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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

The Superbit {...} Reborn?

O tempo é uma das mais convincentes convenções humanas que encontramos por aí. Sempre achamos que estamos indo para "frente"  no tempo, quando na verdade não existe realmente uma relação espacial entre o que já aconteceu e o que ainda vai acontecer. Tudo está no aqui e agora. Se hoje já faz mais de dez anos desde que algo aconteceu isso não significa que está "longe". Não existe distância quando falamos do tempo.

Estou falando de tudo isso para chegar ao ponto de que, por mais que o tempo nos "afaste" de algumas coisas ainda somos na verdade tão capazes de alcançar aquilo quanto éramos no momento seguinte ao primeiro acontecimento. Certo, não é possível reverter fatos encadeados, ou fazer voltar a juventude de outrora. Porém sempre é possível dar mais um passo em uma daquelas inúmeras estradas intelectuais abertas há tantos anos.

The Superbit {...} foi um nome estranho que utilizei para um blog sobre programação. O projeto teve curta duração e, tantos anos depois, parece quase estranho uma estudante de Letras para Tradução ter feito aquilo. Porém a questão é que, mesmo não programando profissionalmente há cinco anos isso não faz de mim menos programadora. Programar é algo que está na raiz do indivíduo, como a criatividade e o impulso artístico.

Programar é arte, The Superbit {...} é um nome bom pra caramba e estou fazendo uma coleção de pseudônimos e linhas de trabalho literário já incontáveis. O que tudo isso significa? Que sempre é momento para continuar o que parece ter ficado tão distante, no tal do tempo que na verdade não tem nada haver com proximidade ou longitude de qualquer coisa.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Mundo Cyberpunk

O Cyberpunk não morreu, ele virou nosso café da manhã todos os dias quando abrimos os jornais virtuais.

O mundo vai ser destruído pela histeria. Vivemos na Era da Histeria, sucessora maléfica da Era da Informação. Neste momento utilizamos todos os meios de alta-tecnologia desenvolvidos até então para gerar ondas de ódio e reações descomunais pela menor das coisas. Não existe mais uma satisfação do Eu que não seja o Eu Virtual. Todos são avatares de si mesmos, alguns com o próprio nome e foto, outros com imagens de quaisquer naturezas e nomes de qualquer origem que lhe agrade mais do que o da sem graça realidade.

O conceito de realidade e de vida se tornou obsoleto. Realidade é uma mensagem de internet, vida é o tempo que você desprende consumindo a avalanche interminável de conteúdo supérfluo que te deixa feliz e anestesiado das ondas de histeria. Para sobreviver é preciso enlouquecer e matar por qualquer coisa estúpida como opinião.

A maioria das pessoas vive conectada. Seus rostos estão vazios enquanto elas olham para o buraco infinito na palma da mão. A Internet. São capazes mesmo de esquecer do que acontece ao redor, das pessoas ao redor, e muitas vezes o fazem propositalmente para anular qualquer sentimento que a realidade imediata possa lhes trazer. Esquecer-se é o mais importante. Esquecer-se de quem é, de onde vive, das suas falhas, dos seus sucessos. Esqueça de tudo, viva quatrocentas e cinco vidas diferentes nestes nossos quatrocentos e cinco sites/jogos/mmos/redes distintos! Seja o que você jamais poderia ser, de graça! Claro que para os assinantes premium tudo isso será liberado, sem propagandas!
Os dias passam, os meses passam, os anos passam. Por mais que sejamos obcecados pelo buraco infinito da Internet nossos cérebros e corpos foram feitos para um mundo de carne e osso. Não percebemos o tempo no digital. Ontem parece hoje, dez anos traz é mais longínquo do que a Primeira Guerra Mundial. Criamos novas possibilidades de guerras porque estamos entediados, porque nosso ego fraco é massageado todas as vezes que alguém curte uma postagem nossa.

Desplugar parece impossível, inviável. Ninguém pode viver sem informação. Como o dia de alguém poderia estar completo se essa pessoa não ver a última da última selfie publicada por aquela idol lindinha na rede? Essencial. Ler todas as traduções oficiais e piratas dos conteúdos especializados que tanto se cultua. Imprescindível. Ver o mais novo ataque de ódio ao estilo medieval vindo de pessoas que nunca ouviram falar da palavra empatia. Sim, sem isso não daria para viver.

Ninguém propaga o amor, só o ódio. O ódio contamina, se espalha e nos devora antes que sejamos capazes de enxergar o que estamos fazendo. Nos tornamos zumbis da rede e zumbis do ódio. Odiamos o filme novo da DC, odiamos quem odeia o filme novo da DC. Odiamos os odiadores que odeiam pessoas que só não queriam ser odiadas por serem que são. . . Há regras para todos os lados. Seja isso, seja aquilo, não seja um devorador de criancinhas. . . Penso que cabeça terão as tais criancinhas, crescendo nesse mundo de gente que tem mais medo de gente do que gente tinha medo de pecado na tal Idade Média.

Talvez pareça impossível se desplugar, mas falando por experiência digo que é a melhor coisa. Talvez seja impossível mesmo escapar desse mundo cyberpunk que nos vem à mesa todos os dias, mas alguém tem que ser da Resistência e, para isso, basta vencer o medo do silêncio absoluto de estar sozinho num mundo onde até pensamentos já nascem em bytes.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Quando verdade e ficção são vistas como coisas iguais

Uma das minhas intuições pessoais favoritas é a de que para nós a ficção e a realidade tem o mesmo peso. Essa intuição só foi se fortalecendo com o tempo e leituras sobre o tema. Descobri que ao lembrar de algo não fazemos mais do que uma encenação mental de detalhes que registramos dos acontecimentos. Por termos uma capacidade limitada de guardar as informações que muitas vezes lembramos das coisas de maneira muito diferente do que outra pessoa que estava lá.

De certa forma lembrar é o mesmo que imaginar. Quando imaginamos uma cena de um livro estamos fazendo um processo bem similar ao de lembrar do primeiro dia de aula do Ensino Médio (aquela merda de dia). Ou seja, não há diferença mental entre coisas que realmente aconteceram e coisas que aconteceram em filmes ou livros.

Ficção e Realidade estão no mesmo nível. Ótimo! Comprovei minha intuição e todos foram felizes. . . Certo?

Hoje na aula de Estudos Portugueses I (a qual eu carinhosamente apelidei de Filosofia 2017/2) os debates culminaram em uma constatação no mínimo estarrecedora do momento em que vivemos: Estamos em um mundo onde alguém pode dizer que o Nazismo nunca existiu e isso ser tratado no mesmo nível do que uma declaração de um historiador com décadas de experiência do assunto sobre o oposto.

Indo para outros exemplos, estamos em um momento em que pessoas são capazes de defender a Terra Plana e dizer que toda a ciência dos séculos que nos antecederam são apenas "mentiras feitas para beneficiar os vendedores de globos terrestres pra aulas de geografia mentirosa". Não importa o quanto isso seja estúpido, simplesmente tudo é tratado como se fosse tão relevante quanto as descobertas feitas pelas pesquisas mais recentes dos astrônomos que dedicassem suas vidas nas missões bilionárias da NASA.

A mentira deixou de ser mentira para se tornar pós-verdade, para se tornar apenas mais uma versão da ficção que a verdade também se tornou. Mentira e Verdade são a mesma coisa.

Agora o que me parecia uma questão teoria interessante, que criava a possibilidade de que Sofia e Heidi e Nós estivéssemos numa igualdade de existências se ligou a um viés de violência ideológica e obscurantismo histórico que atormenta nosso convívio social diário. Vivemos em um tempo onde tudo acontece muito rápido, então não há como saber se essa onda de pensamento retrógrado irá passar em uma década e afundar nossa sociedade em um século de retrocesso perigoso em todos os níveis.

Vivemos uma histeria controlada ao limite. Aqui no Brasil estamos sendo enganados todos os dias pela classe política, engolindo um Golpe e ouvindo um bando de babacas falando em colocar um racista homofóbico como próximo presidente. Está tudo tão relativizado que isso outrora seria uma piada e agora é medo real.

Será que realmente é uma boa ideia que ficção e realidade sejam iguais?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como o acordar de um sonho

Se existe uma coisa que não existe realmente é esse tal de tempo. Pode parecer bem esquisito falar sobre isso, mas o fato é que o tempo é uma convenção que tem tanta utilidade prática quanto um lado desfavorável: o de nos tornar distante de coisas que poderíamos estar sempre próximos. Tudo porquê acreditamos realmente que dias, meses e anos são algo relevante.

Apenas ontem percebi que faz mais de dez anos desde o lançamento de uma das séries de animação que mais influenciou meu pensamento criativo: Suzumiya Haruhi no Yuutsuu. Aquilo foi uma pancada no peito. Nossa, dez anos, mas isso é tanto tempo!

Espera, é realmente tanto tempo?

De maneira inevitável meu pensamento se tornou um mar de historiografia pessoal: a época em que era uma feliz tola que organizava eventos de karaokê de músicas de anime; os dias trabalhando eventos; a capacidade de cantar mais uma vez "God Knows. . .", uma das músicas presentes na primeira temporada de Haruhi; Depois veio o desafio de mudar de um canto para o outro do país; afastamento de amigos e uma inevitável perda de boa parte da confiança e obstinação para realizar o que quer que fosse, pelo fato de ter que lidar com a jornada nada simples de aprender a viver sozinha, trabalhando para pagar aluguel em uma cidade nada convidativa como Rio Grande; então veio Porto Alegre, uma nova faculdade, a construção de novas amizades verdadeiras e então. . . Haruhi outra vez.

A música tem a capacidade de gerar um sentimento único em cada um de nós e esse sentimento não está necessariamente preso ao passado. Ouvimos música para sentir novamente o que sentíamos na época em que aquele som ficou marcado, mas nada diz que não possamos dizer que esse tempo realmente passou.

Qual a diferença entre ouvir God Knows há dez anos e ouvir agora se a sensação de ser capaz de fazer qualquer coisa no mundo em busca de sonhos ingênuos é a mesma? E daí que as leis secretas da sociedade dizem que você não pode mais ter sonhos depois dos vinte e cinco? O tal "mundo adulto" é uma chatice sem fim, com empregos medíocres e rotinas que destroem qualquer capacidade de ir além. Qual o problema de trazer de volta a força de vontade que já mudou a vida uma vez para si?

Parece uma asneira sem tamanho pensar que somos realmente incríveis e temos capacidade de realizar o que desejamos. Somos críticos e sabemos muito bem de nossas limitações, de que o caminho é longo e doloroso. Acrescentamos no nosso olhar a dose de negatividade diária e sabemos que é impossível. É impossível.

Mas precisamos enganar nossa mente viciada no fracasso. Lembrar de algo bom, fingir que ainda estamos fazendo aquela prova na qual nos saímos perfeitos. Fazer de conta que somos aquela pessoa que em um único momento de bravura deu aquela resposta certeira à uma pessoa inconveniente. Mentir pode nos tornar muito mais próximos de fazer tudo o que não faríamos se pensássemos de maneira, digamos, sensata.

Realmente faz tanto tempo desde que cantei Haruhi com meus amigos antes de partir sozinha para o outro lado do país por acreditar em amor?

Claro que não, dez anos são quase nada. Sinto como se tivesse acabado de acordar de um sonho maluco como o da Alice. Não sou mais aquela garotinha de 18 anos, mas ainda tenho toda a força para fazer o que só ela faria, enquanto cantarola a mesma God Knows.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Seria a consciência uma ilusão narrativa?

O texto a seguir é um fluxo de pensamento. Não é algo estruturado, mas sim um conjunto de idas e vindas de ideias transcritas da forma mais crua o possível, no momento em que foram colocadas em linguagem.

Trilhões de neurônios. Robôs que criam robôs e que geram uma consequência inusitada: a consciência.
A consciência é o ruído proveniente da ação desses bilhões de robôs celulares?
Somos ruído.
O fluxo de consciência não é único nem linear. Ele repete fatos e falas, mas também cria coisas novas, o tempo inteiro.
Se somos ruído, somos ruídos capazes de desvendar o Universo?
Ruído.
Se somo ruídos, basta que uma máquina também tenha bilhões de bilhões de partes lógicas independentes que esse mesmo tipo de ruído irá surgir naturalmente.
E então estará provado.
Somos consequência, não consciência.
Somos ruído.
Ruído que cria ruídos, que constrói o que não existe. Somos o ruído capaz de criar Universos novos, intangíveis. A cada segundo, para toda a eternidade.
Narramos a nós mesmos como se fôssemos um único personagem.
Obedecemos esse personagem
Ele é apenas um personagem
Não existe um Eu real, apenas uma forma narrativa que é resultado tanto de fatores químicos internos e inerentes ao caos dos robôs celulares, quanto à nossa própria capacidade de acreditar que existe um Eu real que determina como nós agimos.

A pergunta fundamental (Quem sou Eu?) é uma bobagem, afinal o Eu não é Ninguém e é todos ao mesmo tempo.
A consciência é o Tudo e o Nada.

A consciência surgiu apenas por conta da evolução? Essa evolução foi deliberada?
É possível, afinal um sujeito consciente é capaz de compreender abstrações do que um sujeito que age apenas em função de seus instintos subconscientes. É a diferença entre um cão e um homem. O homem é capaz de fazer coisas completamente sem sentido físico direto, mas que o levam à situações mais confortáveis ou favoráveis à sobrevivência.

A consciência é um ruído, mas não é um acidente.
A consciência é um ruído descontrolado, guiado pela linguagem, moldado para nos tornar capazes de sobreviver à muito mais do que os outros animais.
Mas somos falhos, nosso egoísmo e nossos impulsos violentos nos tornam destrutivos para com os outros.
Egoísmo, pensar apenas em si. Parece estranho que uma coisa ilusória como a consciência se preocupe tanto consigo mesma.
Ao mesmo tempo
É apenas sendo egoísta que a consciência consegue atingir seu potencial máximo de evolução. É assim que ela nos torna capaz de sobreviver à custa de outros, objetificá-los, ter vantagem, confortos e segurança extra. Segurança nunca é demais para a evolução.

Ou talvez seja.
Pois quando chegamos ao mundo onde conceitos importam mais do que perigos reais começamos a acreditar que realmente o tal Eu é algo que precisa ser entendido e elevado.
Nosso Eu é mais importante que o Eu dos outros.

A capacidade de abstrair estar no centro disso tudo.
Mas é notório que nossa consciência tem muitas falhas.
Ela é fraca e limitada
Pois nos prendemos à ilusão do eu
Pois somos incapazes de perceber o futuro com clareza
Por isso criamos perspectivas falsas
Criamos cenários irreais e acreditamos em falácias com muita facilidade

Somos nossas consciências?
Talvez no estado atual das coisas podemos dizer que sim
Somos os seres desse ruído
O ruído proposital
Porém estamos tão mergulhados no mundo dos ruídos que ganhamos novas camadas de complexidade que podem nos fazer bem, ou fazer mal
É a capacidade de ter crença. A mesma que pode nos fazer sobreviver às estações do ano ou pode nos levar à matar milhões de outros seres vivos sem piedade.
Mas afinal isso é mesmo algo ruim?
Os valores são coisas criadas por nós.
Mas do ponto de vista evolutivo criar violência não é inteligente quando ela gera a possibilidade de revanche, de retorno dessa violência contra nós.

Está dizendo que não existe a moral ou a bondade?
Nunca existiu.
É tudo coisa desse ruído maluco
Esse ruído

Agora, voltando à questão narrativa
Nós criamos personagens e nós mesmos interpretamos um personagem
Mas por que é assim?
Penso que possa ser uma questão de limitação
Assim como não somos capazes de falar diversas frases ao mesmo tempo, pois só temos uma boca,
Não somos capazes de nos compreender como seres diferentes ao mesmo tempo
Ainda que sempre sejamos diferentes
Somos a pessoa da faculdade
A pessoa do trabalho
A pessoa da família
A pessoa com nós mesmos
Buscamos, em alguns casos, harmonizar essa visão de quem somos
Criar uma narrativa coesa
Pois a falta de coerência é algo que nos incomoda
Mesmo em nós mesmos
Cria um tal "peso na consciência"
Por que não somos capazes de lidar com o fato de não sermos uma pessoa só
Nem mesmo de um minuto para o outro
Nem mesmo de hoje para amanhã
Somos o ruído
Uma resposta de instintos domados por pensamentos abstratos
moldados por linguagem
Linguagem oral, na maioria das vezes,
Mas também linguagem gestual, por libras, por imagens

Talvez seja difícil pensar que existe pensamento sem linguagem porque somos totalmente emoldurados sobre essa estrutura comunicativa
A língua
Mas isso não é uma verdade
Não somos capazes de pensar hoje sem palavras
Por que já crescemos tempo demais pensando com palavras

O pensamento por si só é uma questão muito interessante.
O que é o pensamento?

Tudo tem um motivo instintivo e biológico
Tudo é satisfação e segurança
Tudo
Mesmo o amor
Mesmo o ódio
Talvez seja fácil notar no medo
Mas é nebuloso se pensar nisso à respeito da ética
Mas todos são biológicos

O que leva à busca do conhecimento?
Satisfação
Nos tornamos complexos à ponto de compreender abstrações em níveis muito superiores à Abstração Primeira
Nós mesmos
O Ruído
Abstração Primeira
Eu
Consciência
Não existe nenhuma consciência?
É como a tela do celular
Uma cara
Na frente de sistemas muito mais complexos

Só vivemos de maneira narrativa
Não entendemos o espaço
o tempo
eu
o outro
o mundo
sem ser por narrativa
construímos narrativas desde que aprendemos sobre o tempo
mas só aprendemos sobre o tempo por termos memória do que já aconteceu
memória
marca do tempo que passou
aprendemos à duras penas sobre ação e reação
chorar nos deixa sem ver televisão
nossos pais nos ensinam sobre tudo isso
através da moldura da linguagem
Língua
As línguas são moldes de realidade
Realidade
A Abstração Segunda
Vem logo após o Eu
A Realidade é uma abstração do que nosso sentidos são capazes de captar
Com fatores lógicos e abstratos que construímos a partir de memórias e sensações

Se não somos os mesmos de cada segundo no passado
Escrever é o ato de colocar a expressão linguística desse ruído interminável em um espaço
seja digital
seja físico
Escrever é gravar o fluxo de linguagem que existe em uma parte do nosso pensamento
A ficção e a realidade são abstrações no mesmo nível
São Abstração Segunda
Pois ambas se passam em nosso Ruído
e ambas são intangíveis
ambas dependem só da nossa visão
ambas são reconstruções de conceitos apreendidos externamente
ou pelo menos reconstruções desses mesmo conceitos
repetição e reaparecimento
releitura
aprender palavras é aprender novas maneiras de construir abstrações

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Por que escrevo literatura?

Escrever é como uma forma de magia muito antiga e extremamente poderosa. Ela encanta quem lhe conhece e confere aos seus artífices capacidades extraordinárias.

Apenas através da escrita é possível imortalizar um sentimento. É através desse meio que se pode lançar uma emoção de dentro de um alguém para outras tantas pessoas, em tantos outros lugares do mundo e do futuro.

Escrever literatura pode servir ao bem e ao mal, pois está além desses conceitos fracos. A literatura influencia, marca e constrói a alma humana. Também esta tem a capacidade de destruir, desconstruir tudo o que havia antes no intuito de recriar uma alma mais forte.

Literatura pode ser apenas um entretenimento ou ser a mais ambiciosa possível e, em todos os casos, ainda carregará sempre consigo pelo menos uma semente daquilo que é intangível. Do mais profundo do que é a existência humana e do que é o mundo que construiu aquele autor. Mesmo quando o enredo em nada tem haver com a realidade é tudo sobre a realidade que de fato se vê.

Escrever é construir a si mesmo. É destruir suas certezas sobre si e sobre tudo. É tornar-se capaz de ouvir o outro e tirar disso palavras para tentar expressar o que se sente. É descobrir lugares ocultos da própria alma. É sentir como se a realidade de dentro e de fora de si fossem equivalentes ao ponto de uma não poder viver sem a outra.

Ainda que a maestria na arte da escrita seja algo para poucos, todos somos livres para experimentar dessa magia. Basta coragem, paixão e um fraco senso de praticidade. Afinal, num mundo de objetificações e urgências, sentar-se para escrever um romance é um ato de rebelião. Escrever é ir contra o que manda a regra. É como toda e qualquer arte, tão fundamental à vida e ao mesmo tempo massacrada pelas normas de um mundo do comum e do mais do mesmo.

Escrevo literatura pela chance de me sentir livre.

Escrevo sonhando com o momento em que aquela parte de mim será conhecida por um outro alguém. Faço pensando em todos esses alguém.

Escrevo porque já me acostumei à sonhar em texto e minha cabeça fica pesada todos os dias em que não jogo no papel digital um parte de toda aquela profusão de sons e vidas imaginárias.

Escrevo porque espero reconhecimento. Quero ser aceita por aqueles que leem e quero que eles se sinta mais aceitos ao ler o que escrevo. Por esse motivo muitas vezes escrevo sobre coisas que me dizem muito respeito. Sobre ser mulher, sobre ser lésbica, sobre ser alguém distante da sua terra natal, por ser alguém que vê o mundo inteiro como algo misterioso e incompreensível.

Escrevo porque só assim sou capaz de compreender uma pequena parte da minha própria alma. Escrevo porque não saberia viver de outra forma.

Não busco a maestria. Quero me emocionar e viver tudo o que só é possível viver nos sonhos de palavras. Nesse meu estranho universo individual não existe nada mais poderoso do que literatura.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Promessas de começo de semestre ainda valem de algo?

Hoje começou o quarto semestre da minha segunda graduação (não ter feito o TCC da primeira não muda o fato de eu ter cursado tudo, afinal) e tudo foi bem péssimo. Essa é a impressão que uma enxaqueca horrível causada pelas crises constantes de sinusite deixou, mas a verdade é que me sinto sempre muito bem em começar novos desafios e rever as amizades de curso (todas pessoas com as quais aprendo muito e sempre).

Para tentar aguentar a dor da enxaqueca enquanto estava no trabalho me dei um tratamento de "alegria instantânea": fui reler comentários de meus antigos fanfictions postados no Kono-ai-Setsu. Ainda que muitas pessoas desprezem o valor dos fics (um assunto que rende um debate quase infinito) devo dizer que não apenas gostei de já tê-los escrito como ainda gosto de escrevê-los quando a rotina permite. Um bom fanfiction é tão valioso quanto um fanart bem feito, ou quanto um doujinshi pensado e desenhado com alta técnica artística. E, apesar da falta de valor, tenho cá meu orgulho com meu saudoso Mastered Negima e seu texto simplório.

Mas o que isso tem haver com promessas de começo de semestre? Bom, já faz mais de dez anos que comecei a publicar aqueles fanfictions e minha vida sofreu transformações quase surreais nesse meio tempo (algum dia terei que detalhar isso), mas fato é que ainda estou só no começo do meu trabalho como escritora. Recém consegui terminar a reescrita da quarta versão de um romance original longo de ficção-científica, o que mal pode ser considerado metade do caminho para que esse texto consiga chegar à algum público que o queira consumir.

Mesmo depois de dez anos, ainda estou no começo. Mesmo que já soubesse usar técnicas bem desonestas para provocar sentimentos variados no leitor com  "Lives", minha técnica de escrita melhorou muito nesse período e ainda tem muito à melhorar. Dá um sentimento muito estranho perceber o quão cumprido é caminho que ficou para trás e também o que vem pela frente.

Não tenho como fazer promessas de começo de semestre que não seja "tentar sobreviver à carga de leituras e trabalhos do quarto período," mas ainda assim me sinto cheia de esperança em perceber que tenho sempre esse longo caminho diante de mim, se abrindo ao infinito das possibilidades, esperando que eu dê aos anseios escolhidos, a vazão em realidade que tanto merecerem.

Que sorte estar no quarto período, a professora de Produção Textual do segundo e terceiro períodos iria me matar se encontrasse um texto tão pessoal e nada "objetivo" meu online.

-LKMazaki - Agosto de 2017

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Manifesto da Calma

Manifesto da Calma
por LKMazaki
Vivemos em tempos caóticos. Mais do que em qualquer época da História conhecida o ser humano vive nos limites da razão, atormentado pela massa esmagadora de informação e acontecimentos que permeiam o dia-a-dia atribulado da sociedade padrão globalizada do ocidente e oriente. E, para aplacar as angústias constantes do viver, as pessoas, ao invés de buscarem se afastar momentaneamente do caos urbano, pelo contrário, mergulha na miríade do entretenimento que lhe aliena de tudo ao seu redor.


Seja no estudo, trabalho ou lazer, as pessoas estão se entupindo de conteúdo banal e extremamente passageiro, afim de lacrar seus pensamentos à qualquer coisa que possa lhes causar um impacto real aos sentidos.


Em resumo, o mundo está distraído demais para viver.


Este manifesto tem como objetivo opor-se a essa que chamamos de Cultura da Distração, ou mesmo Cultura da Falta de Importância. Um tipo de comportamento que ganha a cada dia proporções alarmantes e causa efeitos terríveis para indivíduos e o ambiente ao seu redor.


O Manifesto da Calma não é um grito de oposição, afinal isto seria em si uma contradição. Queremos, silenciosamente, abrir nossos olhos para a realidade imediata e, ao mesmo tempo, eterna que cerca cada momento de nossas vidas. Não queremos deixar passar os significados tão especiais de todas as coisas que parecem estar desvalorizadas em relação ao que é brilhante, barulhento e absolutamente insignificante.


Detestamos passar por uma rua sem observar ao menos por um momento sua arquitetura. Igualmente os sons urbanos, tão disformes, também nos são bem vindos de vez em quando. Claro que apreciamos músicas aos nossos ouvidos, como a maioria faz, porém, de vez em quando, pensamos ser bom dar um tempo para pensar com nossos próprios neurônios.


Não gostamos de repetir as frases deflagradas nas mídias novas e antigas. Queremos expor nossos pensamentos com nossa própria maneira de construir sentenças. Clichês são bons, mas usá-los demais nos parece uma armadilha para tornar nossa mente preguiçosa.


Muitos de nós gostam de coisas que a maioria considera velha. Muitos nos confundem com esses maníacos por “retrô”, mas não é esse o caso. A verdade é que nós sabemos que uma década, um século, ou mesmo alguns séculos, não são muito tempo. O mundo e a humanidade está aí a tanto tempo que seria uma tolice acreditar que uma música composta a duas décadas é algo antigo. Mesmo o mundo moderno, que começou a ser costurado a alguns séculos, é algo extremamente novo e por isso tem toda a nossa atenção e respeito.


Essa valorização que costumamos a dar ao que os outros acreditam ser passado distante tem várias consequências em nossas vidas. Isso por que não somos capazes também de esquecer as abominações que a poucas décadas e séculos assolaram a face do nosso pequeno planeta. As grandes guerras, genocídios e torturas contra tudo e todos. Os seres humanos já provaram muito bem serem capazes do pior e isso jamais sai de nossas mentes.


E é por isso que damos tanto valor à paz e à fraternidade entre os povos. Não somos tolos, sabemos que o mundo está em constante conflito, mas não fazemos parte daqueles que amam este tipo de situação. Pelo contrário.


Sabemos que não somos capazes de mudar o mundo apenas agindo com mais calma diante da loucura imposta e nem é esse nosso objetivo. Queremos primeiro mudar a nós mesmos. Se nos tornarmos serenos a tal ponto talvez vejamos com mais clareza o que podemos fazer para ajudar a clarear a visão dos que nos estão próximos. Este é só um pequeno passo, mas para nós é o que basta até então.


Convidamos a todos para que, nem que seja por um único instante, pare de correr e distrair-se para então pensar e sentir o mundo ao seu redor.


Veja, você está vivo. A sua vida dura apenas uma ínfima porção de tempo e por isso ela é tão preciosa. Ao mesmo tempo, veja as infinitas formas de vida que existem ao seu redor. Não só na Terra, mas em todo o Universo. Vidas mais breves e mais longas do que a sua. Todas tão preciosas quanto as outras.


Sinta, você.


Pode ser uma sensação assustadora de primeira, perceber o quão frágil e preciosa a vida é na verdade, mas garantimos que, se fizer isso ao menos uma vez, jamais poderá se distrair a ponto de esquecer disto.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mudando de web atitudes

Eu, Lilian Kate Mazaki, tenho um problema sério com relação à publicões na web: a dispersâo de conteúdo. Ou seja, estou sempre abrindo novos espaços na webpars postar conteúdo, ao invés de fazer isto em um único endereço. Claro, a culpa disso é o fato de eu não resistir em testar ferramentas.

Só que isso gera um enorme inconveniente: meus textos acabam espalhados de modo que somente eu sei o que já escrevi ou não.

Tumblr, blogs no blogger e wordpress, twitter, twitpic facebook. . . Uma gama de sites onde meus projetos e idéias ficam jogados.

E porquê estou tagarelando com vocês sobre isso? Isso é porque agora decidi tentar resolver isto, centralizando essas publicações aqui no Creative 1000%. Claro, eu ainda tenho o Mundo Mazaki (e outros projetos conjuntos), mas fora esses a idéia é trazer os conteúdos diversos pra cá.

A moral da história é que mais vale misturar um pouco alguns conteúdos do que ter uma coletâneas de sites abandonados. Por tanto o Creative 1000% cai se tornar bem mais "criativo" doque esta. Quem sabe separar as coisas por colunas. Bom, isso eu organizo sozinha ne, é o mínimo.

Bom, por hora é isso.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Contos e Novels - uma via rápida para dias rápidos?

Mais uma pequena postagem pessoal que entra um pouco no grupo de "meus relatos e experiências nesse mundo da literatura".

Acontece que, desde que as aulas na faculdade começaram, eu passei a ter cerca de 1 hora livre somente por dia e isso foi um grande baque para quem mal havia acabado de se acostumar a escrever tendo cerca de seis horas durante as noites para refletir, fazer mapas de idéias e anotações e então escrever. Porém não há o que ser feito quanto ao tempo, é irremediável, então comecei uma busca desesperada para encontrar um novo regime de trabalho para manter-me cumprindo o objetivo principal - ESCREVER TODOS OS DIAS.

Coisas vem, coisas vão, resumindo tudo acabei encontrando um novo foco, que na verdade é algo que eu já vinha vendo ser aconselhado a todos os escritores iniciantes (como eu) - escreva contos. Contos afinal são mais rápidos e fáceis de escrever do que um livro, por exemplo, e isso torna-os ideais para este momento mais corrido de rotina.

Além disso acabei encontrando concursos de antologias de contos que me interessam bastante, o que me incentivou ainda mais!

Fora isto, ao invés de focar em obras mais longas, a médio prazo estou querendo me focar em narrativas rápidas, ao estilo Light Novel, já que tenho diversos projetos mais simples que encaixam perfeitamente neste formato.

Bom, e o que se pode tirar de util da minha pequena rotina comum?

Procure sempre novos métodos, novos meios, novas formas, mas nunca deixe a escrita parar! É sério, eu não consigo me considerar assim tão genial ao ponto de não precisar de anos de esforço diário para conseguir escrever algo bom. Somente raros e geniais autores ao longo da História puderam se dar a esse luxo de "sentar um dia e começar uma obra prima" sem antes ter passado anos e anos lutando para aperfeiçoar sua própria técnica.

Sinceramente eu acredito que qualquer um que comece com este pensamento de que não precisa se esforçar todos os dias e pode simplesmente começar quando quiser pode se dar mal um bocado até chegar aonde deseja. Eu prefiro continuar aqui "me matando" para daqui a, quem sabe, algumas décadas ter um mínimo de orgulho de mim =)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Planejar e Executar

Todos os dias estou trabalhando para organizar todos os projetos de 2011. E todos os dias trabalhando em projetos desde já =P

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Inaugurando com 63 postagens

Olá a todos, apesar de todo o conteúdo já disponível neste blog ainda falta algo bem importante - a apresentação.

Para quem não me conhece, sou Lilian Kate Mazaki, escritora, blogueira e admiradora profunda da cultura pop japonesa. Já escrevo a três anos na internet, seja em blogs de opinião, de notícia, ou mesmo fanblogs. Todos esses trabalhos porém são somente uma das facetas do que verdadeiramente gosto - a Literatura.

Este novo espaço na web que estou iniciando agora vem com o propósito de organizar e divulgar meu trabalho literário e pessoal. Já tenho vários materiais desse tipo espalhados pela rede, principalmente fanfictions, mas agora todo este material já pode ser encontrado por aqui.

Também com este blog pretendo resolver meu conflito pessoal ao cuidar do meu outro endereço, o Mundo Mazaki, que é um blog de opinião sobre cultura nipônica, o que o fazia impróprio para postar meus trabalhos e projetos que venho desenvolvendo com dedicação.

Gosto de escrever e quero que o máximo de pessoas o possível possam ler e apreciar(ou não) o meu trabalho. Aqui está começando uma nova e importante etapa do meu trabalho pessoal na literatura e espero que vocês gostem de acompanhar meus pequenos porém felizes passos nessa aventura =)

Em breve começarei a postar uma estória original, escrita exclusivamente para este espaço. Além disso, sempre que eu atualizar meus fanfictions ou começar a publicar um novo em algum outro site, atualizarei neste também. Vai ser um trabalho muito gratificante, ainda que fosse somente para uma ou duas pessoas lerem.

É isso aí, volto em breve com mais!