um mago, provavelmente de origem ocidental, que está empenhando-se em conseguir este artefato".
            "Então nosso trabalho é acabar com ele." Concluiu Mana sem deixar o mago concluir seu discurso. Este apenas sorriu calmamente antes de prosseguir. Um sorriso bem ao estilo que lembrava Konoka na opinião de uma voz que só podia ser ouvida por Setsuna.
            "Não exatamente Tatsumiya. O fato é que este mago está se utilizando de ajudantes para caçar o tal amuleto. Por tanto dificilmente vocês o encontrarão durante a perseguição a seus servos.".
            "Deveremos apenas impedi-los, então Mestre?" Perguntou Setsuna com um tom totalmente profissional, como o de um arquiteto falando de sua próxima obra.
            "Sim. O poder deste artefato é muito grande e pode ser usado para coisas terríveis se cair em mãos erradas. O que a associação quer é impedir este inimigo ainda oculto de botar suas mãos nesse poder". Respondeu Eishun sério. "Esse é o dever de vocês nesse serviço senhoritas. Bom trabalho".
            "Coisa besta." Murmurou Mana torcendo os lábios. 



            - Parece que são três. - disse Kaede com seu tom sereno comum, porém deixando transparecer uma compenetração grande.
            - Isso é bom, fica um pra cada uma de nós. - disse Mana engatando as pistolas que levava nas mãos.
Setsuna nada disse, tentava esvaziar a mente para concentrar-se apenas na batalha que se aproximava, mas alguma coisa em sua mente, sem contar com sua consciência, não lhe vazia esquecer de Konoka. Por que estava tão inquieta? Afinal só haviam se passado cinco dias Não era tanto tempo assim! Mas... o que estaria acontecendo em sua ausência? O que estaria fazendo Setsuna-P em seu lugar? Havia dado total liberdade para a shikigami se fazer passar por ela na frente dos leigos. Pensando bem, era mesmo uma idéia bem imprudente deixar um shikigami tão estranho como Setsuna-P se passar por ela. Mas... por quê? Sua inquietude era tanta que se perguntava se não seria aquilo algum feitiço de telepatia incompleto que Konoka estaria fazendo para chamá-la. Mas a maga não tinha os poderes tão desenvolvidos para isso. A espadachim sacudiu a cabeça levemente para afugentar esses pensamentos confusos que pareciam ter virado rotina na mente adolescente dela. Respirou fundo e silenciou os pensamentos quando as três mulheres botaram os pés no templo abandonado.
Apesar de desolado, o templo Kurokawa inspirava respeito e uma aura mágica evidente. Setsuna percebeu imediatamente uma fonte poderosa de poder vindo do centro do templo. Devia ser o tal Chikarasei. Kaede segurou melhor seu enorme bumerangue que usava em batalha e franziu minimamente as testa. Mana ergueu os braços. As mercenárias pararam ao se verem de fronte a outras três pessoas que as encaravam paradas, como se as esperassem.
A batalha estava prestes a ter inicio.
O vento soprou durante os segundos em que se fez completo silêncio na cena. As árvores desfolhadas ao redor balançaram-se debilmente:
- É garotas, acho que está na hora do nosso show. - disse Mana observando uma arqueira alta e fina que já segurava seu arco de maneira segura, tinha uma expressão sem emoção.
- Perece que sim, de gozaruna. - concordou Kaede observando um lutador grande e pesado que alongava os braços com os olhos fixos nela.
- ... - Setsuna nada disse. Sua expressão tornou-se um pouco mais de surpresa do que de concentração. Seus olhos fintavam outros olhos que a observavam profundamente por detrás de duas lentes pequenas e arredondadas. Observava o sorriso se formar nos lábios de uma jovem espadachim que carregava duas espadas curtas e rápidas nas mãos. Aquelas eram espadas, óculos e olhos que já encarara outra vez no passado. Um mal pressagio sobre a batalha veio-lhe.
Tsukuyomi por outro lado, sorriu ainda mais abertamente.





A batalha se desenrolava de maneira frenética. As enviadas da associação de Kansai haviam se separado para enfrentar cada um de seus oponentes. Era possível ouvir sons de explosões e golpes por todo o templo Kurokawa. As poucas partes que ainda preservavam a arquitetura intocada iam se tornando também um monte de pedras e madeira conforme a batalha passava por ali.
            Setsuna Sakurazaki desferia golpes potentes contra sua adversária que desviava e contra-atacava com sua técnica de espada dupla de maneira perigosa, por pouco não arrancando algum membro da espadashim. Tsukuyomi sorria insistentemente enquanto avançavam pelos corredores trocando golpes perigosos, parecia estar brincando com a paciência da guarda-costas, mas Setsuna tentava manter-se impassível a provocação constante:
            - Rai Mei Ken Duplo! - exclamou Tsukuyomi golpeando usando a eletricidade nas lâminas de suas duas espadas curtas. Setsuna sentiu o impacto mesmo defendendo, indo parar a cinco metros da outra espadachim Shinmei.
            Encararam-se por um instante e puderam ouvir uma explosão que parecia ser de um míssil, seguida de um clarão vindo de uma outra parte daquele templo:
            - Parece que suas amigas não estão tendo muita facilidade, senpai. - comentou a garota de óculos encarando os olhos de Setsuna com a estranha meiguice que sempre usava para esta.
            - Não sabia que agora você se vendia para qualquer bandidinho. - provocou Setsuna mantendo o olhar, apesar de sentir um estranho incomodo.
            - É... esse não é mesmo o tipo de serviço que costumo pegar. - concordou Tsukuyomi sem tirar o persistente sorriso do rosto. - Mas não pense que estou me importando com algum deles, ou mesmo com o tal Chikarasei.
            - Então por que está aqui? - Setsuna não conseguia ver nenhum outro motivo para a presença da garota.
            - Hu... às vezes sua ingenuidade me surpreende, senpai. - riu-se Tsukuyomi e Setsuna pode ouvir um "Será que..." vindo de sua mente antes de ter que esquivar-se de mais um golpe ágil da menor.
            Recomeçaram a batalha frenética. Tsukuyomi atacava repetidamente Setsuna que tinha que segurar um de seus braços e defender a outra espada a cada golpe. A espadachim parecia decidida a fecha-lá para que não pudesse mais esquivar-se de seus golpes. Em certo momento golpeou a espada de Setsuna com toda a força:
            - O quê...? - Setsuna exclamou sentindo seu braço recuar pela força do golpe. Estava completamente aberta para um golpe. Estava encrencada e não tinha certeza se sairia inteira. Porém, ao invés de perfurar-lhe o ventre desprotegido com sua outra espada, Tsukuyomi colocou a mão atrás do pescoço da veterana e, mais do que inesperadamente, a beijou.
            Setsuna não teve reação por um momento. Tentou afasta-se, mas Tsukuyomi segurava-lhe pelo pescoço tentando quase desesperadamente manter o contato com os seus lábios. Depois de alguns segundo a guarda-costas empurrou a menor com força conseguindo separar-se, afastando-se alguns passos, a mão próxima aos lábios, uma expressão de total incredulidade.
            Mas o que fora aquilo? "Mas que diabos essa garotas fez!?". Sim, Setsuna não conseguia entender a atitude de Tsukuyomi. Encarou com espanto e raiva os olhos quase vitoriosos da garota de óculos. Como tinha coragem!? A confusão não lhe deixava associar suas idéias que disparavam. Sentiu que estava corada e com a respiração um pouco descompassada, "Claro! Isso é assédio!!!" esbravejou sua consciência que também parecia abalada com a situação:
            - Ela não pode ser sua, senpai. - disse Tsukuyomi e Setsuna despertou imediatamente de seus pensamentos embaralhados.
            - O quê...? - não podia estar falando de quem achava que estava.
            - Será que você não vê, senpai. - continuou a espadachim que demonstrava agora uma exasperação e até angústia nas palavras. - Ela e você são de mundos diferentes.
            - V-você... - Setsuna percebia a cada segundo que a garota falava exatamente de quem imaginava. O espanto e temor cresciam nela: como podia saber qualquer sobre...
            - Konoka Ojou-sama nunca vai poder ser sua, senpai. - sentenciou Tsukuyomi e tudo pareceu ficar em silêncio àquelas palavras. O coração de Setsuna apertou terrivelmente: ela sabia. Mas... Como!? Percebeu que não poderia tomar mais uma postura evasiva diante do discurso da garota.          
            - Em que isso te interessa Tsukuyomi? - perguntou Setsuna decidida a entender o que estava acontecendo ali. A garota sorriu triste.
            - Como eu disse: sua ingenuidade me surpreende senpai. - disse. - Será que não é claro agora?
            - Tsukuyomi... - a meio-uzoku fitou os olhos escuros que agora refletiam uma mágoa profunda. - ... Eu não...
            - Eu não quero que você se machuque, senpai. - disse ela aproximando-se de Setsuna que se encolheu ligeiramente. - Por que não esquece isso antes que seja tarde?
            - Mas... - agora sim começava a compreender perfeitamente a situação e não acreditar no absurdo daquilo tudo. Ela não poderia estar querendo dizer que...
            - Por que não deixa Mahora e vem comigo de volta para a escola Shinmei, senpai? - pediu Tsukuyomi que parecia perto das lágrimas, estava ruborizada e se aproximava constantemente. Setsuna sentiu-se encostar contra a parede.
            - Vocês são totalmente diferentes, senpai. - disse apoiando as mãos na parede pelos lados de sua senpai. Setsuna sentiu o coração disparar novamente, não entendia o porquê de se sentir tão impotente diante das palavras de sua adversária. - Mas nós duas... nós somos iguais. - concluiu antes de tomar novamente os lábios de Setsuna.
            A meio-uzoku sentiu-se completamente paralisada diante daquela situação. Então era por isso... tudo, desde a segunda vez em que vira Tsukuyomi... não era apenas uma birra de sua consciência... era verdade. Não conseguia acreditar, mas a verdade era evidente nos beijos cheios de calor que recebia da espadachim.
            Mas o pior de tudo era o fato de que Tsukuyomi tinha toda a razão.
            Havia uma dor no peito de Setsuna: Konoka nunca seria dela, isso era absolutamente verdade... Então... Por que não desistia de Mahora? Por que não se desligava do que só lhe causaria dor mais cedo ou meia tarde? Será que agüentaria ver Konoka noivar com um mago qualquer indicado pelo conselho das Associações de Kanto e Kansai? Claro que não! Então... por que querer aquela dor? Não havia sentido...
            Por um instante Tsukuyomi sentiu Setsuna retribuir-lhe os beijos e sentiu que estava vencendo a batalha: não a batalha de antes, por um amuleto idiota, mas sua grande luta pelo coração de sua senpai que tanto admirava. Chegou a pensar que estava com a vitória nas mãos, mas foi nesse instante que Setsuna a empurrou com uma certa violência fazendo-a recuar quase três metros. Encarou sua senpai ofegante, esta também estava com a respiração desequilibrada. Assustou-se, porém, ao ver uma raiva e determinação que vira apenas e pouquíssimas ocasiões, sempre envolvendo a filha dos Konoe:
            - Senpai?
            - Mesmo que eu nunca possa ficar com ela... - começou Setsuna encarando sem piscar os olhos por detrás das lentes de Tsukuyomi. - ... Ainda assim... meu dever é proteger Konoka Ojou-sama... mesmo que ela nem saiba que eu existo... - Setsuna tinha que dizer aquilo para que ela mesma voltasse acreditar no seu dever. - É para isso que eu vivo... Eu não vou sair de Mahora.
            Tsukuyomi engoliu em seco. A dor de ouvir aquelas palavras não podia ser descrito. Era absurdo, mas não podia aceitar perder daquela maneira. Por que?... Tinha vontade de matar Konoka ou mesmo sua senpai por ser tão idiota.como podia preferir a patricinha da herdeira dos Konoe a uma vida de liberdade para lutar. Tremia por inteiro. Encarou com ferocidade Setsuna. Mesmo que tivesse perdido, não ia desistir daquela batalha tão fácil:
            - Então só me resta tentar impedi-lá de uma maneira. - disse colocando-se em posição de luta e Setsuna empunhou Yuunagi novamente. -  Vamos ver até quando vai insistir nesse absurdo...
            Recomeçaram a batalha. Dessa vez Tsukuyomi parecia muito mais decidida a ferir Setsuna do que antes. Setsuna também mais decidida a parar os golpes rápidos e perigosos da garota, queria acabar com a batalha o mais depressa o possível.
Nenhuma das duas lembrava-se o motivo pelo qual estavam ali. Aquela disputa estava muito mais no campo interior e pessoal delas do que em qualquer missão ou amuleto que fosse. Era uma disputa entres seus corações e suas espadas. Era uma batalha feroz onde não há regras ou limites. Continuaram assim por horas a fio, sem ao menos saber se a disputa real pelo Chikarasei havia terminado ou não, cada uma determinada a provar que estava certa e a outra completamente errada.
Porém só o tempo poderia dizer quem venceria a verdadeira batalha que travavam.