sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A megalomania literária

É bem recorrente em fóruns e grupos de aspirantes a escritores espalhados pela internet encontrar jovens autores fazendo o seguinte tipo de comentário: "Tenho XX anos (menos de 25 ou 20) e nunca escrevi nada, mas tenho uma série de Z (acima de 5 ou mesmo 10) livros em mente. Como faço para escrevê-los?". Esse tipo de pensamento é comum em pessoas com pouca experiência prática no ofício literário (literalmente a labuta de escrever) que reflete uma enorme falta de preparo para tal empreendimento e, além disso, é uma janela imensa para fracassos e frustrações.

Mas, afinal, o que tem de errado em querer começar a carreira literária escrevendo uma longa série de ficção?


A "Megalomania Literária"




Primeiro ponto negativo é psicológico. Um potencial autor cria um universo de fantasia maravilhoso, deslumbrante e logo começa a enumerar a quantidade de livros que precisaria para apresentar esse universo de modo completo ao leitor. Imagina-se sendo ovacionado e adorado por seus fãs, participando de noite de autógrafos e, quiça, negociando os direitos para um filme em Hollywood! Porém, em meio a toda essa euforia o aspirante não se dá conta de algo simples, mas fundamental nesse processo: escrever é um trabalho demorado e penoso.

Não que todos os autores, publicados ou não, não possam se permitir esses momentos de devaneio, muito pelo contrário. Mas, encher-se de ansiedade a respeito de uma obra tão grandiosa sem sequer ter começam a tirá-la da mente para um rascunho que seja pode ser uma armadilha.

Uma vez que o autor desperte do seu sonho e se veja diante de um desafio tão gigantesco e urgente (afinal, se ele não começar a escrever AGORA não irá viver o bastante para ver toda a sua fama prosperar) ele provavelmente irá TRAVAR por completo antes de escrever a primeira frase do primeiro esboço de conto sobre seu maravilhoso universo.

O segundo ponto negativo é logístico. Escrever um livro é uma atividade que exige uma quantidade bastante volumosa de subsídios para se tornar realidade:  tempo e esforço podem ser conceitos abstratos, mas são a matéria-prima do trabalho literário e são um custo para o autor. Uma pessoa que diz que quer estrear escrevendo uma série de, por exemplo, 10 livros correlacionados provavelmente não faz ideia da quantidade de tempo e desgaste mental necessários para terminar uma única obra, quem dirá 10 obras com enredos interligados.

Um autor inexperiente, em praticamente todos os casos, não tem técnica o suficiente para lidar com um único enredo, muito menos com diversos enredos entrelaçados.

Um aspirante não tem, em sua maioria, conhecimento do próprio ritmo de trabalho, nem noções de organização pessoal para lidar com a produção de uma obra.

Boa parte dos escritores de primeira viagem não conhece técnicas para otimizar sua rotina de trabalho para uma obra ou, em casos ainda piores, rejeitam essas técnicas por acreditarem que "sistematizar meu trabalho é matar toda a alma da minha obra."

Ou seja: Escritor aspirante (e mesmo boa parte dos escritores já experientes), não se comprometam com uma série imensa como seu caminho principal na carreira literária.



"Mas eu sou uma pessoa criativa, não posso evitar criar universos maravilhosos e gigantescos."




Criar, a nível conceitual, universos de ficção complexos é um exercício apreciado por autores de fantasia e ficção-científica (o chamado Worldbuilding). É uma atividade, até certo ponto, muito prazerosa e proveitosa para a mentalidade do autor. Ter que repensar regras físicas, sociais ou espirituais de uma realidade imaginada pode ser um caminho para compreender como essas questões são construída na nossa própria realidade.

Porém uma coisa é criar conceitos e outra, muito diferente, é escrever uma série de livros. É preciso separar o senso de criação do senso prático como escritor. Os problemas de comprometer-se com uma série são muitos e podem levar a frustrações enormes.


Como lidar com a Megalomania Literária?




Não há como passar uma receita única de como resolver esta questão, mas irei deixar aqui meu toque opinativo, levando em conta as experiências que já tive na produção literária. Em suma:

- Crie um universo do tamanho que for, MAS, pense em um livro de cada vez;

Se seu primeiro livro, com enrendo redondo, fechado em si mesmo, dentro deste seu universo der certo, ou seja, for publicado (por editora, de maneira independente ou mesmo de graça na internet) e conquistar uma base de fãs, mesmo que pequena, AI SIM você começa a trabalhar no seu segundo livro, ou, num toque mais ousado, uma trilogia nova dentro desse seu universo ficcional.

Escrever é um ofício e o autor despende dos seus bens mais preciosos para isto: tempo e raciocínio, então é preciso inteligencia para não jogar estes preciosos recursos no vácuo da inutilidade.

Outro ponto interessante a destacar aqui: Não adianta de nada escrever 14 livros quem ninguém nunca leu. Para que serve você falar de números invejáveis se você tem menos leitores do que obras terminadas?

Mais uma vez é a questão de ser inteligente com sua carreira. O resumo deste artigo é: Seja realista e dê um passo de cada vez.


Lilian K. Mazaki

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ensino Médio ou Mediano?

Agora pela manhã, assistindo o jornal, acabei refletindo mais uma vez sobre a distorção imensa que atinge o Ensino Médio no meu país, atualmente. Cada vez mais esses três anos de estudos são considerados como uma obrigação visando o vestibular, quando não um empecilho!

Uma etapa tão importante da vida, onde deveria ser formado um cidadão com plenos conhecimentos sobre o funcionamento básico do mundo, da ciência e da sociedade está sendo tomado como uma obrigação monótona, quase torturante. É uma distorção de valores onde não são os estudantes os culpados. Pais, educadores e, principalmente, a falta de atualização do sistema educacional são os grandes culpados nessa questão.

Os pais não sabem o verdadeiro sentido do Ensino Médio. Professores, afogados por rotinas de trabalho pesadas, cansativas, terminam por entregar-se ao modo "mecânico" de conduzir suas classes. Um sistema perdido em seus valores, método, visão, propiciam um espetáculo de horror educacional, conduzindo com maestria essa barbarie intelectual.

O Ensino Médio não é um decoreba para o vestibular. Não existe nenhum "mas ninguém usa o que aprende na escola". Será então que a sociedade visa tornar seus membros cada vez mais mecanizados, robóticos intelectuais que conhecem (de modo parcial) apenas aquilo que se refere ao seu trabalho e nada mais além disso? É um equívoco para um programador saber o nome dos continentes, ou a quantidade de planetas do Sistema Solar? Via-láctea deveria ser um nome de conhecimento apenas de astrônomos das mais renomadas universidades e desconhecido do resto do mundo?

Isso é uma distorção. A escola deveria formar uma mentalidade aberta e provida de todos os conhecimentos básicos que qualquer PESSOA deveria ter, não apenas um VESTIBULANDO.

Sinto que, essa falta de valores se reflete com perfeição no tipo de cidadãos que estão integrando seu meio cometendo cada vez mais atos imbecis em todos os níveis. Não é só falta de caráter, é falta de esclarecimento, falta de tolerância, falta de capacidade.

Muita coisa precisa ser repensada e reconstruída para que esta realidade possa mudar para daqui a algumas décadas. Tapar a realidade e tentar mecanizar ainda mais o ensino são as medida favoritas de um estilo de governo paliativo, infelizmente o mais comum no nosso país.

Mas ainda há esperança, sempre há. Basta colocar a mão na consciência e mudar isso a partir de casa.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

[Conto] O planetoide Astro XLII - parte 1

Em um espaçonave não-registrada viajavam pelo espaço quatro pessoas que a princípio nada tinham em comum: uma ex-secretária que depois de virar escrava e quase ser dada de presente a um marajá de um sistema além do Império da Galáxia do Oeste, virara cúmplice em uma fuga; um mercador de produtos para naves de corrida; um cientista medíocre que só vivia para cumprir suas duas horas de ultra-processamento obrigatórios, de segunda a sexta, e gastar de maneira despreocupada o estratosférico salário por essa função; e por fim uma ex-pirata, filha de um grande criminoso conhecido em todas as partes do universo conhecido, que se rebelara e fugira do seu destino óbvio de dar sequência à obra do pai.

Esta situação já seria estranha e incômoda aos quatro se não fosse o fato de, inesperadamente, terem ficado presos à espaçonave, caídos em um planetoide ordinário, com a perspectiva imediata da tragédia. Apesar disso, na discussão caótica que os quatro travavam na sala de convivência da nave os assuntos que imperavam eram as desavenças pessoais entre eles. As brigaram chegaram a tal distanciamento das questões imediatas que a dona da nave, Mirela Wotz, viu-se obrigada a tentar colocar ordem na confusão:

― Deixando tudo isso de lado, deveríamos nos ater ao que é realmente importante agora. ― disse ela, sobrepondo a voz aos insultos cada vez menos elegantes proferidos no recinto.

― E quais seriam esses pontos? ― questionou Maurice Ilanovi, o cientista formado e conhecido de juventude de Mirela.

― Encontrar um modo de sobrevivermos, acredito eu, que é uma prioridade para todos nós. ― disse a ex-pirata, impaciente com o quão óbvio era a questão.

― Na verdade pra mim é só saber quando é que você vai me pagar a dívida, Wotz. ― rosnou o mercador, um homem velho e que usava trapos rasgados e sujos para cobrir o corpo e parte do rosto, deixando apenas um olho artificial azulado à mostra.

― Eu já te disse que não peguei nenhum desestruturalizer da sua oficina, Megalos! ― vociferou Mirela.

― E eu já disse que não acredito em você, pirata. ― rebateu Megalos, repetindo a mesma fala já pela quinta vez.

― Olha, acho que vocês podem resolver isso depois que nós conseguirmos sair desse lugar. ― interveio Nina Sanders, a ex-secretária e ex-escrava, já tendo também se fartado daquele ciclo sem fim de debate.

― Detesto concordar, mas de fato nossa baixa possibilidade de sobrevida é algo muito mais preocupante. ― disse Maurice, com a voz afetada e superior que sempre impregava.

― Certo, certo. Podemos acertar essa sua dívida em um momento mais oportuno, Wotz. ― concordou

Mirela respirou aliviada antes de retomar a fala:

― Bom, então vamos retomar os fatos. Estamos nessa nave, presos, com o sistema de segurança travado e o oxigênio chegando perto do fim. Estamos pousados num planetoide abandonado, para além da fronteira inferior do Império, sem comunicação com qualquer outra espaçonave. Nem mesmo os cargueiros levando produtos ilegais passam por esses lados. A questão é: como vamos nos livrar dessa?

― Não existe possibilidade da atmosfera do planeta ainda estar presente, mesmo abandonado? ― supôs Megalos.

― Infelizmente, com o sistema inteiro travado, não conseguimos fazer uma análise atmosférica. ― contra-argumentou Maurice

― E não tem nenhuma forma simples de fazer um pequeno teste? ― insistiu o mercador, com o tom de voz já perdendo a calmaa.

― Arriscar abrir qualquer brecha para um teste poderia desencadear um efeito devastador, caso haja apenas vácuo lá fora. Vocês tem que lembrar que sem os sistemas funcionando não conseguimos nem lacrar as portas para realizar algum teste isolado. ― explicou o cientista, um tanto amedrontado ao ter que encarar a figura horrenda de Megalos.

― A caramba, eu não consigo ser tão medroso assim quanto vocês, cientistas. ― rosnou o velho, levantando-se.

― O que pensa que está fazendo Megalos? ― perguntou Mirela, se alarmando ao ver o homem se aproximar da entrada principal da nave.

― Um teste nada científico. ― respondeu este.

― Não, espera!

Megalos chegou na porta, travada pelo sistema e sacou uma arma pesada que carregava na cintura. Antes que Mirela conseguisse alcançá-lo, ele disparou e arrebentou a porta. Para o alívio tremendo dos outros três, não houve sucção pela passagem, mas sim uma agradável brisa fresca invadiu o ambiente já pouco oxigenado:

― Tsc. Se dependesse do "espertão" nós íamos morrer sufocados com essa atmosfera maravilhosa aqui fora. ― debochou o mercador, saindo para o ambiente decadente do planetoide Astro XLII.

― É por isso que dizem que o departamento científico se tornou inútil depois de Harumi Starlight. ― comentou a desertora Wotz.

― Starlight? Eu sempre achei que fosse Stardust. ― disse Nina, com estranheza.

― Sério? Isso faz tanto tempo que nem o nome mais dela agente tem certeza, mesmo tendo sido alguém tão importante. ― lamentou-se Mirela, que era uma profunda admiradora daquela figura histórica.

Depois de alguns minutos em que os quatro aproveitaram a liberdade de respirar sem preocupação outras questões começaram a brotar em suas mentes:

― Legal, e agora, como vamos sair desse pedaço de pedra perdido no espaço? ― perguntou Megalos.

― O jeito é procurar por alguma outra nave deixada para trás. ― disse Mirela, sendo prática.

― E esperar que sejamos os únicos por aqui. ― completou Nina.

― Por que diz algo tão amedrontador, Nina? ― perguntou a ex-pirata, sobressaltada com o tom obscuro usado pela outra.

― É que. . . Juro que vi algumas sombras se mexerem lá na frente, perto daquele ferro-velho. ― disse a jovem, apontando para algo mais à frente.

Os outros três viraram de imediato para observar o local apontado, mas não viram nada além de pedaços de veículos antigos sendo devorados pela ferrugem. Tudo parado, até que a lanterna dianteira de um dos carros soltou e caiu, estilhaçando vidro:

― Era tudo o que precisávamos, estar em um planeta mal-assombrado. ― comentou o mercador.

― Por isso que dizem que o nome "Astro" dá azar. ― disse o cientista.

― Nunca ouvi algo assim, Maurice. ― comentou Mirela.

― Já ouvi isso de alguns veteranos na Academia. ― respondeu ele, dando de ombros.

― Bom saber que vocês devoram o dinheiro do povo para ficar conversando lorotas. ― rosnou Megalos.

― Ok, ok. Chega de conversa e vamos atrás de alguma nave que não esteja deteriorada. ― ordenou Mirela, tirando um pequeno aparelho do bolso e encaixando-o na pulseira presa ao antebraço esquerdo. Ali ela fixou o ponto inicial onde estava localizada a nave defeituosa, para que não se perdessem. ― Se não acharmos nada nos arredores até o horário oficial noturno, voltamos e amanhã partimos motorizados para buscar em locais mais distantes. Entenderam?

― Sim, senhora. ― respondeu Nina, habituada a receber ordens desde sempre.

― Se não fosse pirata, poderia ter tentado uma carreira militar, Wotz. Você sabe mandar. ― ironizou Megalos, com uma risada seca, produzindo um som metálico.


[Continua na segunda parte]

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A incrível arte de "botar uma história pra fora"

"Escrever é reescrever" é um dos ditados mais conhecidos e mais ignorados entre aqueles que fazem da escrita literária um hobby ambicioso, especialmente entre a massa dos aspirantes (ou os que ainda estão achando a Jornada do Herói uma grande novidade). A verdade é que a resistência (às vezes mesmo consciente e teimosa) dos aspirantes a aceitar que um texto não vai ser escrito a primeira vez já da forma bela e definitiva que ficará é uma das maiores barreiras para o avanço do trabalho destes entusiastas.

Botar uma história para fora é o processo mais mecânico de toda a cadeia de eventos necessários para colocar um conto, ou livro, no mundo. Não é a primeira etapa, e sim a segunda (visto que o planejamento inicial é onde tudo tem começo) deste processo e é, dependendo das proporções do projeto, uma etapa muito demorada, podendo tomar semanas, meses e mesmo, em alguns casos, anos.

Porém este processo é valorizado em demasia por quem ainda não adquiriu uma experiência maior no labor literário. Escrever a primeira versão é sim (e enfatizo) importante, mas não é a etapa decisiva da produção de uma história. Querer que cada frase saia na melhor forma possível na primeira escrita é adicionar um peso estrondoso e desnecessário ao ato de, quase literalmente, cuspir centenas, ou milhares, de frases num pedaço virtual de papel. É produzir a matéria-prima que será posteriormente modelada, talhada, cozida e retocada até atingir todo o seu potencial como uma obra de arte.

Infelizmente não existem truques ou atalhos para criar em si a capacidade de, ao sentar-se diante do computador em um dia qualquer, conseguir escrever uma grande quantidade de texto, estando ou não com "inspiração" ou motivação. A única forma é o esforço contínuo, praticamente diário, enfrentando a próprias armadilhas montadas pela psique. Nada menos do que uma dose generosa de perseverança é precisa para manter-se no intuito original de tornar-se "profissional" na forma de lidar com a escrita. E é só por esse meio que se consegue chegar a alguma lugar.

Por isso essa arte é "incrível". Não é algo simples ou fácil aprender a colocar histórias para fora sem dar voz ao "editor interno". Talvez seja ainda mais duro ao, enfim realizar este grande feito, perceber que, como dito antes, essa etapa é apenas a segunda de tantas outras, tão ou mais vitais, para a produção de uma obra. 

Uma recompensa agridoce que motiva e torna a desafiar a cada dia. Assim como é toda a jornada de ser um contador de histórias.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Indicação: Manual de Roteiro de Leandro Saraiva e Newton Cannito

Olá a todos, hoje gostaria de indicar aqui no Creative 1000% um livro que acabou chegando as minhas mãos por acaso, mas que se mostrou muito mais interessante e útil do que eu poderia esperar.

Trata-se do Manual de Roteiro, ou Manuel, o primo pobre dos manuais de cinema e TV. Escrito por Leandro Saraiva e Newton Cannito o livro está atualmente na sua segunda edição e traz ao leitor uma versão muito mais simples, direta e até íntima de apresentar os conceitos por detrás da produção de roteiros.


 
Descobri este livro quando estava à procura de outro livro sobre roteiro: o tão popular Manual de Roteiro de Syd Field. Na livraria da cidade onde residia na época o tal volume encontrava-se completamente esgotado, então, fazendo uma pesquisa sobre o termo roteiro, a vendedora encontrou o Manuel, que tinha um volume na prateleira.

Confesso que comprei este “substituto” pensando que material técnico sempre é útil, mas não estava entusiasmada. Mas bastou ler a apresentação e os primeiros capítulos para eu perceber que o Manuel era muito mais do que um quebra-galho.

Talvez por ter sido produzido como fruto de uma oficial de roteiro realizada pelos autores, o Manuel tem uma estrutura e diálogo com o leitor muito dinâmico e simples. Você se sente como que ouvindo ao vivo os autores conversando sobre as estruturas mais básicas do roteiro até detalhes muito mais avançados.

Porém, não é apenas a linguagem acessível o triunfo do livro. O Manuel leva o leitor a pensar sobre o ato de fazer roteiro de uma maneira muito mais madura e reflexiva. Sem fórmulas prontas, ou passo-a-passo, o Manuel leva aqueles que querem utilizá-lo como ferramenta de aprendizado a ter uma visão menos estática do processo de produção.

Ao invés de checklists, questionamentos levam o leitor a entender e elaborar seu roteiro. Não existem regras inquebráveis, mas sim padrões que podem ser entendidos e aplicados, ou não, aos trabalhos de maneira individual.

Além dessa visão o livro também é capaz de mostrar os elementos apresentados tantos em filmes de hollywood como no chamado cinema cult e mesmo o cinema brasileiro. As referências podem abrir os horizontes do leitores que não conheceçam sobre obras de nomes ancestrais da direção como Godar (eu não conhecia!).

Outros aspecto muito interessante da obra é que a mesma se torna muito mais eficiente se for lida como uma verdadeira oficina. Ao final de cada capítulo atividades são propostas no intuito de que o leitor-aluno trabalhe em um projeto de roteiro enquanto acompanha a leitura.

Essa compra acidental se mostrou muito feliz, por isso indico para todos que trabalham com a arte de contar histórias a leitura do único Manuel de Roteiro que existe!

terça-feira, 23 de julho de 2013

[Web-série] Other World - o início de uma nova publicação

Gostaria de compartilhar com vocês sobre meu novo projeto online: Other World, uma série de ficção científica que passarei a escrever e publicar em um blog próprio.

Apesar de só estar iniciando a publicação agora, a verdade é que Other World já é uma ideia antiga minha, que me acompanha desde os tempos anteriores à minha entrada nesse mundo dos blogs. Ao final de 2012 eu desenterrei o enredo e dei uma nova roupagem, definitiva. Estou aproveitando este momento de mudança na minha vida, onde terei algum privilegiado tempo para trabalhar apenas nos meus escritos, para jogar no mundo esse projeto.

Bom, era esse o recado que eu gostaria de compartilhar a vocês. Aos que se interessarem, o endereço oficial da web-série Other World é http://otherworld-serie.blogspot.com.br/ .

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Uma indagação

Seria a chamada blogagem uma necessidade legítima? Pergunto isto do ponto de vista de uma pessoa que, mesmo sem nunca ter atingido uma verdadeira notoriedade por este hobbie sinta falta do exercício do mesmo, em diversos momentos.

Provavelmente algo relacionado à necessidade humana de propagar suas idéias. Algo como "de blogueiro e fotógrafo, cada um tem um pouco" (que o Instagram seja minha defesa!).

Claro que o tempo é o fator mais crítico, mas sinto que sou eu quem problematizo demais está questão.

Bom, se estou insatisfeita, só me resta melhorar minhas atitudes quanto a isto, enquanto acredito que blogar já se tornou um vicio depois de tantos anos.

sábado, 15 de dezembro de 2012

[Conto] O Feriado Perdido de Ricardo Slayer (versão curta)

Olá a todos! Vim trazer o terceiro conto do personagem Ricardo Slayer. Como sempre é algo curto, tanto que deixo bem claro desta vez no título que é uma versão inicial. Com o passar do tempo e a escrita destes pequenos contos, estou começando a ver a forma com a qual irei escrever a obra definitiva do personagem de duas mil vidas.

Vou deixar o link com a versão em pdf, se alguém preferir ler fora do browser.


Agora, fiquem com o conto. Agradeço críticas. (Aviso desde já que só fiz uma segunda leitura, sou péssima para revisão)



O Feriado Perdido de Ricardo Slayer (versão curta)
por Lilian Kate Mazaki
Novembro 2012

Ricardo Slayer acordou subitamente e levantou quase pulando. Teve certeza desde o primeiro momento que algo havia acontecido. Sua visão estava borrada e o cenário era escuro, mas ele tinha certeza de que era uma espécie de pequeno bar. Pela falta de movimento ele acreditou estar sozinho.

As mãos fizeram o movimento automático para ter certeza de que estava acordado. Uma foi para o bolso esquerdo da calça, onde estava seu celular e a outra para a alça da bolsa, que estava ali também. Ele não sabia se achava isso melhor ou pior, mas pegou o o smartphone para verificar algumas coisas.

Era dia 26. Ele já sabia, mas foi verificar no seu aplicativo de calendário para ter a sentença: sim, sua última memória era do dia 21. Haviam se passado cinco dias em sua vida e ele estava em um lugar completamente diferente.

Alguém havia tomado seu lugar. Alguma de duas outras duas mil vidas conseguira sabotá-lo e assumir seu papel durante todo aquele tempo. Talvez ele devesse entrar em pânico, mas a verdade é que de alguma forma já conseguia lidar com aquela condição única sem estranhar tanto assim.

Tinha que voltar para casa. Sorte sua que ele havia emendado o feriadão com algumas folgas, o que significava que ainda tinha dois dias para ajeitar o que tivesse acontecido antes de ter que voltar ao serviço. Existia também a chance de ele não ter mais emprego, porém isso não o preocupou muito. Na verdade uma lembrança inesperada tomou sua atenção por completo:

― Essa não! Eu não devo ter ido ao encontro no sábado! ― exclamou, batendo com a palma da mão na testa com força. Depois de tanto tempo tentando encontrar uma chance de convidar Milene para alguma coisa fora de dias de trabalho, provavelmente ele havia dado um bolo nela. Isso sim era uma possibilidade que o amedrontava imensamente, ter perdido para sempre a chance de tentar sair com a colega de serviço.

Finalmente ele conseguiu enxergar melhor o pequeno bar onde se encontrava. O local parecia estar fechado a alguns anos já, pois havia poeira e teias grossas pelas cadeiras e mesas. Seus olhos correram o local e ele viu o cartão de visitas que estava cuidadosamente depositado logo à sua frente, na bancada mofada do estabelecimento. Nele havia somente uma frase escrita à mão. Uma simples sentença que não faria sentido para ninguém no mundo que não fosse Ricardo Slayer.

“Eu sou você”

Um arrepio correu pelas costas do homem e instintivamente ele agarrou o cartão e se dirigiu à porta visível daquele moquiço. Sua visão periférica mostrou que havia alguém caído em meio à sujeita no seu lado esquerdo.

Não, ele não viu nada. Seu corpo estava dolorido e pesado, então aquele vulto inerte podia significar algo bem pior do que perder o encontro. Sim, ainda existiam coisas piores do que isto.

Ricardo saiu do lugar e viu-se em uma pequena ruela de uma cidade aparentemente pequena. Torcia para ainda ter algum dinheiro consigo, senão seria bem mais trabalhoso retornar à capital.

Ao tentar pegar o celular mais uma vez do bolso, Ricardo percebeu que ainda estava com o cartão na mão. Olhando-o melhor viu que havia algo escrito no outro verso.

“334 – Ricardo Slayer – Detetive Multidimensional”

A vida não parava de trazer surpresas para a vida comum e sem graça do homem de duas mil e uma vidas.

Meu primeiro conto de terror

Olhou para o céu noturno. Não haviam estrelas. Ela mexeu nos cabelos finos e negros para aliviar um pouco do calor na nuca e seguiu seu caminho.
Já passavam das vinte e três horas e não havia qualquer viva alma nos arredores. Viva, ou morta, qualquer forma de vida inteligente evitava cruzar o caminho daquela que apenas caminhava quando não mais se enxergava qualquer luz do sol. Nem mesmo no reflexo da lua.
Sua aparência ainda era a mesma de antes de tudo o que lhe sucedera. A imagem perfeita de uma moça de vinte e poucos anos um tanto reservada. Não havia nenhum traço do que havia se transformado o ser que habitava por debaixo da pele alva e delicada. Se por fora ela ela uma mulher perfeita, não se saberia denominar o que havia no interior.
Além de talvez, um demônio.
Ela era capaz de relembrar diariamente todos os assassinatos que testemunhara. Quase todos ela mesma havia causado, das maneira mais sangrentas o possível, com direito a orgãos estraçalhados e devorados com voracidade. Não era doloroso, não era assustador. Era apenas uma maldição que sequer havia feito questão de tentar entender. Tudo o que importava é que precisava saciar sua fome quando ela sobrevinha.
Como naquele noite parada de quase verão.
Em um momento, em meio ao seu caminhar quase silencioso, um farvalhar de mato pode ser escutado de longe. Os olhos negros e aguçados dela logo localizaram a origem. Aparentemente era um menino de rua, saindo do meio da vegetação que se espalhava pelo terreno baldio e sem muro. Devia ter acabo de aliviar suas necessidades e agora arrastava-se para o pequeno monte de trapos que seriam sua morada por aquela madrugada.
O pequeno não devia ter mais do que doze anos. Sujo, magro, de aspecto doente e débil. Ela pode perceber claramente que pouco restava de humanidade também naquele pequeno corpo. Todo o resto já havia sido quase devorado por inteiro pelas drogas. O cheiro de podridão que exalava só atraia ainda mais a atenção da criatura que conhecia bem a noite
Ela sentiu um arrepio correr pelas costas. Ainda que fosse uma criatura maldita, seu corpo ainda respondia a diversas sensações, inclusive à adrenalina causada ao encontrar uma presa que atraía seu paladar. De repente os pensamentos sem emoção foram substituídos por uma gana insana por sentir a textura da carne ainda viva descendo pela sua garganta.
Avançou. O maltrapilho ainda teve tempo o bastante para ver sua aproximação. Pela sua expressão devia conhecer o mito que já era de conhecimento da lenda urbana. Porém isso foi tudo, pois seu corpo sequer chegou ao chão ainda inteiro. Seus orgãos se espalharam pelo chão enquanto suas tripas esguichavam sangue, enquanto ela arrancava os pedaços, voraz.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mudando de web atitudes

Eu, Lilian Kate Mazaki, tenho um problema sério com relação à publicões na web: a dispersâo de conteúdo. Ou seja, estou sempre abrindo novos espaços na webpars postar conteúdo, ao invés de fazer isto em um único endereço. Claro, a culpa disso é o fato de eu não resistir em testar ferramentas.

Só que isso gera um enorme inconveniente: meus textos acabam espalhados de modo que somente eu sei o que já escrevi ou não.

Tumblr, blogs no blogger e wordpress, twitter, twitpic facebook. . . Uma gama de sites onde meus projetos e idéias ficam jogados.

E porquê estou tagarelando com vocês sobre isso? Isso é porque agora decidi tentar resolver isto, centralizando essas publicações aqui no Creative 1000%. Claro, eu ainda tenho o Mundo Mazaki (e outros projetos conjuntos), mas fora esses a idéia é trazer os conteúdos diversos pra cá.

A moral da história é que mais vale misturar um pouco alguns conteúdos do que ter uma coletâneas de sites abandonados. Por tanto o Creative 1000% cai se tornar bem mais "criativo" doque esta. Quem sabe separar as coisas por colunas. Bom, isso eu organizo sozinha ne, é o mínimo.

Bom, por hora é isso.