terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mastered Negima - Heart 06

O frio atravessava os mais grossos casacos dos que chegavam a Kyoto no começo da tarde daquele sábado de inverno. Mesmo que não fosse possivel ver de dentro do metrô percebia-se que deveria ser um dia claro porém extremamente enregelante na antiga capital japonesa.
            Setsuna Sakurazaki caminhava lentamente pela estação, não como uma pessoa tranquila, mas como alguem perdido, sem ter certeza se estava realmente ali ou não. De fato, caminhava com os pés ali, mas a mente ainda em Mahora, em Konoka que não fazia ideia do que aquela simples ida ao templo shinmei poderia significar, e na burrice e insensibilidade de Asuna.
            “Eu sei que tais fazendo a Konoka sofrer!! Não se importa com isso???”.
            Era uma idiota mesma aquela ruiva. Tão tapada que não conseguia entender o simples fato de que aquilo tudo era para evitar um sofrimento muito maior! Afinal é obvio o que é mais doloroso entre: viver a vida toda longe de quem se ama, ou viver um pouco esse amor e depois morrer.
            Hein? Qual.........? Por que por um instante não parecia mais tão óbvio?
            - Kono-chan.......... - a dor que a espadachim sentia parecia a cada minuto mais sufocante. Será que não aguentaria a dor nem até chegar a mestra shinmei?
            - Hei! Não é a Sakurazaki-san?! - exclamou uma voz alto de algum lugar ali, despetando a guarda-costas de susto do seu mar de confusão sentimental.
            - Hein?!
            - Oh, verdade Haruna!
            A garota realmente ficou uns instantes em choque vendo o trio biblioteca se aproximando. O que as três faziam em Kyoto?!? (acorda, isso foi tema dos últimos capítulos, baka). Ah, é claro:
            - Olá Sakurazaki-san. - cumprimentou Yue.
            - Não esperava encontra-las aqui garotas. - comentou a shinmei curvando-se em cumprimento. Pareceria que tinham chegado no mesmo trêm se não fossem as inumeras sacolas cheias de mangás, revistas e materiais de desenho que as três seguravam.
            - A Haruna nos fez acompanha-la enquanto gastava todas as economias da faculdade em mangás. - zombou Nodoka num tom tão natural que poderia-se pensar que era uma sarcástica de carteirinha.
            - Pow Nodoka! Agora vai ficar implicando também? - exasperou-se Paru sem conseguir esconder o sorriso pelos itens obtidos.
            - Não sabiamos que viria a Kyoto também Sakurazaki-san. - comentou a bakablack sem demonstrar alivio ou mesmo desconfiança.
            - Fui convocada para uma reunião no templo shinmei, então ficarei aqui por uns dias. - explicou Setsuna, falando a absoluta verdade.
            - Poxa, esse tal templo shinmei deve ser muito legal, pena que tenhamos que trabalhar no tal livro, eu queria tanto conhecer. - lamentou Haruna.
            - Por falar no livro, já perdemos muito tempo comprando não achan? Temos que ir logo para a casa do pai do sensei. - disse Yue com tom de líder das bibliotecárias.
            - Chatice. - resmungou Paru.
            - Ah....Sakurazaki-san! - chamou Nodoka meio sem jeito, notando o tom de 'hora de ir embora' nos olhos da espadachim.
            - S-sim?
            - Er....... - todas voltaram sua atenção para a livreira, interrogativas. - Não quer vir conosco? Pode ficar na casa do pai do Negi-sensei enquanto não precisar ir ao seu compromisso. - sugeriu.
            - Ah? - Paru não entendeu o porquê da garota sugerir aquilo. “Yuri?! Nodoka?!?!”.
            - Nodoka....... - Yue sentiu uma grande admiração pelo belo ato disfarçado que a amiga tomava.
            - Eu.......? Mas.... - Setsuna tentou pensar num contrargumento, porém lembrou do tom enfático do direitor de “seguro” que ele lhe questionara. Droga, realmente não sentia-se bem com companhia aquele dia, mas não tinha escolha. - T-tudo bem, será ótimo.
            - Legal, se sobrar tempo vou fazer uma pesquisa que queria fazer a tempos! - alegrou-se Haruna, sorrindo.
            - Do que ce tá falando? - questionou Yue já imaginando que viria algo absurdo por aí.
            - Quero saber que tipo de impacto meus mangás yaoi geram numa yuri, entendeu? Quem sabe tornar mais agradavel a esse público....
            - QUE?!?!?! - a espadachim pulou uns 2 metros ao escutar-se referenciada como yuri. Será possivel que todos sabiam tudo sobre ela sem ela ao menos saber?!?!
            “Realmente ce tem um bom coração Nodoka” conclui a baka lider enquanto as quatro garotas saiam para o dia gelado de Kyoto.






            - Aff, realmente to me sentindo uma grande cdf fazendo isso! – reclamou Haruna espreguiçando-se.
            Já era de noite e o trio biblioteca estava na confortável residencia que um dia pertencera ao Thousand Master. Era definitivamente um lugar agradável, não ficava frio demais e aparentemente também não aquecia demais nos dias de verão. Haruna não tinha como ser contestada na sua afirmação de sentir-se cdf, afinal as três estavam cercadas de montanhas de obras em línguas estranhas e quaisquer livros que se suspeitasse poder ter qualquer informação secreta, mais um pouco e desapareceriam ali sentadas no chão, entre as papeladas sem fim deixadas pelo TM:
            - Poderia deixar de reclamar e procurar mais, não acha Haruna? – comentou Yue que parecia mal humorada, apesar de estar tão cercada de livros fascinantes. A verdade é que a bakablack, vendo-se diante de tanta informação incrível sobre o mundo dos magos, percebia agora como seria muito mais difícil do que prevera aquela tarefa. E se fracassassem?
            - Calma ai Yue, relaxa. – pediu Paru abanando a mão.
            - Não vai ser mesmo uma procura muito fácil. – comentou Nodoka, folheando um grosso volume todo escrito em grego antigo.
            - Não faço idéia de quanto tempo precisaríamos para olhar todos esses livros. – resmungou a baka líder, observando todas as estantes que nem haviam sido tocadas mais as montanhas de livros já pelo chão.
            - Sei que vamos encontrar logo. Agente pode! – exclamou a mangaká fechando o punho como um personagem dos mangás nonsense que gostava tanto de ler.
            No outro canto da grande sala, ao lado da janela, Setsuna observava a paisagem visível dali, com a mente perdida novamente em pensamentos confusos. “Realmente dói encarar a verdade não é?”, tinha muitas vezes que detestava a sua consciência. Era cada vez mais doloroso perder-se naquelas questões sobre Konoka e ela. Sentia como se a qualquer momento pudesse acabar enlouquecendo e comentendo suicídio, sim com certeza simplificaria as coisas. “Sua retardada!!”.
            Porque tinha que ser desse modo tão difícil? Era uma simples estudante no fim das contas, como poderiam lhe exigir escolher entre a própria vida e a pessoa que amava tanto? Era cruel demais, afinal vivera até hoje sem uma real felicidade e quando a encontra tem que abrir mão e partir?!?! Não! Por que? O que lhe dizia que não podia ser feliz como qualquer pessoa sonhava ser na vida???
            “Talvez essas asas aí por si só respondam não é?” respondeu-se a shinmei, desanimando de vez. As vezes se perguntava se realmente Pee era o pior inimigo com sua face que existia. Droga, era um monstro, um montro!! Um monstro auto-destrutivo, mas com certeza um monstro. Como Konoka poderia amá-la?
            Mas......ela ama.
            Seus pensamentos voaram para todos os momentos tão bons que tinha vivido desde que Mash e Pee haviam saído do caminho. Todas as tardes com a quase-maga, o carinho dela, a atenção. Cada declaração que escapava de modo tão natural dos lábios da praticamente...... praticamente..... por que ainda não havia sequer se permitido dizer que a queria sim como sua namorada? Se amavam, era um amor puro, sincero, era amor! Konoka a amava, tanto quanto ela mesma a correspondia. Isso é tão......tão..... mágico, único, incrível........
            Terrivel.
            “Aww....... Kono-chan, Kono-chan, eu…… só quero se feliz contigo…….mas……..awww…… Kono-chan”. Definitivamente em breve enlouqueceria nesse ritmo:
-          Yue, acho melhor darmos uma pausa. – sugeriu Nodoka olhando de canto de olhos para a espadachim sofrendo no seu canto.
-          O que? Mas Nodoka! – exclamou a menor sem entender o porquê da sugestão repentina.
-          Ótima idéia Nodoka, afinal quem é que tem saco pra procurar nesses livros estando de barriga vazia, vamos comer algo Yue!! – Paru parecia realmente feliz em livrar-se do trabalho por uma meia hora.
-          Não temos tempo o suficiente para ficarmos parando gente. – argumentou Yue.
-          Owww Yue, deixa disso! Relax!
-          A Haruna está certa Yue, vamos parar. – decidiu a livreira sorrindo de modo bem significativo e o entendimento finalmente chegou a mente da outra. Setsuna.....
-          Tá bom..... mas não demoremos muito nessa pausa, ok?
-          Viva!!! Comer!! – exclamou Paru se levantando.
Rapidamente Haruna arrastou uma estressada Yue para a cozinha da confortável residência, deixando Nodoka sozinha com uma distante espadachim escondida no outro canto da sala. Na verdade pareceu que Setsuna era realmente incapaz de perceber qualquer coisa ao seu redor, perdida em seus pensamentos cheios de dúvidas:
- Sakurazaki-san? – chamou delicadamente a livreira, aproximando da shinmei, sentando-se no sofá um pouco mais próximo daquele canto de janela.
- Ah...... sim Miyazaki-san? Posso ajudar em alguma coisa? – perguntou a garota, estava tão distraída que aquilo provavelmente fora dito apenas pelo hábito da extrema cortesia e serventia.
- Não é nada disso Sakurazaki-san, só estou preocupada, você não parece muito bem...
- Eu? – era mesmo tão transparente assim o que sentia a todos? Pelo visto a profissão de espião não lhe servia mesmo. – Impressão sua, estou ótima.
- Sabe.... eu também achava que tentar não falar ajudava quando não se está bem. – comentou Nodoka com um tom simples, observando pela janela. – Mas a verdade é que isso só dá brecha pra pensarmos de um modo triste, não acha?
- ...... – ela estava realmente tentando confortá-la?
- Quando eu descobri sobre os sentimentos da Yue em relação ao Negi-sensei, realmente fiquei muito mal enquanto tentava não pensar no assunto. Por mais que tivesse dito a Yue que devia ficar próximas, nos dar forças. Me doía demais pensar que eu poderia fazê-la sofrer se fosse feliz com o sensei. Incrivelmente foi a Haruna que me ajudou, me fez ver as coisas de um modo mais positivo, na verdade, apenas me fez aprender a não me fazer sofrer antes da hora necessária.
- Mas..... tem vezes que a dor é inevitável. – argumentou Setsuna com uma expressão vazia, a voz distante. A outra garota respirou fundo antes de continuar.
- Bom, quando se acha isso.... só existe algo que se pode fazer.
- O que? – a espadachim encarou os olhos azulados da bibliotecária, como aquele rosto bonitinho poderia esconder alguém com várias coisas a lhe dizer?
- Seja o máximo feliz possível.
- ........ Como?
- Ninguém pode prever o que acontecerá amanhã, então o melhor é em qualquer situação ser o mais feliz o possível. – Nodoka sentia-se desconfortável dizendo coisas que soavam tão óbvias, mas que sabia que apesar de todos saberem, muito poucos realmente entendiam com o coração o que as palavras queriam dizer.
- Eu....... não devo. – Setsuna não percebia muito bem o que dizia enquanto encarava a neve que começava a cair. Não ligava pro quanto a outra soubesse ou não, a batalha entre escolhas em seu interior pegava fogo.
- Mas isso as fará feliz Sakurazaki-san.... não quer vê-la feliz? – nossa, estava agora pisando num terreno que definitivamente era particular. Só ainda o fazia porque, mesmo não sendo tão próximas, ela tinha uma consideração pela guarda-costas, sem falar que Konoka era uma ótima amiga.
- Eu...... quero...... – a garota se encolheu levemente sem mesmo perceber. Miyazaki estava certa.... certa....
- O mais importante na vida é ser feliz Sakurazaki-san, você e Konoka merecem isso. – disse a livreira levantando-se para ir comer algo antes de voltarem a busca dos segredos do livro codificado.
- ................. – perae, tinha dito ela e a Kono-chan?! – Mi-miyazaki-san?!
Nodoka saiu da sala sem dizer mais nada. Sabia que não havia feito grande coisa, mas esperava que uma opinião vinda de alguém que ela considerasse sensata tivesse peso na hora que precisasse decidir o destino dela e de Konoka.
“Estou torcendo por vocês duas”.

Mastered Negima - Heart 05

            Naquela manhã de sábado que amanhecia todos os membro da Ala Alba estavam na estação de metrô fora dos domínios de Mahora acompanhando o trio biblioteca que estava de partida para a missão que exigia uma habilidade que não era obrigatoriamente mágica: inteligência e perspicácia. Kotaro, Negi e Kaede carregava as bolsas que as três levariam para passar os dois dias de fim de semana. Todos conversavam animados sobre a curiosidade sobre o livro em altas vozes pelo lugar (ignorem o fato de as pessoas comuns estarem por aqui e por ali e não perceberem a conversa muito suspeita daquele bando animado):
            - Perai! – exclamou Haruna parando de caminhar e dando uma olhada no grupo como um todo. – Num ta faltando gente?
            - Realmente reparei que Asuna-san e Sakurazaki-san não estão. – comentou Nodoka que caminhava próxima a Negi e Yue.
            - Asuna acabou ficando de cama... – respondeu Negi com uma expressão de “eu avisei aquela teimosa pra se cuidar!”.
            - Ah, o resfriado piorou mesmo. – concluiu Yue.
            - A Anesan é muito teimosa mesmo, hoje acordou com febre e tossindo pacas.  – contou Kamo do ombro de Konoka.
            - E ainda insistiu em vir nesse frio..... é a nossa baka de sempre. – completou a quase-maga entre o riso e a exasperação com a amiga e todos riram do ‘baka’ dito em um tom irritadinho.
            - Mas e a Setsuna, de gozaruna? – perguntou Kaede com seu habitual olhar sereno.
            - Ficou cuidando pra Asuna não fugir do quarto. – admitiu Negi envergonhado pela infantilidade da baka red *gota*.
            - Putz. – riu-se Kotarô.
            O grupo continuou mais um pouco a caminhada e parou no ponto onde em breve o trio biblioteca embarcaria para Kyoto. Continuaram suas conversas animadas sobre o livro e qualquer outra coisa que ocorresse:
            - Eu fico um pouco nervosa de nós carregarmos esse livro tão importante pelas ruas de Kyoto. – admitiu honya-chan deixando transparecer a ansiedade. O professor-mago sorriu gentilmente antes de falar, fazendo ela e Yue corarem sem perceber.
            - Não se preocupe, alem do livro esta protegido por uma magia de disfarce, sei que vocês três ficarão muito bem, porque são muito inteligentes.
            - Ah......Negi-sensei.........
            - ......... – as duas ficaram por uns instantes paralisadas, apreciando a bela visão do sorriso gentil do mago que estava se tornando mais belo a cada dia. Ainda mais quando ela já estava deixando de ser um menino para se tornar um jovem como elas (Ficando no ponto? *gota x 5*).
            “Essas duas não tem jeito” pensou Paru-sama rindo-se em silêncio da cena.
            - Acho mesmo uma “gulande” pena não podemos ser guarda-costas delas nesse fim de semana. – disse Kuu Fei fingindo pesar pela segurança das garotas.
            - Acho que na verdade anesan Ku Laosu só queria passear por Kyoto, ne? – questionou o arminho desconcertando a guerreira que não pode esconder que fora descoberta.
            - Garotas... – começou Negi num tom sério para o trio que estranhou a mudança de clima. – Eu gostaria que vocês não se exigissem demais durante o fim de semana. E se não encontrarem nada até domingo fim da tarde, não se preocupem, eu aproveito o feriado de fim de ano para ficar em Kyoto e descobrir isso.
            - Negi-sensei....... – Nodoka não conseguiu disfarçar o tom completamente derretido e envergonhado ao mesmo tempo, pela consideração empregada nas palavras de Negi.
            - Nós vamos descobrir o segredo desse livro professor, não se preocupe. – afirmou Yue firme, encarando o garoto no olhos.
            - Er...... er...... – Negi ficou desconcertado diante o modo determinado de Yue, afinal faziam aquilo por ele.
            - Não Negi, fazemos pela Ala Alba, então parece de se sentir nos usando viu? – disse Paru. (“PERAI?! Como ela sabe o que eu pensei????” questionou-se abismado Negi).
            - Ai Negi,, ce é tão safadinho! – exclamou Asakura.
            - HEIN?!?!
            - Como pode dizer assim tão descaradamente que não consegue ficar sem as garotas por perto? Poderia muito bem falar isso em particular ne?
            - MAS EU NÃO........!!
            - Putz Negi, ta dando em cima das garotas assim? Me envergonho de ti cara! – comentou Kotarô extremamente decepcionado, aumentando o constrangimento do outro. (“O Negi se deixa levar fácil pelas piadas, ainda é meio criança” concluiu Asakura vendo o efeito da brincadeira*gota*).
            - Cebolinha!
            - Cebolinha de gozaru...... – todas faziam questão de ajudar o garoto a ficar ainda mais nervoso.
            - Tadinho do Negi..... – falou baixinho Konoka para o arminho *gota dupla*.
            - MAS MAS MAS......! SE AO MENOS FALASSEM DA ASUNA, MAS...... – berrou Negi sem perceber o que diziam, mas o silêncio súbito fez ele tocar-se de suas palavras, tampando a boca como um mentiroso pego.
            - C-como........ – a livreira não conseguia acreditar nas palavras do jovem.
            - Então.......... *Yue*
            - Uau............. *Haruna*
            - Como é.......? *Kotarô*
            - Eita..... falou demais...... *Asakura*gota**
            - N-Negi........ *Konoka*
            - ................... *todas as outras* *gota*.
            - ER.......ER............................ – onde ele podia cavar um buraco magicamente para se enterrar, alguém sabe?
            Para a gigantesca sorte do Sprigfield, naquele momento o trem passou ao lado deles freando, o trem das garotas!!! Numa confusão o grupo despediu-se apressado das garotas dando as malas a elas e vendo-as embarcar no trem para Kyoto:
            - BOA SORTE! – disseram quase todos em coro da estação.
            - ATE SEGUNDA! – berrou em resposta Paru quando a porta do trem se fechava.
            Incrivelmente todos pareceram esquecer o momento de auto-revelação de Negi e voltaram conversando coisas aleatórias pela estação e pala cidade:
            - Melhor vermos como estão Set-chan e a  Asuna ne? –sugeriu Konoka sorridente para o garoto tentando distrai-lo da vergonha que ainda sentia.
            - É... verdade.
            “Essa foi por pouco seu baka!!” xingou-se o candidato a Magister Magi.






           
            Setsuna passou todo o tempo daquela manhã sentada à mesa de centro do quarto de Konoka e Asuna, apreciando o frio do dia enquanto pensava em silêncio. Aruiva tinha permanecido dormindo até então. Menos mal, afinal alguém doente precisa repousar mesmo.
            Entrementes àquela calmaria a espadachim perdia-se novamente em pensamentos entre o melancólico e o realmente auto-destrutivo. Seria realmente uma vergonha para ela se qualquer pessoa soubesse como ela estava a mercê de seu lado da mente mais obscuro. Mas como poderia ser diferente? Tinha um caminho horrível a trilhar dali em diante e estaria completamente sozinha. Agradecia aos céus por ninguém notar seu estado de espírito atual:
            - Por que tu ta tão diferente esses tempo Setsuna? – questionou Asuna, bem acordada da própria cama, sem se levantar para olhar a outra, sabia que ela a escutaria perfeitamente.
            - ......... o que? – desde a ruiva estava acordada? E...... como ela....... estava tão visível assim esse tempo todo?
            - Não se faz de inocente Setsuna. Eu sei que tem alguma coisa errada. A Konoka sabe.
            - A Kono-chan.........? – quer dizer que todo o esforço de tentar esconder era em vão?
            - Como te ilude achando que pode esconder algo, principalmente da Konoka hein? – questionou a ruiva sentando-se na cama, deixando visível seus aspecto abatido por causa da gripe, como se isso já não fosse muito notado na voz embargada e rouca.
            - Eu...........
            As duas se encararam por um instante, uma tentando se esconder e a outra tentando revelar mais da outra mente. Asuna teve um acesso de tosse que a impediu de encarar mais a espadachim, o deu tempo para ela se recuperar do choque de ter certeza de que era uma anta em esconder o que sentia:
            - Setsuna.....cof cof..... o que ta havendo? – perguntou a bakaranger agora com o tom mais lacrimoso ainda, não por algum sentimento, mas por que suas vias aéreas estavam realmente sensíveis.
            - Asuna....... – a shinmei se levantou e ficou de costas para a outra, para que ela não notasse sua expressão. Algo realmente sem sentido, já que a ‘teimosa macaca’ sabia perfeitamente que ela não estava bem. – Não tem nada.
            - Acha que eu sou uma criança de cinco anos? – perguntou a ruiva, sarcástica, irritando a shinmei.
            - Asuna..... não tem nada....
            - É por fingir pros outros que não tem nada que a Konoka ta sofrendo! – exclamou Asuna, parando depois para segurar a garganta que ardeu muito. *cof cof cof*
            - Kono-chan.........sofrendo? – “por minha causa?”.
            - Obvio que ela ta sofrendo. – disse a ruiva baixo por causa da dor na garganta. – Ela também ta se fazendo de forte, mas isso só piora as coisas, sabe.
            - Eu......... não quero que ela sofra.
            - Então porque não lhe conta o que ta havendo???? – questionou a doente revoltando-se de novo e pagando com outro acesso de tosse, durante o qual a irritação de Setsuna chegou ao limite e ela se virou para encara-la.
            - As coisas não são tão simples assim Asuna! – bradou com raiva.
            - É mesmo?! – realmente irritar-se com Asuna era pedido pra uma briga. – Estranho como eu acho que a burra nesse caso é tu, Setsuna!
            - Você não sabe de nada sua......... baka. – disse a guarda-costas controlando as palavras.
            - Eu sei que tá fazendo a Konoka sofrer!! Não se importa com isso???
            - É o que mais me importo...... – respondeu num tom extremamente melancólico a shinmei, espantando a outra.
            - Mas........ o que.......?
            - É para não faze-la sofrer mais que............
            - Setsuna...........?
            - Eu a amo demais Asuna.
            - ................ – “eu sei baka, então porque tudo isso?” perguntou-se a ruiva sem conseguir falar nada diante da expressão dolorida da amiga.
            - ................ estão chegando. – disse a shinmei mudando de tom e a ruiva percebeu que estava se referindo a Konoka e Negi que vinham pelo corredor. – Tenho que ir.
            - Heim?? Pra onde? Perai Setsuna! Vai fugir? É isso?! – questionou Asuna surpresa, vendo a outra ir em direção a janela. – Espera idiota! O que vai fazer???
            - Vou para Kyoto. – respondeu a shinmei muito mais obscura do que no inicio da conversa.
            - HEIN?!?! – Asuna já não entendia nada. – ESPERA!!! – berrou esquecendo-se completamente a gripe e ignorando a dor na garganta. – SETSUNA!!!!
            Mas já era tarde, a garota saltou pela janela para as arvores desfolhadas e dali foi-se para sabe-se lá onde. Naquele momento Negi e Konoka entraram dando de cara com uma Asuna quase pulando do beliche, aos berros furiosa:
            - SETSUNA SUA IMBECIL!!!!!!! – gritou o mais alto que pode e enterrou o rosto num travesseiro para cair em um acesso de dor e tosse.
            - !!!! – Konoka ficou em choque ao ver aquele fim de briga feia. Podia sentir que sua ‘quase-alguma-coisa’ havia acabado de sair do aposento pela janela, também em fúria.
            - Asuna?!?! O que houve??? – perguntou Negi assustando correndo para perto do beliche. Quando conseguiu controla a tosse Asuna tirou o rosto do travesseiro, voltando-se com raiva nos olhos para a quase-maga.
            - Se não der um jeito nela, eu mesma dou, Konoka. – e saltou do beliche para ir ao banheiro. Batendo a porta alto ao entrar.
            - Mas............. – Negi ficou perdido com a cena.
            - ..................... Asuna.
            Por que todos os seus medos pareciam estar se concretizando do pior modo possível? Realmente tinha momentos que detestava ser maga branca, ou quase ser.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Projeto "Novo Céu" - Trecho 01

Ele era só um menino que gostava de brincar com pedrinhas e pequeninos tanques feitos de madeira. Tão feios e simples eram seus tanques, mas ele vivia tantas aventuras e tinha sempre muitas estórias para contar graças a seus tanques. Suas guerras que duravam algumas horas sempre acabavam com ele correndo de volta para os braços de sua mãe, que lhe mandava ir lavar-se. Era uma vida tão simples, era uma vida tão feliz.

Naquele vilarejo afastado, pobre e sem importância o menino vivia sua infância junto aos irmãos que aravam a terra e dela tiravam os seus alimentos de cada dia. Aprendera a ler com a ajuda da mãe que tinha vários livros que haviam sido copiados a mão por seu falecido avô. Como o menino amava os livros. O menino tinha muito amor no coração, pois amava sua família, seus tanques, os livros e tudo que via a sua volta. Talvez nunca tenha existido um garoto tão feliz, ou talvez todos fossem.

Mas seu amor tornou-se dor e ódio, e os tanques tão eram mais objetos de carinho, mas seu pior pesadelo.

Vieram homens com suas fardas e armas. Vieram seus tanques e sua destruição. Aos olhos do menino vieram as cenas de morte e dor daqueles que ele mais amava. Tirando forçar de um pequeno corpo que não sonhava mais, o pequeno arrastou-se e feriu-se para salvar a vida de sua mãe, mesmo vendo seus irmão caindo a sua frente, mesmo que o sangue deles se misturasse ao seu próprio suor.

Existia aquele assassino sem face. Somente olhos brilhantes por baixo do capacete. Somente sua arma que disparava para fazer sentir dor até a morte. Quem era aquele assassino que abria a carne dos seus pequenos amiguinhos e lhes fazia chorar até não haver mais voz? Porque ele gostava de fazer aqueles que mal tinham pano para abrigar-se do frio implorar daquele jeito?

Eles eram demônios, foi o que o menino percebeu em seu desepero. Quando só haviam escombros e o corpo desacordado de sua genitora, ele entendeu finalmente que aqueles eram as criaturas que assombravam o mundo e fazia o céu chorar sob as estrelas. Eles eram os culpados.

E ainda que eles não fossem culpados, isso não tinha importância, porque para o menino eles todos eram dignos somente do seu ódio bruto e sangrento.

E foi sobre os restos daquilo que fora o seu mundo e sua vida que o pequeno menino, que perdera sua alma pura de criança, jurou vingança. O ódio eterno que ele enterrou no peito fazendo-o de coração foi daquele dia em diante sua maldição e seu sopro de vida. Todos os dias eles chorou no mais fundo de si, pois no fim, ele só queria ainda poder brincar com seus pequenos tanques de madeira enquanto escutava as estórias escritas pelas mãos de seu avô.