quinta-feira, 30 de junho de 2011

[Conto] As 2 mil vidas de Ricardo Slayer

Hoje, para tirar o blog do hiato, um pequeno texto maluco que escrevi a uns três meses atrás.



Ricardo Slayer estava, como todos os sábados, aproveitando uma hora livre sentado em um local afastado e tranquilo do grande parque que ficava a menos de um quilometro da sua casa. Porém aquela tarde não estava sendo nada comum, isso porque ele estava sendo abordado por um estranho e desengonçado rapaz vestido de missionario. Talvez fosse menos incomum se não fosse o fato do rapaz na verdade ser
ele próprio:
- A verdade é que cada sonho que se tem trata-se de uma vida paralela que está em andamento, e todos nós vivemos simultaneamente. - disse o jovem.
- Hm....
- Por exemplo, eu sou você em uma das suas outras vidas paralelas.
- Hm....
- No caso, Ricardo, você tem outras 1999 vidas paralelas, nessas subrealidades que na verdade dependem dessa sua vida “principal”.
- Hm....
- O grande problema é que por volta de 1950 dessas suas outras vidas acabaram percebendo que são subvidas suas e ficaram revoltados.
- Ah.....
- E agora eles decidiram que querem aniquilar você para que algum deles possa assumir o seu lugar.
- Hm...
- Você está me escutando, Ricardo?
- Isso daqui é um sonho, não é?
Os dois Ricardos se encararam em silêncio por alguns minutos, ambos totalmente incrédulos com as palavras do outro:
- Eu estava falando sério, Ricardo.
- Se aqui é um sonho, então eu não tenho com o que preocupar. - respondeu o Ricardo real, esticando as pernas sobre a grama que ainda parecia tão macia e verde quanto a cinco minutos atrás apesar de agora ele saber que aquilo não era real.
- Você não entendeu o problema. Eles se uniram e conseguiram agora um meio de você estar aqui. Isso é perigoso.
- Quer dizer que eles realmente podem me matar? - a falta de emoção ou relavância com a qual o Verdadeiro falava sobre a possibilidade real de perder sua vida num mundo imaginário estavam tirando a paciência do Frade.
- Sim.
- E então, lá na realidade eu vou aparecer morto?
- Não. Algum deles vai substituí-lo.
- Ah.... e ninguém vai notar se eu não for mais eu?
- Todos eles são você.
- Até você?
- Sim.
- Hm....
- …...
- Você é um dos que me odeia?
- Ainda não, mas talvez eu mude de idéia.
- Ah.... - refletiu o Verdadeiro Ricardo, coçando o queixo enquanto encarava um silêncioso e aparemente exasperado ‘eu’ travestido de religioso. 
- Hã... - tentou retomar a conversa de modo sério o outro Ricardo, mas foi em
vão.
- Eu já sonhei que fui um missionário?
- Você não se preocupa mesmo? - irritou-se o religioso.
- Sonhos não doem, então está tudo bem.
- Ah... então você acha isso...
- E não é verdade?
- Logo vai saber.
- Nossa, isso soou ameaçador....
- Até breve, Ricardo. - disse o Frade, desistindo de falar mais alguma coisa e
dando as costas ao outro, afastando-se sem muita pressa.
- Que maluquice... - comentou Ricardo para o vento agradável que soprava no seu rosto. - Até parece que eu-aí! - exclamou ele ao tentar apoiar a mãos e sem querer encostar em um pequeno ramo de espinhos que havia caído ao seu lado. - Espera...mas como....?
De repente o jovem percebeu longas sobras tomando conta da bela grama verde. Cada vez mais longas e mais escuras, rapidamente ele viu-se totalmente coberto por aquela escuridão causada por alguma coisa que devia ser fenomenalmente grande. Levantando-se ele olhou para a direção contrária, para ver de onde afinal vinha aquilo.
E Ricardo não se surpreendeu quando viu um conjunto de arranha-céus que quase chegavam às nuvens escuras que estavam ao alto. Ele se perguntou por um momento de onde teriam afinal vindo as nuvens, mas ignorou completamente o fato de também não saber de onde tinham vindo os prédios. Sem saber mais o que poderia fazer de bom naquele parque imaginário ele decidiu que era uma boa idéia conhecer aquelas construções mais de perto.

2 comentários:

Joe de Lima disse...

Legal, Mazaki. Li as duas partes, vai ter mais alguma?

Lilian Kate Mazaki disse...

Obrigada pela leitura Joe ^^
Sim, vai ter, só não sei dizer quando, afinal eu escrevo nos intervalinhos das outras escritas.